O que está escrito foi pouco
Procurei por algo que não havia
Nos arquivos, nas muitas linhas
Taquei meus papéis todos no fogo
Sussurrei para o acaso vermelho
Nas paredes, velas testemunhavam
As lágrimas, não minhas, arranhavam
Cada rachadura do meu espelho
Continuo revirando o lixo-tecido
As tralhas velhas de odor e plástico
E sigo incessante, um lunático
Que defende suas idéias no grito
escritos verídicos e inverídicos, imagens da vida e um espaço livre. [ considere ler de trás pra frente ]
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Marchadas Erosões
E nós montamos o acampamento
Transpusemos todos os lamaçais
Sem água na boca garganta de fome
Observados pelo sol, o manipulador
E então seguimos como um rinoceronte
Frente a frente um a um
As tenras canelas postas à prova
Claustrofobia em ambientes histéricos
Vinham propostas, uns gordos nojentos
Todos os cantos, monstros, monstros!
Vamos correr, vamos correr! dizia a menina
E nós corríamos, uns riam, outros apenas ouviam
Armados ou não, fincamos bandeiras
Alguns corações, alguns países, talvez
A porta abriria só uma vez
Transbordaremos pela dádiva inteira
Transpusemos todos os lamaçais
Sem água na boca garganta de fome
Observados pelo sol, o manipulador
E então seguimos como um rinoceronte
Frente a frente um a um
As tenras canelas postas à prova
Claustrofobia em ambientes histéricos
Vinham propostas, uns gordos nojentos
Todos os cantos, monstros, monstros!
Vamos correr, vamos correr! dizia a menina
E nós corríamos, uns riam, outros apenas ouviam
Armados ou não, fincamos bandeiras
Alguns corações, alguns países, talvez
A porta abriria só uma vez
Transbordaremos pela dádiva inteira
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Mentira.
Vamos todos caminhar na praia.
Sujar nossos pés, ou quem sabe pisar em úmidas poças.
Olhemos para a lua. Ah, que coisa sem graça...
A lua sempre será a lua de sempre. Fases.
Está frio, mas temos corpos quentes.
Vamos pegar casacos, vamos roubar casacos dos desabrigados.
Não precisamos de abraços no frio enjoado.
O vento corta a espinha, não é tão gelado.
Olhos, uma linha invisível entre eles.
Quanta bobagem, cuidado com o romantismo.
O mundo é tão certinho, tudo tão conservado.
Mantenha a ordem do caos vazio a que nos submetemos.
Beijar, beijar...que pequeno, beijar.
Simplesmente dois lábios que por mera ocasião encontram-se.
São tolos, ingênuos, facilmente manipulados. Burras bocas.
Não quero ter te beijado. Não era eu, aquele homem que não viram.
Não pode ter sido bom, talvez o engano sim.
É o engano que gera todo o movimento que culmina com sua leitura.
Tolos, acham que a alma é pura. Estes, certamente alma não têm.
Sedutoras e malvadas, malvadas, malvadas e malvadas!!!
Gostoso é esse encontro com atores, atores trabalhando.
O ofício de desmantelar um sonho bonito, e da beleza tirar o sal.
O sal salgado, como a boca seca da mistura areia-cerveja-fumaça-mentira.
Comida, mentira. Liberdade, mentira. Amor, mentira.
Toda mentira, por fim, carrega em si a ira.
Sujar nossos pés, ou quem sabe pisar em úmidas poças.
Olhemos para a lua. Ah, que coisa sem graça...
A lua sempre será a lua de sempre. Fases.
Está frio, mas temos corpos quentes.
Vamos pegar casacos, vamos roubar casacos dos desabrigados.
Não precisamos de abraços no frio enjoado.
O vento corta a espinha, não é tão gelado.
Olhos, uma linha invisível entre eles.
Quanta bobagem, cuidado com o romantismo.
O mundo é tão certinho, tudo tão conservado.
Mantenha a ordem do caos vazio a que nos submetemos.
Beijar, beijar...que pequeno, beijar.
Simplesmente dois lábios que por mera ocasião encontram-se.
São tolos, ingênuos, facilmente manipulados. Burras bocas.
Não quero ter te beijado. Não era eu, aquele homem que não viram.
Não pode ter sido bom, talvez o engano sim.
