domingo, 31 de maio de 2009

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Ando amando
Tanto que cego
Pela clara luz que canto

Um elo de mero encanto
Total infinito enquanto
Loucos num castelo


(de areia?)

Obrigado, alegria, por um pouco de tristeza.

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Obrigado
Por me trazer de volta ao pó
Por me trazer de volta a consciência
Da insignificância que trago em meu corpo
E ele próprio, o corpo, traz em si sua insignificância
Irremediável.
Obrigado
Por me fazer sentir que sou nada
Ou praticamente nada, pois se quisesse
Falaria comigo, ou pelo menos faria algum tipo
De comunicação. Melhor, teria vontade de fazer uma
Comunicação, mas começando a perceber onde há contrastes.
Obrigado
Me joga no mais baixo nível da cadeia–pirâmide humana,
Onde me escondo no meio de outros nomes que você já reconhece
Há tanto tempo que não lembra mais de outras datas, em que você se mostrava
Linda, mas longe, parecia que não queria muito nada além do que alguma companhia
Obrigado
Por me olhar e me absorver com o olhar
Carregando eu inteiro pra dentro de você, mas sem
Que você permita, ou seja, um estupro em alguma dimensão.
Desde que a palavra seja livre, podemos concluir o abuso de tal ilusão.
Obrigado,
Alegria, por um pouco de tristeza.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

ilusão/realidade/ilusão

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A luz vai ficando forte, cada vez mais.
Na minha direção. Ela vem.
Ainda não sei...
Se é amor ou trem.

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Ainda não sei...
Mas pensando bem,
Me pergunto se sou eu quem vai,
E não ela que vem.

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sábado, 23 de maio de 2009

Decadência.

Decadência.


O melhor momento para se escrever é na decadência. Na decadência. Sabe um corpo caindo? imagina só. Sente-se o peso, o volume de cada parte do corpo. Pesam os pés com seus dedos, pernas com suas duas partes, joelho separando, também caindo. Esgotado. Muito trabalho. Pesa a cabeça, o tórax, a mente não está se dando bem nas investidas sobre o corpo. E o corpo cai. Cai. Cai um corpo que precisa cair para repousar. Há de se guardar algum lugar para o aquietamento do corpo, digo articulações músculos, e pálpebras. É o melhor momento para se escrever, o decadente. O decadente escreve melhor. O decadente é melhor. Gostamos do decadente, nos alimenta de ração, somos ingeridos pela multidão de desabamentos vivos que nos entrepassam. Fantasmas. Tenho convivido com eles. Não em mim. Tenho. Com eles. Não vejo, mas vejo. Em momento de lucidez, caminhamos lado a lado. Mas o momento de escrever é o momento sublime do dia. É a visita ao violento mundo vermelho sangue, gritos de horror e sadismo brutal, torturas infinitas. É bonito. O momento de escrever. De escrever. De ter de criar, para exercitar a descida. Para exercitar a possibilidade. De criar. Decair. Dissecar rupturas no tempo/espaço fingindo estar fazendo um bem grande a alguém, nem pra si mesmo. Imagina aos outros que não sabem de nada. Decadência é o que me faz continuar. Me faz. Sim, faz. Continuar. Me faz continuar com isso. Com isso. O que é isso? Isso é isso. Momento de isso. Decadente. Década. Dez anos. Dente. Ossos localizados dentro da boca, e não serei mais profundo que isso. Momento do corpo que cai. Um corpo que cai. Cai como sempre deve cair o que é acionado pela gravidade. É lei. Podemos abolir a lei da gravidade. Que tal? Sairíamos da decadência,
Subindo, subindo, subindo, subindo, subindo, elevando, elevando, elevando, elevador, elevação, elevação, elevar, levar ao bom. Alto. De fino trato. Padrão. Mais. Sair da decadência. Ser um modelo. Modelo. Ser. Não ser. Modelo. Não escrever. Reter. Pesa cada vez mais. Guardando tudo, o peso aumenta. Dê. Saia da decadência. Flutuar. Vagar equilibrado entre o cima e o baixo do ar. É o momento de escrever. E o de parar de ser. Decadência quando não terei mais tristezas? Conflitos? Terei. Teremos. Conflitos. Teremos. A fonte, presta atenção, a fonte. Não se esgota. Esgoto. Não vai pro esgoto.
A fonte é de coisa fina. Água limpa, e eu lá sou homem de. Sair da decadência. O momento de escrever deve ser o de elevar, subir, tatear as estrelas. Deve ser o momento de se arrastar com a maior parte do corpo pelo chão de terra e comer a terra. Elevar. Decair.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Todos os tempos são sombrios.
Todos são difíceis, para os amantes.
A vida não é fácil para o artista.
Também não é fácil para o carteiro.
Não é fácil para o síndico, carpinteiro
Padre, peão, operador de telemarketing.

