quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Circo de Papel

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Vamos lá, apresentar soneto
Tão difícil é pendurar quadro
Ah, não venham com essas bobagens,
Aqui nada de parnasiano


Posso estar sendo leviano
Discorrendo nada sobre nada
Preparação de passar no teste
Salgadinho suco de laranja


Já tentei pintura, insucesso
Até sobre versos me debrucei
Tentando, vê, enlatar a arte


Nada que convença outro cego
Se levar a sério no espelho
Comer bananas no picadeiro


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sábado, 10 de setembro de 2011

De cima do prédio, à noite

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Se eu fosse falar de homens,
É falar de barriga cheia.
Da minha condição humana…
Quem sou eu para ti?
Sou para ti nada.

Poeira, alguns disseram,
Eu disse poeira. Cósmica.
E sem parar, as luzinhas vão
Escorregando, on/of, on/off…

Falo para o alto e sei que pode
Estar em qualquer lugar e direção.
Respeito e admiro seu trabalho, seja
Qual for o nome do autor, operário,
Compositor.

Rattle snake plays this song
And all the band gets in the groove
It’s something jazzy, smooth
Eu reparo, vem outro, agora o garoto.
Apunhala o ar e o faz tão bem.

Cascavél percussionista
Traz a banda e quebra tudo
Com seu jazz suave, malicioso
E é sugado para o céu e vê tudo de cima,
De longe. Comemora toda a sua vida.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Renova

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Que importa o passado de alguém
Se o que vês agora é
Apenas e tudo o que é
Alguém

Que importa o passado
Se tudo vai, até mesmo
A pele que um dia tocou
Outras peles,
Renova

As tuas idéias são outras
Tua filosofia, amigos, amores,
Outros, tudo diferente, tua boca
É nova a cada beijo,
Cada grão que come


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domingo, 28 de agosto de 2011

Lonely Rider/ Viajante Solitário


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I have no past.
I have no future.
I am a lonely rider.
In this huge now.



Não tenho passado.
Não tenho futuro.
Sou um viajante solitário
Neste imenso agora.



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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

não pense que é sobre você, se quiser.

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papel
seda
curativo nestas portas
neste exato momento sinos tocam diariamente
noite prática imagem tola
sentimos bem o sentimento vontade que liberta
fluindo horas e não
apenas o quase nada
precisamos para passar
e perambular por aqui
onde sou
negando e vendo o sonho
venha mais perto
troque
eu sou eu quando
pensa que é você
e vai
sinos tocam
diariamente e eu troco
o igual, o aceso, eu gosto
da mulher
real
que toca

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Cara do Instinto


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Que vento forte!
Ouço o som que faz o ar em movimento
Entrar pela fresta que duas janelas corrediças
Fazem ao se sacarem inteiras.

E quando silencia, um ou outro assovio
Grave em meus ouvidos enquanto toca magia
Pela fresta do silêncio robusto.
Aparentemente, um blues.

Aparentemente não é uma boa palavra
Para resolver isso, já que este lugar não é aparente.
Dele não há o que falar.
Instintivamente, sinto-o.

E até isso é apenas forma de me comunicar.
Não existe, de fato, a coisa em si, no que escrevo.
Mas se não escrevo, não sou lido,
Não alcanço seus ouvidos, seus olhos, sentidos.

Todos querem saber sobre o que penso.
Todos querem ler o que escrevo, é natural.
Assim como comer um alimento, nadar em uma praia,
E não comer uma praia, nadando em alimento.

E o vento permeia a periferia do bairro
Me deixando em êxtase com o som do nada.
Nem teclas de computador, nem a falta da música.
O vento é o movimento de levar.

(E vou, ao sexo da música,
Ao paladar da fruta e da ação,
Como uma caneta eu tivesse na mão,
A tinta me faltaria uma hora dessas,
Mesmo com tantas e tantas apenas promessas.)

 .

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ao final da tarde de inverno

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Eu posso falar de fantasmas e monstros e vampiros
Sem sair do meu pequeno abrigo frio
Entretanto, para que me afaste de qualquer perigo,
Posso caducar e fingir ser outros seres também

Na noite escura há quem saiba quem sou?
Creio que durante o noturno caminhar dos tempos
O meu corpo já saiu várias vezes de mim
Fica sufocado, vez em quando, dentro de ser humano

 .

sábado, 30 de julho de 2011

Pra beber Maria

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Escrever tá caro e dá barato

Se chamar de tio eu num pago

A rodada da semana é boa

Tem jogo do meu mengão de novo


Salve toda multidão calada

Minha santa diversão sofrida

Quase nunca eternamente pasma

Advento do turismo, esta cidade


Se eu te pago uma gelada, dá um beijo

Se eu te dou um beijo, paga um

Toma um vôo, catch a plane

Dança a dança do harém


Máquinas de costurar são bem-vindas

Aceito tablets, ou whatever

Aparelho que você me der, eu mereço

Tecnologia de primeira


Uma Stella pra beber

Maria pra fumar

Um sonho pra me atravessar

O fim de semana

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

No encontro sincontro

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Eu não sei como é que você 

Ainda olha pra mim

Você é bem, posso dizer

Linda demais para mim

Jovem também, eu sei,

Também sou.