É o engano que gera todo o movimento que culmina com sua leitura.
Tolos, acham que a alma é pura. Estes, certamente alma não têm.
Sedutoras e malvadas, malvadas, malvadas e malvadas!!!
Gostoso é esse encontro com atores, atores trabalhando.
O ofício de desmantelar um sonho bonito, e da beleza tirar o sal.
O sal salgado, como a boca seca da mistura areia-cerveja-fumaça-mentira.
Comida, mentira. Liberdade, mentira. Amor, mentira.
Toda mentira, por fim, carrega em si a ira.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Penetro nas Festas
Me empanturrei
Eu sou um bolo
Se tem festinha eu não dou mole
Ataco os salgadinhos
Vergonha eu não tenho
Como, bebo, brinco até me acabar
Coca-cola, guaraná, pipoca, algodão doce
Pizza, cachorro-quente
Guardo tudo pro almoço
Levo bolas, estouro outras pra fazer barulho
Arrumo briga na dança das cadeiras
Ganho meu brinde e fico cheio de orgulho
Todo sujo
E quando no meu prédio descubro uma festa
Não preciso de convite, vou de penetra
Fico me escondendo do pai do Rafinha
Que cara chato, só podia ser vizinho
As vezes eu subo numa grade
E olho dentro do banheiro das meninas
Tento ser discreto com a cabeça lá dentro
Mas não consigo ver as periquitas
Aí sempre chega algum adulto chato e avisa
Bem na hora que a menina me vê e grita
Tem duas lá dentro e me chamam
Dizem que dão uma chance
Elas ficaram com tesão quando disse que penetro nas festas
Pizza Fria
como se sente uma moeda jogada no chão, na parte preta
se sente um caracol subindo o meio-fio da rua movimentada
o pichador flagrado na janela de um prédio
cai.
Morre no chão, assassino: o susto. A surpresa. O súbito.
O entregador de pizza Morre ao pedalar sua bicicleta.
Ele carregava uma de presunto.
O ônibus não cedeu, ele foi lançado. A cabeça no meio-fio
Da rua movimentada. E ele só podia ver uma moeda de um real,
Aquela bicolor, no contraste com o preto da pedra vermelho-sangue.
como se sente uma moeda jogada no chão, na parte preta
se sente um caracol subindo o meio-fio da rua movimentada
o pichador flagrado na janela de um prédio
cai.
Morre no chão, assassino: o susto. A surpresa. O súbito.
O entregador de pizza Morre ao pedalar sua bicicleta.
Ele carregava uma de presunto.
O ônibus não cedeu, ele foi lançado. A cabeça no meio-fio
Da rua movimentada. E ele só podia ver uma moeda de um real,
Aquela bicolor, no contraste com o preto da pedra vermelho-sangue.
Nada de interessante
Talvez fosse mais interessante
Se eu fosse um cara assim falante
Como uns caras desinteressantes
Que falam, falam e não falam nada de interessante
Talvez.
(releitura do escrito de 01/06/2005)
Se eu fosse um cara assim falante
Como uns caras desinteressantes
Que falam, falam e não falam nada de interessante
Talvez.
(releitura do escrito de 01/06/2005)
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Se O Sol Não Nascer
"Por mim, que o mundo se foda
No sentido mais amplo da palavra
Eu sou poeta, vejo a Terra em chamas
Ainda com cara de sono em meu pijama
E dou gargalhadas
Se o sol não nascer
Serei feliz com a lua
Esquecerei tanto da luz
Que o sol não fará mais falta
Em minha pele crua"
No sentido mais amplo da palavra
Eu sou poeta, vejo a Terra em chamas
Ainda com cara de sono em meu pijama
E dou gargalhadas
Se o sol não nascer
Serei feliz com a lua
Esquecerei tanto da luz
Que o sol não fará mais falta
Em minha pele crua"
domingo, 30 de novembro de 2008
Combinação de fatores e vetores.
Dança salsa?
Não?
E forró?
Nem eu.
Vamos ali.
Qual o seu time?
Ah não!
O meu também!
Amo a camisa do Fla
Vai ter jogo amanhã.
Eu vou.
Você vai?
Ah, compra na hora.
Duas horas antes?
Hum, você é estudante?
Meia-entrada.
Deixa.
