sábado, 30 de junho de 2012

Mistério Bobo


Já escrevi poemas, bolei respostas,
Compus canções,
Bebi demais, chorei e ri,
Vi manhãs.

Tudo isso me serve para lembrar
Que por trás dessa vontade,
Dessa ponderação,
Dessa loucura, dessa sanidade,
Dessa gangorra alucinada,
Existe medo.

Ele que age, tira a liberdade,
Difama o compromisso,
A responsabilidade.

Chama-se medo,
Quem mantém um segredo.

Mantém aceso um mistério bobo,
Uma espécie de jogo
De apostas sutis.

Saia de trás do muro,
Pois daí não poderá me mostrar
A profundidade do seu mundo.

domingo, 20 de maio de 2012

Flor Amarela




Fique livre para ir embora
Livre para ser livre de mim,
Menina bonita,
Flor amarela no campo vasto

Voar parece muito
Mas liberdade não é tão opressivo
Quanto voar
Voar nessa atmosfera tão cheia de leis

Prenda-se aos mundos
E não ao mundo
Pois daqui pra frente tudo o que
Temos é tudo o que temos


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Chester




Ao praticar canibalismo, imagino que o sujeito experimenta
Muitos tipos de sabores.
O ser humano, ao cometer antropofagia, deleita-se com
Diferentes timbres gastronômicos
Ao experimentar o sabor de sua própria espécie.
A carne bovina, por exemplo, comemos e percebemos
Um padrão de sabor, claro que variando um pouco, de acordo com
Os fatores que determinam suas características degustativas.
Há diferentes tipos de bunda, diferentes tipos de peitos, de coxas…
E o tipo de vida que aquele indivíduo humano leva, seus hábitos de saúde,
Higiene, alimentares, e todos os dados da estatística do cotidiano humano no mundo.
Uma bunda enorme, e uma bunda bem magrinha e pequena. Um peitão mole
E um peitinho durinho. Coxas muito gordas, ou musculosas, e uns sem-coxa.
E existe o meio. O equilíbrio entre os extremos, trazendo ao centro.
Isso deve afetar o sabor da carne humana, deve haver a picanha deliciosa e
A picanha ruim, com sabor acre.
É um chester humano.
Ou então uns galetos.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Primeiro



Todo esse calor e pensamos que somos quem?
Somos apenas uns humanos que humanizam a Terra.
Fizesse calor realmente, nada me espantaria.
Com alegria, eu observaria à minha volta, e riria.

Olho para o céu. E preciso esticar o pescoço.
Será por isso os velhos não terem flexibilidade e
Toda aquela problemática nos ossos?
Olho para o chão e acho dinheiro.

Internamente me pergunto: estamos mesmo
Todos juntos? Somos algo em comum?
Para ver o céu, saia um pouco do pensamento.
Para achar dinheiro, seja apenas o primeiro.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O pássaro que plana alto não come pipoca do chão




Ninguém, nunca, nada esclarecerá
O mistério que reside atrás dos
Teus olhos tristes, apoiados nos lados.

E mesmo que todas as preces, os santinhos,
Nenhum canibal que se atreva, ai deles!
Comer carne de gente. Gente não se paga.

Se come. Gente se come o tempo todo.
Embora não hajam tolos, todos os loucos,
Embora sejam poucos, atravessam o portal.

O teu ar é denso, o teu voar é planar
Sem planejar e chegar aos poucos,
Está quase lá no infinito, ei você!
Acorda, olha pra cá e vem, bonita.

Meu silêncio grita.
Meu som pausa.
Ritmo, harmonia, melodia, pouca letra.
As melhores.
Parece quesito, ‘vai Salgueiro,
Mexe também com minha emoção’.

Como aquela que me fez ser guerreiro
Verdadeiro desafio, um mistério indecifrável
Sincera verdade, confiança é o objetivo,
Amor, ideal. 