Em todo canto há violência.
Violência, agressões, aqui, eu,
Sabe-se lá quantos de nós já apanhamos.
A violência do dia a dia, do alô no metrô.
Principalmente quando o sinal é de
Repente cortado.

Há pedintes, os que chegam ao desespero
Ou ator ao extremo, que em sua história
Se funde, e Stanislavski aplaudiria.
Mas alguém deve quebrar o encanto,
Mostrar que o nosso lugar nos influencia,
O nosso tempo nos influencia.
E são tempos sombrios, estes em que vivemos.

E será sempre assim.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Beira da Estrada

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Falo em liberdade.
Estou preso.
Eu posso voar.
Falo em liberdade, não sei falar.
Sei sair. Quero com você.
Vamos beber a madrugada.
Vamos embora. Nunca mais voltar.
Virar um quadro.
Dois bêbados, de mãos dadas na beira da estrada
De madrugada na Barra.
As luzes estarão sempre brilhando enquanto houver noite.
Como naquelas fotos em que as luzes fazem trilhos.
Não aparecemos nas fotos.
Sombras incertas, sem história.
Sem família, sem dinheiro, sem cama, sem roupa.
Falo em liberdade.
Bebo à liberdade.
Estou preso.
Mas tenho as chaves.
Diz se quer sair ou quer ficar.
Eu posso voar. E você?
Seu ônibus vem. Não, não vá.
Foi.
Caminho como sempre sozinho.
Livre.
Mas sozinho.



(07/11/2006)
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sexta e sábado

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1- Não se esqueça de que hoje é sexta, e hoje é sábado.

2- Como?

1- Claro. Vive.

2- Ah sim, isso eu faço, de fato.

1- Como?

2- Vivendo.

1- Eu vi.

2- Como?

1- Vendo.

2- O que é?

1- Um canivete.

2- Muito útil, um canivete.

1- É suíço. Tem nove funções.

2- Ta bom, quanto custa?

1- Ainda não pensei sobre isso. Me dê algum tempo.

(pausa)

2- Pronto, quanto custa?

1- Quarenta e cinco reais.

2- Me parece bem caro.

1- É o justo. Cheguei a esta conclusão pensando que cada função vale 5 reais, o que é até barato se formos analisar mais profundamente o assunto.

2- Hum...não entendo.

1- Se você fosse comprar separadamente cada utensílio que esse canivete carrega, gastaria, para cada um deles, mais do que cinco reais, sem dúvida.

2- Ah sim. É possível.

1- Hoje já é sábado, não se esqueça de seu compromisso.

2- Não gosto de ser pressionado.

1- Estou tentando te ajudar.

2- Obrigado. Agora me deixa em paz.

1- Sim. (fica parado)

2- Quero dizer sozinho.

1- Então não se esqueça do dia de hoje.

2- Ah, mas que merda! Agora ela chegou e vai começar a falar daquelas coisas chatíssimas que não me deixam concentrar no meu trabalho!

1- Eu faço companhia a ela.

2- Ah faz, sim. Você acha que eu sou idiota?

1- Acho.

2- Eu me casei.

1- E teve filhos.

2- E daí?

1- Você deu continuidade à espécie humana.

2- (espantado) Nossa...não tinha pensado nisso dessa forma.

1- São crianças.

2- São crianças.

1- E nós, somos adultos?

2- Adultos?

1- Podemos brincar.

2- Sempre podemos brincar.

1- Está aí uma coisa que se deve saber fazer, mesmo no mar de lama.

2- No “fundo dos mares”.

1- Como o pato selvagem.

2- Bem assado no forno, com bom tempero.

1- Ainda vai demorar. É um tipo que não se entrega fácil.

2- Então podemos jogar.

1- À morte?

2- Morte?

1- Dinheiro eu não tenho.

2- E morte?

1- Nunca.

2. Então não podemos jogar.

1- É, boa idéia.