Teatro?
Não, acho melhor não.
Muito íntimo.
Algo bobo.
Droga. Sexo. Forró.
Funk, aula de inglês, violão.
Conhece o Corcovado?
O que, Museu?
Não.
Exposição?
Não.
Vamos pegar um filme.
Na sua casa?
Eu também não.
Vamos pra Salsa!
Por que, você é judia?
Evangélica.
Não?
E forró?
Nem eu.
Vamos ali.
Qual o seu time?
Ah não!
O meu também!
Amo a camisa do Fla
Vai ter jogo amanhã.
Eu vou.
Você vai?
Ah, compra na hora.
Duas horas antes?
Hum, você é estudante?
Meia-entrada.
Deixa.
Teatro?
Não, acho melhor não.
Muito íntimo.
Algo bobo.
Droga. Sexo. Forró.
Funk, aula de inglês, violão.
Conhece o Corcovado?
O que, Museu?
Não.
Exposição?
Não.
Vamos pegar um filme.
Na sua casa?
Eu também não.
Vamos pra Salsa!
Por que, você é judia?
Evangélica.
sábado, 29 de novembro de 2008
Eu não espero nada de um sábado à noite.
Na duração de sábado
As gotas caem anunciando, enfim,
Tédio.
Salvo por poças e amarelados ciclos,
Não salvaria meu ego tentar se afogar
Em um sorvete.
Uma grita dali:
- Vâmo na Lapa!
Arrasta-se até o vestido no chão molhado
Ouço vozes:
- Sinuca!
A mesa de sinuca não é verde. Esqueça!
Eu finjo para mim que fui.
Cá estou caminhando no meio de gente,
Carroças, parques de diversões e luzes ótimas.
Garçom! (mas aqui não há garçom.)
Tenta disfarçar o olhar, mas se vir o outro lado
Vai encontrar o mesmo bêbado
Ele apenas está em um estágio superior
De alcoolismo. Peça a barata!
Ninguém está aqui pelo sabor.
Encanta a serenata
Dos passos dos artistas, dos vagabundos,
Da polícia que faz o serviço de gari.
São cinco horas, não estou em casa.
Sem despertador é um labirinto
O caminho de dormir
Cheguei em um simples instante
Basta dizer. Não penso em querer.
Apenas estar.
Na duração de sábado
As gotas caem anunciando, enfim,
Tédio.
Salvo por poças e amarelados ciclos,
Não salvaria meu ego tentar se afogar
Em um sorvete.
Uma grita dali:
- Vâmo na Lapa!
Arrasta-se até o vestido no chão molhado
Ouço vozes:
- Sinuca!
A mesa de sinuca não é verde. Esqueça!
Eu finjo para mim que fui.
Cá estou caminhando no meio de gente,
Carroças, parques de diversões e luzes ótimas.
Garçom! (mas aqui não há garçom.)
Tenta disfarçar o olhar, mas se vir o outro lado
Vai encontrar o mesmo bêbado
Ele apenas está em um estágio superior
De alcoolismo. Peça a barata!
Ninguém está aqui pelo sabor.
Encanta a serenata
Dos passos dos artistas, dos vagabundos,
Da polícia que faz o serviço de gari.
São cinco horas, não estou em casa.
Sem despertador é um labirinto
O caminho de dormir
Cheguei em um simples instante
Basta dizer. Não penso em querer.
Apenas estar.
poesia, né...tá bom. vamos lá. roupa verde, esmiuçada por cima dos tecidos avermelhados é predadora do véu de cetim. lá fora, sem vento, observo e entendo. As toalhas não balançam no varal. Há um sol que não queima, não brilha, é opaco, é fosco, não é sol. Formigas já invadiram a estrutura de toda a construção, e um dia, por que não, hão de nos sequestrar e cobrar resgate? O que pagará? São questões, São Tomé, São nunca os privilegiados os que ganham em término de partida. Até as respostas precisam esperar pelas perguntas. Por que não haveria eu de esperar por uma fila a demorar no recreio? E o varal? Me enganou, furtivo e insano, achando que eu não acharia uma fila de senhores panos. Com a luz chegando, mais um convidado, a festa está começando e eu ainda nem fui dormir. Logo os cães estarão latindo feito ferozes. Logo os cães estarão em fezes, artrose, esclerose, em breve os galos irão comer, pois já cantaram faz tempo. A luz vai encostar e quando isso acontecer, se fará o claro, obviamente. Pois que me reviro em leite com nescau e é um cruzeiro sem importância, sem prazo. Brinde aos que ficam acordados!
