quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

C,mon!

Oito um oito três, três meia dois cinco.

Atrevimento, eu diria, poder compasso estar
Noutro lugar que não fosse eu.
Poder acenar um convite seja esse canto qualquer.
O Cristo, ocupado, bagunçou as estações. Corra!
O Paulo está fraco, garantindo a passagem.
Vem passear em mim.
E me desfazer todo em festa.
Vem, depressa!
O resto não interessa.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Dançarina

Se vou a um lugar e me servem café, penso:
Ah, que bom! Será que está quente?
Bebo um gole e percebo:
Ah, que bom! Será que está doce?
Bebo outro gole e constato:
Ah, está doce o suficiente!

E então eu levanto ligeiramente o meu chapéu.
Com apenas um dos olhos, faço um movimento:
Estou vendo por dentro das coisas!
Estou vendo a moral!

E então eu reparo que não há formigas na mesa.
Não há insetos no ar.
Há uma ave que anda para cá e para lá.
Para cá e para lá...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Yes!

Eu como um churros na orla.
E eu me acabo com o melado de chocolate.
Eu, incomodado com o melado na cara,
Peço vários guardanapos.

O guardanapo não limpa o creme,
Apenas tira o “grosso” e espalha o resto.
Enfim, fico com aquela sensação de grude.
Remédio: água!

Tiro uma garrafa de dentro da mochila,
Desenrosco a tampinha e a guardo no bolso.
Guardo porque inclino a garrafa o suficiente
Para molhar um pouco meus dedos e fazer
Uma concha com a mão, retendo um pouco de água, e
Com a tampinha na mão seria bem pior fazer isso.

Jogo água no rosto e esfrego a parte grudada,
Limpando o chocolate por sua vez esfregado.
A sensação é muito melhor, não tem comparação.
Sigo andando com o rosto molhado e eu gosto de churros.



Nada a escrever.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ainda Falta

O que está escrito foi pouco
Procurei por algo que não havia
Nos arquivos, nas muitas linhas
Taquei meus papéis todos no fogo

Sussurrei para o acaso vermelho
Nas paredes, velas testemunhavam
As lágrimas, não minhas, arranhavam
Cada rachadura do meu espelho

Continuo revirando o lixo-tecido
As tralhas velhas de odor e plástico
E sigo incessante, um lunático
Que defende suas idéias no grito

domingo, 14 de dezembro de 2008

Marchadas Erosões

E nós montamos o acampamento
Transpusemos todos os lamaçais
Sem água na boca garganta de fome
Observados pelo sol, o manipulador

E então seguimos como um rinoceronte
Frente a frente um a um
As tenras canelas postas à prova
Claustrofobia em ambientes histéricos

Vinham propostas, uns gordos nojentos
Todos os cantos, monstros, monstros!
Vamos correr, vamos correr! dizia a menina
E nós corríamos, uns riam, outros apenas ouviam

Armados ou não, fincamos bandeiras
Alguns corações, alguns países, talvez
A porta abriria só uma vez
Transbordaremos pela dádiva inteira

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

ando também, ultimamente, fora de moda.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tenho sentido em mim, ultimamente, o dom da profecia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mentira.

Vamos todos caminhar na praia.
Sujar nossos pés, ou quem sabe pisar em úmidas poças.
Olhemos para a lua. Ah, que coisa sem graça...
A lua sempre será a lua de sempre. Fases.

Está frio, mas temos corpos quentes.
Vamos pegar casacos, vamos roubar casacos dos desabrigados.
Não precisamos de abraços no frio enjoado.
O vento corta a espinha, não é tão gelado.

Olhos, uma linha invisível entre eles.
Quanta bobagem, cuidado com o romantismo.
O mundo é tão certinho, tudo tão conservado.
Mantenha a ordem do caos vazio a que nos submetemos.

Beijar, beijar...que pequeno, beijar.
Simplesmente dois lábios que por mera ocasião encontram-se.
São tolos, ingênuos, facilmente manipulados. Burras bocas.
Não quero ter te beijado. Não era eu, aquele homem que não viram.

Não pode ter sido bom, talvez o engano sim.
É o engano que gera todo o movimento que culmina com sua leitura.
Tolos, acham que a alma é pura. Estes, certamente alma não têm.
Sedutoras e malvadas, malvadas, malvadas e malvadas!!!

Gostoso é esse encontro com atores, atores trabalhando.
O ofício de desmantelar um sonho bonito, e da beleza tirar o sal.
O sal salgado, como a boca seca da mistura areia-cerveja-fumaça-mentira.
Comida, mentira. Liberdade, mentira. Amor, mentira.