2- Vamos jogar à vida?

1- Temos?

2- Temos?

1- Podemos brincar.

2- Sempre podemos brincar.


1- Se jogamos a vida, ficamos sem ela?

2- Mas é claro. Essa é a idéia!

1- Então será o jogo da vida será como o jogo da morte.

2- Mas temos vida?

1- E morte?

2- Tomara que chegue logo um novo tempo.

1- Eles demoram.

2- Tomara.

1- E quando chegam.

2- Que chegue logo.

1- Já estamos mortos.

2- Um novo tempo.

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terça-feira, 19 de maio de 2009

leituras e peças recentes...

Prometeu Acorrentado - Ésquilo (releitura)

Édipo Rei - Sófocles (releitura)

Um Homem é um Homem - Bertold Brecht

Hamlet - William Shakespeare (releitura)

Insulto ao Público - Peter Handke

Teatro do Oprimido - Augusto Boal (releitura)

A Última Gravação - Samuel Beckett

Esperando Godot - Samuel Beckett (releitura)

A Mandrágora - Nicolau Maquiavel

Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária - Nelson Rodrigues

Poemas Escolhidos - Manuel Bandeira

A Serpente - Nelson Rodrigues

O Beijo no Asfalto - Nelson Rodrigues (releitura)

200 Exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do tetro - Augusto Boal

Galileu Galilei - Bertold Brecht

O Teatro e seu Duplo - Antonin Artaud

Perdoa-me por me traíres - Nelson Rodrigues

O Apocalipse Segundo Domingos de Oliveira - Domingos de Oliveira (montagem)

Pessoas - Fernando Pessoa (montagem)

O Confronto - Domingos Oliveira, Luiz Eduardo Soares e Márcia Zanelatto (montagem)

Sobre o Suicídio - Karl Marx (montagem)

Espia uma mulher que se mata ( adaptação de O Tio Vania, de Anton Tchekhov) - (montagem)

Calabar - Chico Buarque (montagem)

Inveja dos Anjos - Cia Armazém de Teatro (montagem)

Tom e Vinícius, O Musical - Daniela Pereira de Carvalho e Eucanaã Ferraz (montagem)

É Samba na veia, é Candeia - (montagem)


(abril e maio de 2009)

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Há, realmente, muitos problemas.
Falta-se água.
Estima-se que em pouco tempo viveremos no caos.
Venho ouvindo isso desde que sou criança.

Quando eu não mais estiver aqui,
Você que por um pseudo-acaso disto tomar nota,
Pense bem: pense muito bem e vai saber porque não
Estamos dando muito certo.

Sou jovem, hoje.
Amanhã silencio.
Vamos lutando e
Há, realmente muitos problemas

De ordens diversas, eu que listarei?
Contribuo.
Às vezes não estou em nada.
Não me apresento.

A humanidade é frágil.
É difícil prever se duraremos mais que isto.
Todos, ou cada um,
Parte desta corrida de um lugar para outro mesmo lugar.

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da convivência.

Todos os dias pego um ônibus dirigido pelo mesmo motorista. O horário é calmo, quase não há outros passageiros. Já faz alguns meses, mas até hoje não nos cumprimentamos, eu e o motorista.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O meu vizinho

O meu vizinho tem um despertador que soa todos os dias às 5:12 da manhã.
Quando o despertador toca,
Imediatamente penso:
- Merda! Vou dormir.

domingo, 17 de maio de 2009

Da doação.

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Artista não tem moral.
Poeta não tem pudor.
Eu, como artista, em geral
Tenho é muito suor

Que escorre pela testa
E faz lagoas e torna-se frio.
Eu moro em minha festa.
Meu néctar eu bebo no Rio.

Ele escorrega com a gravidade
Que, tamanha a força, não se sente.
Olha que disparidade!
O artista não mente.

O artista mente em verdade.
Ele mente nela, e não por bordas.
Ele se priva de intimidade
Para dar-se ao mundo, à prova.


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sexta-feira, 15 de maio de 2009

ilha deserta...


Como se não bastasse ir pra uma ilha deserta. Como se não bastasse esta ilha ser no Pacífico. Como se não bastasse que sejam 10 anos. Ainda tenho o privilégio de levar cinco coisas. É demais pra mim! Já estou lá e esqueci as minhas coisas!


Mandem por sedex uma boa faca, isqueiros, violão, sementes de cannabis e um dessalinizador de água pelamordedeus!