In, anti, a, extravertigem. Sei sim, do que se trata tudo isso, e manejo, de forma simples o conteúdo purista. Quando, quem, onde, canta o que, que estilo, show, site, mulher na bateria, por que esse nome, erros, irmão, vazio, visceral, namorada, ingles, até espanhol, flamengo, final, vazio visceral.
Vai imaginando: eu, subindo a marquês, acompanho com o olhar a minha sombra de cowboy no chão. Não vejo que um carro velho, quase uma brasília, desce com velocidade em minha direção. Eu não estou alcoolizado, porém acabo de sair do cinema, filme nacional. Drama: Preciso decidir se me esquivo para a direita ou para a esquerda.
A espionagem, na grécia antiga, foi motivo de homenagem na Suiça, semana passada. Motivo: Na terra do chocolate e do canivete, foi inaugurado em outubro deste ano, o primeiro teatro do país, situado em sua capital. Permita-me não mencionar o nome.
Sempre com pressa, punhos envergados sobre o mar imenso de palavras possíveis, parecem esgotar suas capacidades de resistir ao tempo. Empurram dedos que firmes pisam em homenagem ao acaso do desconhecido. Uma pálpebra está distorcida. E eu, meus caros, já estou pra lá de Bagdá.
Vai imaginando: eu, subindo a marquês, acompanho com o olhar a minha sombra de cowboy no chão. Não vejo que um carro velho, quase uma brasília, desce com velocidade em minha direção. Eu não estou alcoolizado, porém acabo de sair do cinema, filme nacional. Drama: Preciso decidir se me esquivo para a direita ou para a esquerda.
A espionagem, na grécia antiga, foi motivo de homenagem na Suiça, semana passada. Motivo: Na terra do chocolate e do canivete, foi inaugurado em outubro deste ano, o primeiro teatro do país, situado em sua capital. Permita-me não mencionar o nome.
Sempre com pressa, punhos envergados sobre o mar imenso de palavras possíveis, parecem esgotar suas capacidades de resistir ao tempo. Empurram dedos que firmes pisam em homenagem ao acaso do desconhecido. Uma pálpebra está distorcida. E eu, meus caros, já estou pra lá de Bagdá.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Azulejo de cor de barro (Azulejo barrado)
Quando eu não satisfizer
As orelhas de algodão
Muitas pedras lá no chão
Cai cebola e Chevrolet
Nos rasgados couros nus
Que depilam o viaduto
Acerca forma-se reduto
De roedores quiçá urubus
Salvo instante de silêncio
Rompe o não e se desfaz
Mostra-se prosa em cartaz
Bonito feito o feio faz
Mestres dos piores vegetais
Soam longe, a metro-pombo
Fascínora age sem encontro
Encerra-se a vida, pleitos fatais
Canso de léguas tortas Mickey
Ávido olho esquerdo míope
Vejam: sabão. Serei hippie.
Pega o ladrão que roubou a Disney
Se aqui em casa tem feijão
O relógio continua
Come remédio, lambe a bula
Vai ficando mole, o chão
A queda não.
Quando eu não satisfizer
As orelhas de algodão
Muitas pedras lá no chão
Cai cebola e Chevrolet
Nos rasgados couros nus
Que depilam o viaduto
Acerca forma-se reduto
De roedores quiçá urubus
Salvo instante de silêncio
Rompe o não e se desfaz
Mostra-se prosa em cartaz
Bonito feito o feio faz
Mestres dos piores vegetais
Soam longe, a metro-pombo
Fascínora age sem encontro
Encerra-se a vida, pleitos fatais
Canso de léguas tortas Mickey
Ávido olho esquerdo míope
Vejam: sabão. Serei hippie.
Pega o ladrão que roubou a Disney
Se aqui em casa tem feijão
O relógio continua
Come remédio, lambe a bula
Vai ficando mole, o chão
A queda não.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
I
Sou dependente. Frágil e impotente diante do abismo da vida. Me seguro, me apego nos mais diversos recursos que possa me apoiar, ou tomar posse e agarrar com toda a força para agüentar a força corrente da situação humana. Cala a boca, ortografo! Dinheiro resolveria praticamente todos os problemas da minha vida, atualmente.