sábado, 31 de março de 2012

Alpendre

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Fora de guarda, será que vamos notar?
Aqui umidifica o ar sozinho, sem precisar chamar
Uma chuva, beber vinho, fumar plantas, comer fungos.
Sem precisar xamã, guru, pastor, padre, papa, mestre ou professor
Licenciado para que se faça a transformação.
Estou em casa e sinto como se não.
Fez muito calor, no anterior, mas após algum tempo passado,
Caiu toda a água do céu sobre nossas cabeças frágeis,
Protegidas apenas por cabelo, pele, sangue e crânio,
Algumas veias que transitam e artérias, mas nada concreto,
Que dê proteção.
Diferente do que acontece com o coração,
Cercado de veias enormes, músculos fibrosos, sem contar
A armadura de ossos que são nossas costelas, alicerce que,
Dentro do nosso poderio, faz um bom papel de segurança.
Qualquer ângulo me faz uma escada que sobe ou desce, depende do papel,
Mas pode também ir para outros lados, para todos eles, pois sob a luz,
Sob a fé, tudo se produz, até o céu que falei antes continua cinza por mais
Um fim de semana infantil de risos, de alegrias sinceras.
Início de um bom ano é assim, devido às mudanças, vamos adaptando o mundo
Ao nosso redor e nos tornamos menos exigentes, mais libertários.
Ah sim, talvez no meio do que escrevo alguém tenha pensado em cérebro como
Parte integrante da cabeça, como algo que talvez pudesse nos proteger de algo.
É possível, não descarto esta hipótese.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Jovens

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Somos jovens e balbuciamos palavras que saem desastradas das nossas bocas urgentes. Quando não sugamos salivas, energias, oxigênio, odores e inalamos sexo por hora barata. Somos jovens que, cegos, aliviam-se uns aos outros dizendo: “Ei! Estou com você”, ou “Tamo junto!”. E há não somente este mundo dos noturnos, dos que vivem pensando ser inteligentes, dos que fazem natação, dos que passam em concursos e dos que não passam. Não há somente o mundo do presidente dos Estados Unidos ou China. E com gosto venho com comportadas palavras escrever o que chamam de literatura, palavra muito bonita esta também. Por que nos importamos tanto? Quanto ao sexo, por que? Qual a diferença entre “me abraça?” e “vamos transar?” Por que nos importamos tanto? Ah, mas se você tem um amigo, minha amiga, um amigo que quer te ver, que gosta de você, e é claro que ele quer te comer, o que é super saudável, mas se você tem esse amigo e ele é sutil, te trata com delicadeza, gentileza, tem uma agradável agressividade, não é feio, é músico, tem boas mãos, é poeta, tem tantas qualidades, presta atenção, hein, tantas qualidades, não é mole não, mas por que, minha amiga, você diz que quer sair com ele, por que diz que vai sair com ele, por que diz que vai ligar, que vai retornar a ligação, pois está na aula e não pode falar, por que não dispensa o rapaz? Somos jovens, não temos tempo. Avisa a esse rapaz, minha amiga, avisa. Encorajamos os poetas mais chatos e gabosos a escrever para receber bom dinheiro, apesar de que hoje em dia, só mesmo Paulo Coelho, e não tenho problema em citar este cara, me parece gente boa. Os poetas a escrever para receber bom dinheiro, nós encorajamos com nossa própria poesia. A minha vida é material e matéria. A minha vida serve-me com delícias. Não tenho medo de nada, não somos fracos. Somos apenas o que somos, sem medida de nada, pois ser forte é o que? Não tenho medo de nada e, se tiver algum dia, acharei normal, o tratarei bem e servirei banquete. Sou amigo do medo e meus olhos até dizem, segundo uma menina que olhou para eles. De dentro de um sítio escuro, observo o céu azul-negro por trás da cerca e ouço o som dos animais e vento nos objetos, principalmente o som dos grilos. E aquela árvore me olha com seus olhos de coruja, observando com precisão cirúrgica, ao tempo em que a coruja não observa absolutamente nada, apenas faz aquela cara.


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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Janeiro 2012

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Juntaram-se os amigos,
Cada vez mais
Próximos e tão próximos que
Cada vez mais
Próximos era longe demais.

Juntaram-se os amigos,
E cada vez mais juntos,
É muito amigo junto,
E muito junto, cada amigo é
Cada vez mais muito.