Tem gente que tá levando mãe, pai, irmão, nora, namorado, cachorro... Mas que ilha deserta é essa?!


papo light...

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Que belo paradoxo:
Amanhã, enquanto cortam a energia elétrica da minha casa, por falta de pagamento, minha família se esbalda de comida. É porque sem energia a geladeira não funciona. A comida estraga. Temos que comer muito, e sem demora. Festa dark lá em casa!


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quinta-feira, 14 de maio de 2009

um homem na fotografia

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Tem gente que vai pra Europa.
Muito bacana.
Fotografias, sorrisos inflados,
Passeios lindos, em carruagens.

Passeiam por várias cidades, países...
A proximidade entre eles ajuda o transporte.
Pegam um trem, estão no outro país com praticidade.
E as ruas são tão belas.

Tudo parece um quadro de um mundo perfeito.
Até o momento em que percebo, no canto da fotografia,
Um homem.



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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma pausa para

Uma pausa


Hoje poderia não acontecer nada
Silêncio da tarde
Reflexo do sol sem roupas
Queimando calmo e cego
Os quadrados por onde atravessa

O cão que late uma, duas, quatro vezes
E para. O não-chegar das pessoas, vem e vai
Sentinela do prazer do fluxo
E mais: sem relógios
Sem o tempo que nos cerca
O sol parado, a Terra parada, o dia em finitude

Hoje poderia não acontecer nada
Nem o cantar do pássaro que treina
Suave o hino forte de mais tarde
Nem o digníssimo trabalho
De fazer o que não se quer na hora
em que não se quer

Dia suspenso!

Goes with it

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E vai brilhando
A listra azul, it’s blue.
And the rain comes falling
Between the days that get old.

E as ruas vazias,
Folhas de outono,
Pintam o chão yellow gold
E a paisagem goes with it.

E assim, vou dizendo
O que não devo dizer
E assim ficando fraco,
Fico fraco, fico assim e cresço

Entre tu e outras sedes.
E me perco no meu próprio desejo
De não saber poder sentir isso por você
E talvez não querer que vá embora nunca.


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segunda-feira, 11 de maio de 2009

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Como se escreve ouvindo música eu não sei, mas devo ser de algum modo influenciado pela música, que nos arrebata. A música entra, invade nosso corpo e toma conta sem pedir licença. É das artes a mais brutal. Escrever eu não digo muito sobre, pois não tenho gabarito para teorizar uma coisa que me vomita no branco e me faz gozar junto do que não está preparado para ser algo de suma importância, pois a única não veio. É, não reparo e largo a mão, ou estocando dedos no teclado quebrado, barulhento. Ouvindo a música que rasga as minhas fronteiras de mim mesmo, meu próprio corpo, me atravessa, atravessa e me faz tomar posição, escolher o que decidir, escolher. Poderia virar o rosto, não ver, impossível, não toco, não sinto por tato, sem cheiro definido, não escolho, uma tortura ou prazer. E sobrevivemos, nos envolvemos, talvez não, também é interessante. Escrevo de jeito que não liga e escuta o som que tá muito bom!


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assombro.

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O assombro do ator.
Está mais lúcido agora?
Calma, viajante, não vá antes que eu me despeça.
Já se foi, e vaga pelas ondas calmas. Viajante.

No fluxo do mar,
No centro do oceano,
Existe música.
Um lamento de vozes, tambores, cordas, piano.

E ainda arrumamos tempo para não fazer nada.


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sábado, 9 de maio de 2009

A face sem olhos, do desespero hemorrágico jovem

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A lua fez luz essa noite
Clareou o que estava escuro
Escureceu o que havia claro
Fez-se tão momento raro

E depois de ações falidas,
Nada.
Tudo resolvido, não há defeito
Há isto, apenas, o escrito.

Em que se apóia o poeta?
Frases bonitinhas, elogios, muletas?
Eu quero que meu sangue escorra
Da boca, nariz e olhos

Se for preciso isso para ferver
Esse coração tão gelado,
Parece que é neve por todos os lados
Mal cabe o que eu termino de escrever.

Se for preciso fogo,
Fogo veremos logo.
Bota lenha no fogo
Antes que acabe o fogo.