II
Eu adoro ovo cozido. Com fome, sinto vontade de comer muitas coisas. Posso comer, posso não comer, depende de se onde eu estiver no momento tem comida. Parece estranho e esquisito, não é? Não é. É costume alguma coisa incomodar justamente onde não poderia, naquele exato momento. Chamem um médico. Não. Xamã.
III
Eu fico tranqüilo antes de entrar no palco, principalmente tocando com a banda. Sinto falta. Nem sinto, mas se lembro, sorrio. Passo por lugares diferentes agora. Outros nomes, outra estética. Arte. Agora veio um pensamento que me diz: “quero comer arte, quero comer arte, quero comer arte...” Não um big mac, mas um cheddar. Foda-se.
IV
Você anda pela rua e não tem rosto. Você grunhe baixinho quando alguém fala “oi”. Balbucia qualquer palavra não-dita e se livra de mais uma obrigação. Finge que não vê a pessoa que entra no prédio enquanto, dentro do elevador, se esconde nervoso torcendo pela porta que fecha. Tomara que não entre ninguém, você pensa. Tomara que não entre ninguém. Terceiro andar.
V
Nós vivemos assim, calados. Entramos no ônibus, no avião, não falamos com ninguém. Olhamos em nossa volta, percebemos a atração por algumas pessoas. O interesse. E se há a troca espontânea de olhares, nós sentimos a necessidade de olhar para outro lugar. Nós disfarçamos, fingimos falar ao celular. Nós, seres humanos.
(Esquecemos de amar.).
Sou dependente. Frágil e impotente diante do abismo da vida. Me seguro, me apego nos mais diversos recursos que possa me apoiar, ou tomar posse e agarrar com toda a força para agüentar a força corrente da situação humana. Cala a boca, ortografo! Dinheiro resolveria praticamente todos os problemas da minha vida, atualmente.
II
Eu adoro ovo cozido. Com fome, sinto vontade de comer muitas coisas. Posso comer, posso não comer, depende de se onde eu estiver no momento tem comida. Parece estranho e esquisito, não é? Não é. É costume alguma coisa incomodar justamente onde não poderia, naquele exato momento. Chamem um médico. Não. Xamã.
III
Eu fico tranqüilo antes de entrar no palco, principalmente tocando com a banda. Sinto falta. Nem sinto, mas se lembro, sorrio. Passo por lugares diferentes agora. Outros nomes, outra estética. Arte. Agora veio um pensamento que me diz: “quero comer arte, quero comer arte, quero comer arte...” Não um big mac, mas um cheddar. Foda-se.
IV
Você anda pela rua e não tem rosto. Você grunhe baixinho quando alguém fala “oi”. Balbucia qualquer palavra não-dita e se livra de mais uma obrigação. Finge que não vê a pessoa que entra no prédio enquanto, dentro do elevador, se esconde nervoso torcendo pela porta que fecha. Tomara que não entre ninguém, você pensa. Tomara que não entre ninguém. Terceiro andar.
V
Nós vivemos assim, calados. Entramos no ônibus, no avião, não falamos com ninguém. Olhamos em nossa volta, percebemos a atração por algumas pessoas. O interesse. E se há a troca espontânea de olhares, nós sentimos a necessidade de olhar para outro lugar. Nós disfarçamos, fingimos falar ao celular. Nós, seres humanos.
(Esquecemos de amar.).