Juntaram-se os amigos,
Num único Janeiro, que
Janeiro mágico, num
Homem dono de um baralho
De amizades e amores

Do início ao fim, amigos,
Meu filho, amores, deus,
Afasto o mau definitivamente
E daqui para frente, não me
Permitirei más dores.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Aqui embaixo

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E o dia de Natal vai amanhecendo
Com as nuvens escuras descendo do céu
Por sobre os morros da tijuca

Respiro o dia de hoje há algumas horas
Comemorei a festa com comida e bebida
E sei que felizmente, isso, eu posso celebrar

Além de Jesus Cristo, não falamos
Sobre política, futebol, filosofia ou
Critica de juízo

Comemos como quem festa
E se empanturra olhando para os nossos
Mais próximos desconhecidos

Tudo o que me resta é olhar para o dia
Dizer “olá”, bom dia, dia
É um prazer conhecê-lo, Natal

Dormir
Sonhar com o bem que há de vir
E receber a chegada


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domingo, 25 de dezembro de 2011

Hoje eu estou ouvindo os pássaros cantando para mim,
sou o único a escutar. Esse parou na frente da minha janela
eu cantei, ele cantou. Ele cantou, eu cantei. Brincamos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

verbo ser

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Esses filósofos gostam de muitas palavras grandes
E complicadas, muitas palavras.
Mas não é como comer uma fruta fresca.

Gostam de querer. Querer explicar tudo.
Buscam o tempo todo por um conhecimento
Que reside em saber que vão falhar.

Descascar uma banana é abrir o alimento
Mas também é o lamento de um ser dilacerando-se
E transformando o mundo em natural.

Nada como morder uma maçã gostosa.
Eis o pecado maior.
Hoje podemos filosofar comendo maçã.

No limbo.


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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Gosta do que lê

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Tenho muitos mistérios, sou personagem do meu trabalho como escritor.
Nào adianta o que eu disser a você, pois você não terá o entendimento de que o quê um escritor
Escrever não tem, necessariamente, compromisso com a realidade em que vive.
E já é delicado dizer que ele vive em realidade xis, ou realidade ípsilon.
Portanto, não gostaria que pensassem que tudo o que escrevo é a minha vida,
fazendo dos meus textos, diários. Prefiro que recebam a arte de braços e corações abertos.
Esqueçam de tudo, sejam ignorantes por um tempo, é ótimo, sejam, e então sentirão a arte lhes
Conduzir para um lugar diferente, onde a experiência é inexpressável.
Ler é bom. Ler é agradável, quando se gosta do que é lido.
E não é preciso mais nada além disso.
Se não gosta, então mude o livro.
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domingo, 4 de dezembro de 2011

Coração

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Meu coração é grande.
É imenso.
Nele cabe tudo e tem lugares especiais
Para pessoas, ou coisas especiais.
Cabe toda uma vida de alguém a quem amo.
A vida promíscua de uma menina que amo.
No meu coração cabe toda a academia.
Nisto incluo os professores e professoras, os alunos,
As alunas, os livros e apostilas, as salas, as xerox
E a comida ruim, que é mais barata.
Aqui, dentro do meu peito, no meio do meu peito,
Há um coração que sangra.
Estou vivo.
Dentro do meu peito há um músculo.
Dentro de minha vida há um coração
Que não é um músculo, é tudo o que nele cabe.
E nele cabe tudo.
Nele cabe toda a discografia do mundo.
Toda enciclopédia lançada desde o início de tudo.
Meu coração abriga a minha casa.
Meus olhos moram dentro dele.
Meu paladar e saudade, também.
Meu coração é grande.
Coração de mãe.
Coração de pai.
Coração de guerreiro.
Não possuo um coração.
Eu sou mais coração.
Tudo é.
Coração.
É tudo.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ampulheta

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Ouço tantas coisas e conversas

Escuto tudo com bastante atenção

Navegador de um prato cheio,

Misturado com a televisão

Do canto do refeitório

(graças a deus tem comida)

Avisto a tela pequena

Demais pra acreditar na vida

E os pássaros já me cansam

De dizer vai dormir, mané

Que que tu tem ganhando

A madrugada toda de pé

Eu, nem sei mais onde encosto

Só me deixo na cama cair

Como um livro acabando

Ampulheta a areia ir


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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Produção Legítima

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O que importa não está aqui onde estou.
Pessoas falando sobre modernismo
Enquanto olho ao redor e somos
Todos ínfimos, e ao falar sobre arte,
Nos tornamos progressivamente mais
Desinteressantes.
Que importa se há pós-modernidade?
E se os desdobramentos se derem ao contrário?
Nós, pessoas que frequentam lugares, negamos
Nossa própria história, matando o presente
Relógio-provocação debochado de progresso e
Desenvolvimento. Caminhada em direção ao futuro.
Artistas preocupados em produzir obra pura. Opa!
Artistas preocupados!
Pessoas falando sobre modernismo e
Gaguejando com voz fina.
Todos defenderão algo. Todos predominarão
Na separação.dos gêneros.dos estilos.dos espaços.
A questão é: modernidade ou blá? Não!
Sem questão. Se eu fosse um pintor, seria um
Pintor do século XXI. Produção legítima.