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sexta-feira, 8 de maio de 2009

leia melhor

Não vou escrever nada novo hoje, pra dar tempo do(a) leitor(a) ler os dois últimos textos com calma e concentração. Podem olhar abaixo, ou, para os preguiçosos paradoxais ( se a pessoa tem preguiça de descer a página um pouquinho, terá ela menos preguiça de clicar nos links?):


http://euinverso.blogspot.com/2009/05/em-algum-lugar-no-tempo.html

http://euinverso.blogspot.com/2009/05/grito.html


Até!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

grito.

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Lá de longe não vejo
Cruzamento secreto
Quatro opções:
Uma há de estar certa

Menina da flor
Que nasce da lama
Se esconde num sonho
Por que não me chama?

Pra ser invisível
Sim, é possível
Mantenha seus olhos
Fechados no grito

Quando me olha
Mira infalível
Acerta a pupila
Escorre para o peito

Não chega a ser álcool,
Cigarro, torpor, defeito
É como um infarto inverso
O gozo sem freio

Se nega a beleza
Perde o encanto
Meus dedos passeiam
Colorem as trevas

Encosta seu corpo
O meu, acalanto
Some o mar, o céu
Há estrelas, o meu canto

Que também já é seu
Agora sem dono
Sua boca, a minha
Se misturam uníssono

Cantam, brincam
Gaivotas turistas
Buscam alimento no escuro
Grito mudo ao infinito

Não tenhamos medo
Haverá sempre o caminho
Da vontade do guerreiro
Que se propõe a amar

Vamos, aperte sua mão
Na minha, vamos caminhar
Sem paradas inúteis
Olhamos sempre em direção ao mar

E se for para ir embora
O momento é alegre
Qualquer coisa que tenhamos feito,
De certo mudou o curso terrestre

A flor morre, sim, é verdade
O corpo morre
Enfim, a eternidade
Deve ser desfrutada enquanto jovem

Por fim, reparo no que faço:
Tentar escrever
Sobre o amor, que não é para pensar
É para viver.


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quarta-feira, 6 de maio de 2009

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To post or not to post - that is the question;


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terça-feira, 5 de maio de 2009

em algum lugar no tempo...

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- E aí!!! Como é que vai ser hoje, meu bom moço?
- Hoje eu vou rasgando pelo lado azedo, de sebo me entorpeço, esganiço a serpente e sinto que não se pode haver mais porra nenhuma disso, tá ouvindo!!??
- Sim, senhor, obrigado, pois não. Seu desejo é uma ord...
- DESEJO???
- Oh!!!
- Me dá um ser humano aí!!!
- Pronto!
- Muito interessante, esse. Parrudinho, ? Deve ser bom de bater. Gosto quando é branquinho assim, porque aí dá pra ver a ferida, entendeu, teneu?
- Não compreendo.
- É que quando é branquinho, fica vermelho, depois roxo, depois vai descascando a pele, teneu? Vai ficando tudo aberto, os tecidos, o sangue jorra, sai muito, sabe? É isso que irrita! A sujeira do sangue! Ah que coisa chata! E aí alguém tem que lavar!
- Isso sim é um absurdo.
- E quem vai lavar?
- Você?
- O GOVERNO!!! HAHAHAHAHAHA
- (engolindo seco) estou com sede.
- Mas como eu estava falando, "de sebo me entorpeço, esganiço a serpen...
- Hum, meio erótico?
- O quê?
- Erótico, sei lá, tem a ver com sexo?
- Não.
- Perdão, senhor.
- Sempre. Enquanto os ventos do leste me trouxerem, de tempos em tempos, poeira sobre meus olhos , perdoarei aos demais.
- Muito bonito, senhor.
- O quê?
- Esta canção.
- É um poema meu.
- Ah.
- Sou poeta.
- Perdão, com licença, sim? (sai)
- A minha geografia, se confunde na tua história. E de quantas matemáticas preciso para calcular a química que se adequa a nossa física, quando não biologia? Literatura, então?
- (volta) Pintura.
- Esta sim. Eis uma bela arte! Uma das belas-artes!
- Não compreendo.
- Não é para compreender, seu abestado, quer dizer, me desculpa, é pra sentir... perceber... (gesto sentir perceber)
- Por que me xinga?
- É verdade, por que? Não vejo motivos. Te ofender por quê, meu deus, por que ofender, maltratar, abusar, seduzir as almas carentes para um mundo vil, semear serpentes em cada covil.
- Novamente as serpentes.
- Para que isso acabe, meu caro, é preciso coragem. Coragem! CORAGEM! Enquanto o medo dos infiéis na mente - e quem não o é, em algum tempo qualquer? - não romper o estrondo que rompe o clarão que quase cega a todos...(Bem dramático) Ah!!
- Vou trazer algo pra bebermos.
- (natural)E um cigarro, por favor. Ou melhor, dois.
- (Saí. Volta trazendo um whisky e dois maços de cigarros) Aqui, meu bom moço.
- Ah!!! Que felicitá!!! Vamos brindar a este momento especial! (brindam alegremente)
- que momento é este?
- Este, agora! Estamos aqui tomando este whisky, agora eu aqui falando no exato momento em que você está me escutando, isso não é algo extraordinário?
- Com certeza não é extraordinário senhor, a não ser...
- (Imitando ele) que tivéssemos alguma deficiência física ou mental que nos impedisse que de fazer alguma dessas coisas.
- Foi o que eu pensei, senhor.
- Senhor?
- Algum problema?
- SENHOR?
- Perdão, se não gosta que lhe chamem assim, mas eu não sabia.
- Tudo bem. Eu penso nos coronéis que comiam as virgens, torturavam os artistas, achavam que o mundo era um lugar certo. E não poderia haver o errado, o diferente, o torto, o poeta louco.
- Entendo.
- Entende?
- Não sei.
- E se fôssemos todos conscientes de que estamos condenados a morte? Normalmente não estamos achando que podemos morrer, não é? É chato, isso achar que vai morrer, mas se pensa na morte como uma amiga, depois o espírito flutua...
- E flutua?
- Flutua.
- (imitando um pato selvagem, sai berrando) NÓS VAMOS MORRER!!! NÓS VAMOS MORRER!!!!