Fora daqui vamos nós,

Pular em barquinhos no sol

E flutuar pelas ruas do mar

E andar em corridas ganhar

O mundo a sós

E cada um se vai

E se vira e se torna um só

Se esvai o que faz de nós alguém

Nesse mundo só esse

E nos outros mais, nos que nos

Encontramos

Em outras avenidas e corpos

E respiro, por mais que eu tenha fôlego para continuar

E ouço o som do piano, do trumpete

Em cada som que escuto

Atravesso o aqui

E se isso entra em minha cabeça,

Sinceramente nao quero nem saber.

Só penso em ficar aqui e ouvir

Um bom som

Até acabar


 ..

sábado, 23 de julho de 2011

Perfura




Quer comunicar, mas a
Comunicação só se dá
Numa troca onde um emite
E o outro recebe.
Percebe que a comunicação
Só se dá quando por mais de um sujeito
Ou objeto. Relampejar
É como as noites de luar
Mas menos claras. E este
Raio que lampeja é raio
Que também despeja o
Resto de trevas que há por vir.
E navegar, adentrar, explorar e sorrir,
Pois em trevas sempre nelas, nadamos
E assim sentimos um pouco de vida,
Ao tato com o desconhecido, frente ao abismo,
Sob pressão, manifestando o aqui.
Comum a todos, aqui. Diferente
De cada um, cada um por si.
Tirar a máscara, que caia.
Falar e falar, e falar…
Repetir, repetir, repetir…
Já não há caminhos.
Apenas formas de ir.
Dias de sol, dias de chuva,
Claros, negros, pálidos, azedos.
A reforma havia sido feita, finalmente.
Afinal, todos que se comunicam
São parte de um grupo de troca.
De informação, idéia, por aí.
E sabemos que, de velho morre o
Astuto guri que fez o que ela queria
E permanece no mundo vendo tudo.
Bebe de canudo para não sujar a boca
No copo mal lavado, ele julga.
Mal podiam mudar, as coisas, não se
Permitia. Era um pouco como falar outra
Língua, só que não divertido.
Caçamos os cada momentos.
Busco silêncio pois o barulho
Perfura.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

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Não tinha aqueles acessos de fala

Do tipo que se apossa do corpo e faz alguém falar

Simplesmente falar...

Sobre qualquer coisa, qualquer desespero acumulado

Pesando mais do que o corpo pode carregar.

Ele sabia escutar.

Escutava com os olhos, o coração, os ouvidos, o nariz,

A boca e o pau.

Não tinha motivos, talvez só pelo fato de ser divertido

Escutava muita coisa, e falava só quando precisava.

Escrevia quase sempre, era como se fosse um hábito.

Há quem diga que é terapia.

Poderia ser um ato egoísta.

Escrevia com os olhos, o coração, os ouvidos, o nariz,

A boca e o pau.

 
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domingo, 10 de julho de 2011

Inverno




Tenho tantas idéias brilhantes no banho…

Mas enxugo-me tanto,

O que sobra

É pingo.



10/07/2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cheiro de Madeira

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O monolito grita para o gato no deserto da escada.
E a lua, sua maior amiga, acena para sua grande inimiga.

Penso sobre isto. Paro, reflito. Dou um trago.
Continuo, com meu capuccino.

E Herman não poderia, de forma alguma ser um personagem jovem.
Não com esse nome. A não ser que fosse gay. Herman.

E até a xícara de zebra, toda amarrotada,
Toda cheia de sedes, me brinda com leite.

Eu já peço café com conhaque, talvez um whisky.
Poderia passar sem nenhuma bebida, nenhum fumo.

Sei que risco eu correria, talvez por isso me abstenha do plano.
Sei que parece mundano, mas é isso mesmo o que parece.

E a quermesse me avisa que ainda devo permanecer em casa.
Até que a música acabe.

Até que os sinos não se toquem ainda no balançar
Que soa bonito para quem está perto, som de vôo.

Que a festa acabe, as luzes se apaguem, os comerciantes, felizes
E cansados, desmontem suas barracas sem se falarem.

Até que eu perceba outro lugar em mim.
Pode levar muito tempo, menos que mil.