domingo, 26 de agosto de 2007
faça o favor
Me admira eu, primeira pessoa do singular, estar aqui neste blog (não é erro de digitação, é blog mesmo), não direi que tento, direi que escrevo mesmo. e reparando o sem graça aqui contido, o pálido breu de uma neblina de campo, o velho, o médio, o jovem, a criança já educada na sociedade, acho que talvez isso possa piorar. não sei se o design, o modelo, o desenho, a forma, a aparência, o visual deste periódico, quer dizer, eu até sei, mas digo que não sei porque parece-me mais diplomático e, principalmente, político. estar aqui neste blog e escrever, sim, escrever. eu fui alfabetizado e eu posso fazer isso. há quem não possa. nossa! como o povo brasileiro é analfabeto, ou, eu diria, no meu modo de ver e, principalmente no resultado de minha pesquisa, é que eu fiz uma pesquisa na internet sobre o semi-analfabetismo, devido a tantos erros absurdos de Português, semi-analfabeto, eu diria. não entendo porque os jovens, principalmente, não se importam com a escrita. é feio escrever mal, apesar de poder ser usado por alguns como charme, porque parece conformismo e conformismo, você, não me agrada em absoluto. quem conseguir ler e interpretar corretamente este texto, escreva nos comentários, faz favor. e tem que ser político para lidar com pessoas como vocês, não o "vocês" do "você" da penúltima frase até aqui. e o curioso é que depois desse "até aqui", pairou um branco geral, fiquei vários segundos sem conseguir escrever nada e fiquei atento, pensei que poderia ter acabado. e o final estava talvez esquisito, para quem possa achar e direi que não tem nada de mal em ser esquisito, desde que seja a impecabilidade de o ser. virou completamente o texto e ficou mais auto-ajuda talvez, uma forma de ensinar o modo certo de se viver, quando na verdade não se pode saber isso, não é? eu acho que é porque bem, melhor eu parar de falar, às vezes eu não percebo o quanto que eu falo e quando me dou conta disso, eu paro. tenho mais consciência hoje do meu corpo, da minha mente, da minha falange e do meu diafragma. meu eu se confunde com o eu que quer ser eu, mas na tentativa forçada de ser eu, não consegue e, frustrado, contenta-se em ser apenas eu. depois de algum tempo, não houveram muitas visitas, não significativas, não que pudessem se lembrar de mim e falar "oi", "estou viva", "babaca", alguém quer colocar uma foto no meu álbum? se quiser, é só falar e, é claro, me dar uma cópia. estou cansado agora, vou deitar. espero que tudo tenha valido a pena ou, pelo menos, servido de lição.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Andando assim, sujo minhas mãos no chão.
De cabeça para baixo, vejo o mundo-não.
Observo tudo da altura de um anão.
É possível uma outra interpretação.
Planto bananeira no meio da rua e
Se passa uma mulher bonita, a vejo nua.
Olho por debaixo de sua saia,
Se ela não se dá conta e a pego olhando na minha cara.
Quando não, a camisa cai na frente dos olhos.
Sinto-me um inútil, apenas pendurado pelos pés no ar.
Como um recém nascido tirado do ventre da mãe,
O corpo mais peludo, mais dramático e forte.
Cruzo as pernas, formato de cruz como Mariana.
Vejo de novo o contraste do sol com o tênis velho e calça.
Porra, coisa mais sem graça!
Calo entre e através de um momento gratuito de vida.
Como se fosse escrever, toco piano no teclado.
O do computador, não o Casio.
E toco pra caralho, feito o Duke Ellington.
De cabeça para baixo, vejo o mundo-não.
Observo tudo da altura de um anão.
É possível uma outra interpretação.
Planto bananeira no meio da rua e
Se passa uma mulher bonita, a vejo nua.
Olho por debaixo de sua saia,
Se ela não se dá conta e a pego olhando na minha cara.
Quando não, a camisa cai na frente dos olhos.
Sinto-me um inútil, apenas pendurado pelos pés no ar.
Como um recém nascido tirado do ventre da mãe,
O corpo mais peludo, mais dramático e forte.
Cruzo as pernas, formato de cruz como Mariana.
Vejo de novo o contraste do sol com o tênis velho e calça.
Porra, coisa mais sem graça!
Calo entre e através de um momento gratuito de vida.
Como se fosse escrever, toco piano no teclado.
O do computador, não o Casio.
E toco pra caralho, feito o Duke Ellington.
domingo, 12 de agosto de 2007
E então que a máfia desenha gráficos econômicos e permite que o cidadão seja esculhambado e arrastado por um carro, amarrado ao tornozelo. Se o tapete é um pouco, digamos, surrado, percebe-se o procedimento fora do padrão de formalidade de outrens. Opino a favor de atitudes desse tipo, circunstância dada. Ar condicionado seria talvez o treinamento que recebe o aparelho que deve religar-se a cada movimento de temperatura no termômetro? Temas para discussão. Aparelho motor. Seja tal, seja qual, seja o que for. Ânimo, gente. Vamos lá! Levantem-se e marchem como soldadinhos. E o governador quer mesmo aparecer hein, a polícia está rodando direto por aí. Quando a poeira cair...soltemos um balão que vai embora rápido de fogo e de repente, pof, cai e segue uma sequência espacial bem interessante, talvez fizesse como uma bola de sabão.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Post
O que leva a emoção não é uma ciência.