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segunda-feira, 4 de maio de 2009

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A nossa verdade é a mentira dos outros.


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domingo, 3 de maio de 2009

MENGO!!! Penta-Tri-Campeão Estadual!!!

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.Ficha técnica:



FLAMENGO 2 (4) x 2 (2) BOTAFOGO

FLAMENGO: Bruno; Aírton, Fábio Luciano e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Willians, Ibson, Kleberson e Juan; Erick Flores (Obina) e Emerson (Josiel).
Técnico: Cuca.

BOTAFOGO: Renan; Leandro Guerreiro, Juninho e Emerson (Jean Carioca); Alessandro, Fahel, Léo Silva, Túlio Souza (Rodrigo Dantas), Eduardo e Thiaguinho (Gabriel); Victor Simões.
Técnico: Ney Franco.


Gols: Kleberson aos 20 e aos 38 minutos do primeiro tempo; Juninho aos 16 e Túlio Souza aos 19 minutos do segundo tempo.


Cartões amarelos: Emerson, Leandro Guerreiro, Túlio Souza (Botafogo); Willians, Ibson, Aírton, Fabio Luciano (Flamengo)

Cartão vermelho: Fábio Luciano (Flamengo).

Público presente: 84.027 pessoas


Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).
Data: 03/05/2009.


Árbitro: Péricles Bassols.
Auxiliares: Vagner Santos e Vinícius Almeida.

Say It*

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"Say it
Don’t be a stranger to me
Don’t be afraid of living
Do whatever you feel"




*a little stretch from "Say It" - poem inspired on John Coltrane´s version of the song.

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sábado, 2 de maio de 2009

Plásticas de Olhante

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Pinto em cima de muros
Escorregas de água, morada neutra de formigas
E de tinta bem encardida, pichada de preto e cinza.

E de pouco, vou desenhando, pelo chão,
Com a minha velha velha bicicleta,
Um caminho, na chuva, de volta para casa.

E que quando olho para o mar
E vejo luzes que fazem imagens brilhantes
Na areia, olho para o céu e lua grande branca sorriso.


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sexta-feira, 1 de maio de 2009

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e vivendo, vamos morrendo...

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de fome, de amor, de sede, de doença, de tiro, de atropelamento, de queda, de susto, de choque, de infarto, de fumar, de amor, de curiosidade, de arrependimento, de não viver, de futuro, de São Paulo, de vontades, de vontade, de indiferença, de medo, de verdade, de deixar ir, de vazio, de inveja, de tédio, de ciúmes, de saudades, de verdade, de amor.

Vamos começando a ir para a terra, sendo ela, nós também.

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