 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Carta do Leitor

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Acho que, se escrevi dez cartas na minha vida, foi muito. Difícil vai ser lembrar de todas essas possíveis dez ocasiões. Cinco eu já nao lembro. Enfim, a questão é que eu preciso trocar cartas com uma pessoa que não sei quem é, pois ela ainda não existe. Essa pessoa, essa mulher, acredito eu, será muitas. Serão cartas para pessoas diferentes e, no entanto, para a mesma pessoa. Você acredita em Deus? Porque eu sou assim: se você diz, eu acredito. Acredito em tudo o que me falam e dá trabalho administrar isso. Se sofro? Pra caralho. Se tiver que chorar eu choro, também. Foda-se. Sou homem, sim. Se homem não chorasse, eu não seria capaz. Por enquanto vou escrevê-las no computador, digitando. Posso dizer que é uma novidade, posto que as cartas que já escrevi estão no papel, e quem as têm, tem sorte. Não faço cópias. Acredito no que me dizem. É fácil explicar: eu acredito em tudo o que me dizem, duvidando. Acredito duvidando. É cinquenta por cento, não é matemática. É preciso certa idade, são anos de aprendizado. Para mim foram centenas. Não sei quando terminará. Estou aguardando muitas coisas. O que não posso buscar, pois que mora noutro, aguardo. Aguardo pacientemente. O tempo é ilusão. O tempo são milhares de cartas sobre meu corpo sangrento. Não, o sangue não é meu. O sangue não é meu! Que tem sangue? É apenas sangue. Move-nos. Movemo-nos porque há sangue. Escrevo apertando teclas ao invés de sentir pena. E ainda assim, penso que sofro. E ainda assim, reclamo. E ainda assim, quero sempre o melhor. O melhor. Não vou filosofar sobre o melhor. O melhor é o melhor. O melhor é melhor. A palavra é essa, a palavra foi feita para definir, feita para explicar. E nisso reside sua beleza. A palavra encerra a idéia. A carta encerra muitas idéias, inclusive a ideia de encerrar uma carta. A idéia de encerrar cartas. Tudo bem, eu aguardo a minha carta, querida desconhecida. Você pode ser quem você quiser. Me escreva algo. Pode ser um e-mail, mas deve ser carta. CAR-TA. Os meus castelos não quero de areia.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

sempre quase

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Venha quando quiser
Volte sempre
Minhas portas estão abertas
Meu peito também
Meu coração, que nunca meu foi
Diz adeus e te vejo depois
(Sempre foi seu)
Desde o primeiro som

terça-feira, 7 de junho de 2011

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Aqui não se ganha e não se perde.
Se um poema nasce agora, aqui, nesta página,
Outro poema morre agora, aqui, nesta página.
Aqui não se ganha e não se perde.

Um belo poema pode ser lido
Em qualquer tempo, qualquer vida.
No caso de você não ter visto,
Clique em "postagens mais antigas".

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

porque eu também tenho o direito





Um dia uma luz me interrompeu os sapatos
e abençoou o meu corpo.
e o copo cristalino que bailava na quina da mesa
agora caía numa velocidade baixíssima, tão baixa que
pude soltar ar quente da boca para fazer o vidro do copo embaçar
e ali escrevi dois nomes, com o dedo indicador riscado sobre o suor coporal,
antes do copo expandir-se contra o chão de cimento, para nunca mais se reencontrar

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

e amanhã já não estarei mais aqui.

and tomorrow I will no longer be here.
eu fico aterrorizado quando preciso pensar muito ao escrever.
mas não pisco um olho.
- Fora daqui! - Me gritaram.
- Quero ficar! - Respondi.
- Vai se fuder! - Replicaram.
- Estragaram! - Pensei:

Lá se foi tempo que me dizia poder estar num ambiente desfumaçado.
Eu podia estar. Em lugares com fumaça, e me refiro principalmente à do cigarro.

- Quanto tá o maço?
- Três reais e cinquenta.
- Só?
- Acredite: é caro.

Nariz entupido nunca foi um dos meus melhores momentos.
É assim: não sinto cheiro, não sinto gosto. Não respiro direito, tento negociar
Pulmão esquerdo com direito, venta esquerda com direita. Difícil.
Comer é chato, uma tarefa árdua. Por falar em árdua, não gosto dessa palavra.

- Hoje tenho uma tarefa árdua pela frente.
- Você fala estranho.
- Tá me chamando de viado?
- Parece!

Há os sintomas de algumas cervejas, inclusive tenho bebido cervejas de vez em quando.
Aos nômades de alunas sereias, invasivas e tenho lhes dito: sereias que dançam o tango.

- Agora só bebo Stella!
- Hum! Adoro Stella!
- Tá dois reais no mercado.
- Tem dois vinte e quatros no meu carro.

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