Ela chega e bate forte, nocauteia o sujeito no fundo do chão.
Crava na parede como uma marreta imensa que golpeia contra o peito.
Música? Talvez. Quem sabe palavras, ou cores, ou olhares.
Algumas coisas podem ser bem quadradas, assim sem novidades.
Algumas coisas não podem. Devem saber quando parar e que ali há um momento especial.
No mundo se instala cada vez mais profundamente.
Quem quer participar, fazer muitas vírgulas e farofa.
Sei que muitas foram as críticas direcionadas ao Pan. Simplesmente Pan, o assunto. O evento. O mega-evento. Eu, particularmente, que não compareci a nenhuma competição, nem como espectador, nem como atleta, adorei o Pan. Assisti ao suficiente pelo aparelho de televisão e consegui até me emocionar em alguns momentos. Cito sim: Ana Paula Scheffer (quem? Bronze no solo do aparelho corda, na ginástica rítmica); revezamento dos quatro corredores; o pugilista de ouro; Edinanci. Seleção feminina deu show, mas não vi a final. Estava dormindo. Vôlei foi bom, mas foi fácil demais. Fiquei meio irritado com as derrotas do vôlei e basquete femininos, nas finais. Não pela derrota em si, mas pela forma que foi. O grito do Jadel Gregório. Diego Hipólito. Salve o Flamengo!
Salve o Flamengo, santidade. Mais uma vez no brasileiro, lutando contra o rebaixamento.
Mas ouvi dizer que muito torcedor foi desrespeitado, que o dinheiro foi desviado, que houve mutreta nesse pan. Neste país as coisas são bem difíceis. Blá.
Voltam as novas. Caras mais nossas. Casas mais abertas.
Velhos mais tristes. Rostos mais jovens. Festas mais rock.
Cenas de filme em cada cenário. Mistério em cada segundo.
Assim, como nada mudou, segue o estranho mundo.
Ela chega e bate forte, nocauteia o sujeito no fundo do chão.
Crava na parede como uma marreta imensa que golpeia contra o peito.
Música? Talvez. Quem sabe palavras, ou cores, ou olhares.
Algumas coisas podem ser bem quadradas, assim sem novidades.
Algumas coisas não podem. Devem saber quando parar e que ali há um momento especial.
No mundo se instala cada vez mais profundamente.
Quem quer participar, fazer muitas vírgulas e farofa.
Sei que muitas foram as críticas direcionadas ao Pan. Simplesmente Pan, o assunto. O evento. O mega-evento. Eu, particularmente, que não compareci a nenhuma competição, nem como espectador, nem como atleta, adorei o Pan. Assisti ao suficiente pelo aparelho de televisão e consegui até me emocionar em alguns momentos. Cito sim: Ana Paula Scheffer (quem? Bronze no solo do aparelho corda, na ginástica rítmica); revezamento dos quatro corredores; o pugilista de ouro; Edinanci. Seleção feminina deu show, mas não vi a final. Estava dormindo. Vôlei foi bom, mas foi fácil demais. Fiquei meio irritado com as derrotas do vôlei e basquete femininos, nas finais. Não pela derrota em si, mas pela forma que foi. O grito do Jadel Gregório. Diego Hipólito. Salve o Flamengo!
Salve o Flamengo, santidade. Mais uma vez no brasileiro, lutando contra o rebaixamento.
Mas ouvi dizer que muito torcedor foi desrespeitado, que o dinheiro foi desviado, que houve mutreta nesse pan. Neste país as coisas são bem difíceis. Blá.
Voltam as novas. Caras mais nossas. Casas mais abertas.
Velhos mais tristes. Rostos mais jovens. Festas mais rock.
Cenas de filme em cada cenário. Mistério em cada segundo.
Assim, como nada mudou, segue o estranho mundo.
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