Toda mentira, por fim, carrega em si a ira.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Penetro nas Festas



Me empanturrei
Eu sou um bolo
Se tem festinha eu não dou mole
Ataco os salgadinhos
Vergonha eu não tenho
Como, bebo, brinco até me acabar
Coca-cola, guaraná, pipoca, algodão doce
Pizza, cachorro-quente
Guardo tudo pro almoço
Levo bolas, estouro outras pra fazer barulho
Arrumo briga na dança das cadeiras
Ganho meu brinde e fico cheio de orgulho
Todo sujo

E quando no meu prédio descubro uma festa
Não preciso de convite, vou de penetra
Fico me escondendo do pai do Rafinha
Que cara chato, só podia ser vizinho
As vezes eu subo numa grade
E olho dentro do banheiro das meninas
Tento ser discreto com a cabeça lá dentro
Mas não consigo ver as periquitas
Aí sempre chega algum adulto chato e avisa
Bem na hora que a menina me vê e grita
Tem duas lá dentro e me chamam
Dizem que dão uma chance
Elas ficaram com tesão quando disse que penetro nas festas
Pizza Fria


como se sente uma moeda jogada no chão, na parte preta
se sente um caracol subindo o meio-fio da rua movimentada
o pichador flagrado na janela de um prédio
cai.
Morre no chão, assassino: o susto. A surpresa. O súbito.
O entregador de pizza Morre ao pedalar sua bicicleta.
Ele carregava uma de presunto.
O ônibus não cedeu, ele foi lançado. A cabeça no meio-fio
Da rua movimentada. E ele só podia ver uma moeda de um real,
Aquela bicolor, no contraste com o preto da pedra vermelho-sangue.

Nada de interessante

Talvez fosse mais interessante
Se eu fosse um cara assim falante
Como uns caras desinteressantes
Que falam, falam e não falam nada de interessante

Talvez.


(releitura do escrito de 01/06/2005)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Se O Sol Não Nascer

"Por mim, que o mundo se foda
No sentido mais amplo da palavra
Eu sou poeta, vejo a Terra em chamas
Ainda com cara de sono em meu pijama
E dou gargalhadas

Se o sol não nascer
Serei feliz com a lua
Esquecerei tanto da luz
Que o sol não fará mais falta
Em minha pele crua"

domingo, 30 de novembro de 2008





Num belo domingo de sol
Pipas, bolas, gramado grande ladeiras
O piquenique manchando o lençol

Debaixo de tanto calor
Crianças brincando de pega-pega
Não viam o super-herói que acenava ao povo

Na quinta da boa vista
Flagrei o passeio do Homem-Aranha
Já dando sinais de aposentadoria

Combinação de fatores e vetores.

Dança salsa?
Não?
E forró?
Nem eu.
Vamos ali.

Qual o seu time?
Ah não!
O meu também!
Amo a camisa do Fla

Vai ter jogo amanhã.
Eu vou.
Você vai?
Ah, compra na hora.

Duas horas antes?
Hum, você é estudante?
Meia-entrada.
Deixa.
Teatro?
Não, acho melhor não.

Muito íntimo.
Algo bobo.
Droga. Sexo. Forró.
Funk, aula de inglês, violão.
Conhece o Corcovado?

O que, Museu?
Não.
Exposição?
Não.
Vamos pegar um filme.

Na sua casa?
Eu também não.
Vamos pra Salsa!
Por que, você é judia?
Evangélica.

sábado, 29 de novembro de 2008

Eu não espero nada de um sábado à noite.


Na duração de sábado
As gotas caem anunciando, enfim,
Tédio.

Salvo por poças e amarelados ciclos,
Não salvaria meu ego tentar se afogar
Em um sorvete.

Uma grita dali:
- Vâmo na Lapa!
Arrasta-se até o vestido no chão molhado

Ouço vozes:
- Sinuca!
A mesa de sinuca não é verde. Esqueça!

Eu finjo para mim que fui.
Cá estou caminhando no meio de gente,
Carroças, parques de diversões e luzes ótimas.

Garçom! (mas aqui não há garçom.)
Tenta disfarçar o olhar, mas se vir o outro lado
Vai encontrar o mesmo bêbado

Ele apenas está em um estágio superior
De alcoolismo. Peça a barata!
Ninguém está aqui pelo sabor.

Encanta a serenata
Dos passos dos artistas, dos vagabundos,
Da polícia que faz o serviço de gari.