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domingo, 2 de outubro de 2011

Na Encruzilhada

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Pobre homem que precisa ir na rua de madrugada


Para pitar um cachimbo


Se acaso houvesse, não seria incrível poder não pensar?


Mas o homem que precisa ir na rua de madrugada


Para acalmar seu espírito


Merece todo o respeito que podemos dar


Este pobre homem merece todo o respeito do mundo


E ele vai na rua de madrugada


O grande homem


Para pitar um cachimbo


Pobre homem que merece todo o respeito do mundo


Se acaso houvesse madrugada




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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Liliane

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Há praticamente dois anos atrás, conheci Liliane. Não sei por onde anda agora, não sei o que aconteceu com sua vida. Liliane foi uma das mulheres mais incríveis que conheci e um grande amor. Eu gostaria de ter juntado nossas vidas e, tenho certeza de que nós seríamos felizes. Sinto falta dela. Nos encontramos duas vezes. A conheci na véspera do meu aniversário de trinta anos, passamos aquela noite juntos, bebendo, conversando, fumando, e rindo muito. O amor rondava aquelas duas pessoas. Nos beijamos. Foi maravilhoso, o nosso beijo, o encontro das nossas peles, assim como o encontro de todo o nosso ser. Lili gostava de Smiths e eu também. Ela sofria de uma doença do sistema nervoso que, de tempos em tempos, a deixava bastante debilitada fisicamente, tendo que ficar de cama, sentindo muitas dores, tendo espasmos e sofrendo mesmo. Isso me deixava terrivelmente abalado. Como podia aquela menina com seus vinte e poucos anos, tão linda, tão viva, inteligente, brilhante, como podia ela dizer que tinha uma doença e que não havia cura e que não viveria muito tempo, e por isso não poderia assumir comigo um relacionamento de corpos? Como pode? Guardo até hoje, num antigo celular sua mensagem: “adolescente dos anos 50”. É o que nós fomos nas duas vezes em que nos encontramos. Fomos ao teatro e assistimos a uma peça fantástica do Armazém, uma montagem de Toda Nudez Será Castigada, do Nelson. Eu espero que você, Liliane, onde quer que esteja, esteja viva. Seu brilho permanece no inventário da minha existência. Eu amo você, Lili. Cadê você, Lili? 

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Circo de Papel

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Vamos lá, apresentar soneto
Tão difícil é pendurar quadro
Ah, não venham com essas bobagens,
Aqui nada de parnasiano


Posso estar sendo leviano
Discorrendo nada sobre nada
Preparação de passar no teste
Salgadinho suco de laranja


Já tentei pintura, insucesso
Até sobre versos me debrucei
Tentando, vê, enlatar a arte


Nada que convença outro cego
Se levar a sério no espelho
Comer bananas no picadeiro


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sábado, 10 de setembro de 2011

De cima do prédio, à noite

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Se eu fosse falar de homens,
É falar de barriga cheia.
Da minha condição humana…
Quem sou eu para ti?
Sou para ti nada.

Poeira, alguns disseram,
Eu disse poeira. Cósmica.
E sem parar, as luzinhas vão
Escorregando, on/of, on/off…

Falo para o alto e sei que pode
Estar em qualquer lugar e direção.
Respeito e admiro seu trabalho, seja
Qual for o nome do autor, operário,
Compositor.

Rattle snake plays this song
And all the band gets in the groove
It’s something jazzy, smooth
Eu reparo, vem outro, agora o garoto.
Apunhala o ar e o faz tão bem.

Cascavél percussionista
Traz a banda e quebra tudo
Com seu jazz suave, malicioso
E é sugado para o céu e vê tudo de cima,
De longe. Comemora toda a sua vida.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Renova

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Que importa o passado de alguém
Se o que vês agora é
Apenas e tudo o que é
Alguém

Que importa o passado
Se tudo vai, até mesmo
A pele que um dia tocou
Outras peles,
Renova

As tuas idéias são outras
Tua filosofia, amigos, amores,
Outros, tudo diferente, tua boca
É nova a cada beijo,
Cada grão que come


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