São cinco horas, não estou em casa.
Sem despertador é um labirinto
O caminho de dormir

Cheguei em um simples instante
Basta dizer. Não penso em querer.
Apenas estar.
poesia, né...tá bom. vamos lá. roupa verde, esmiuçada por cima dos tecidos avermelhados é predadora do véu de cetim. lá fora, sem vento, observo e entendo. As toalhas não balançam no varal. Há um sol que não queima, não brilha, é opaco, é fosco, não é sol. Formigas já invadiram a estrutura de toda a construção, e um dia, por que não, hão de nos sequestrar e cobrar resgate? O que pagará? São questões, São Tomé, São nunca os privilegiados os que ganham em término de partida. Até as respostas precisam esperar pelas perguntas. Por que não haveria eu de esperar por uma fila a demorar no recreio? E o varal? Me enganou, furtivo e insano, achando que eu não acharia uma fila de senhores panos. Com a luz chegando, mais um convidado, a festa está começando e eu ainda nem fui dormir. Logo os cães estarão latindo feito ferozes. Logo os cães estarão em fezes, artrose, esclerose, em breve os galos irão comer, pois já cantaram faz tempo. A luz vai encostar e quando isso acontecer, se fará o claro, obviamente. Pois que me reviro em leite com nescau e é um cruzeiro sem importância, sem prazo. Brinde aos que ficam acordados!
In, anti, a, extravertigem. Sei sim, do que se trata tudo isso, e manejo, de forma simples o conteúdo purista. Quando, quem, onde, canta o que, que estilo, show, site, mulher na bateria, por que esse nome, erros, irmão, vazio, visceral, namorada, ingles, até espanhol, flamengo, final, vazio visceral.
Vai imaginando: eu, subindo a marquês, acompanho com o olhar a minha sombra de cowboy no chão. Não vejo que um carro velho, quase uma brasília, desce com velocidade em minha direção. Eu não estou alcoolizado, porém acabo de sair do cinema, filme nacional. Drama: Preciso decidir se me esquivo para a direita ou para a esquerda.
A espionagem, na grécia antiga, foi motivo de homenagem na Suiça, semana passada. Motivo: Na terra do chocolate e do canivete, foi inaugurado em outubro deste ano, o primeiro teatro do país, situado em sua capital. Permita-me não mencionar o nome.
Sempre com pressa, punhos envergados sobre o mar imenso de palavras possíveis, parecem esgotar suas capacidades de resistir ao tempo. Empurram dedos que firmes pisam em homenagem ao acaso do desconhecido. Uma pálpebra está distorcida. E eu, meus caros, já estou pra lá de Bagdá.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008






Azulejo de cor de barro (Azulejo barrado)

Quando eu não satisfizer
As orelhas de algodão
Muitas pedras lá no chão
Cai cebola e Chevrolet

Nos rasgados couros nus
Que depilam o viaduto
Acerca forma-se reduto
De roedores quiçá urubus

Salvo instante de silêncio
Rompe o não e se desfaz
Mostra-se prosa em cartaz
Bonito feito o feio faz

Mestres dos piores vegetais
Soam longe, a metro-pombo
Fascínora age sem encontro
Encerra-se a vida, pleitos fatais

Canso de léguas tortas Mickey
Ávido olho esquerdo míope
Vejam: sabão. Serei hippie.
Pega o ladrão que roubou a Disney

Se aqui em casa tem feijão
O relógio continua
Come remédio, lambe a bula
Vai ficando mole, o chão

A queda não.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

I

Sou dependente. Frágil e impotente diante do abismo da vida. Me seguro, me apego nos mais diversos recursos que possa me apoiar, ou tomar posse e agarrar com toda a força para agüentar a força corrente da situação humana. Cala a boca, ortografo! Dinheiro resolveria praticamente todos os problemas da minha vida, atualmente.

II

Eu adoro ovo cozido. Com fome, sinto vontade de comer muitas coisas. Posso comer, posso não comer, depende de se onde eu estiver no momento tem comida. Parece estranho e esquisito, não é? Não é. É costume alguma coisa incomodar justamente onde não poderia, naquele exato momento. Chamem um médico. Não. Xamã.

III

Eu fico tranqüilo antes de entrar no palco, principalmente tocando com a banda. Sinto falta. Nem sinto, mas se lembro, sorrio. Passo por lugares diferentes agora. Outros nomes, outra estética. Arte. Agora veio um pensamento que me diz: “quero comer arte, quero comer arte, quero comer arte...” Não um big mac, mas um cheddar. Foda-se.

IV

Você anda pela rua e não tem rosto. Você grunhe baixinho quando alguém fala “oi”. Balbucia qualquer palavra não-dita e se livra de mais uma obrigação. Finge que não vê a pessoa que entra no prédio enquanto, dentro do elevador, se esconde nervoso torcendo pela porta que fecha. Tomara que não entre ninguém, você pensa. Tomara que não entre ninguém. Terceiro andar.

V

Nós vivemos assim, calados. Entramos no ônibus, no avião, não falamos com ninguém. Olhamos em nossa volta, percebemos a atração por algumas pessoas. O interesse. E se há a troca espontânea de olhares, nós sentimos a necessidade de olhar para outro lugar. Nós disfarçamos, fingimos falar ao celular. Nós, seres humanos.
(Esquecemos de amar.).