é como se entender todos os dias no mesmo espaço físico,
e apesar disso entender que a cada dia que passa, não importa dia,
tempo cronológico, puf, já era, o que importa agora é o...
pausa para respirar. respira e pausa. não entende mais o que há por aqui.
não se reconhecer nisso é o melhor do processo.
- aos poucos me sinto aderindo ao além-de-mim, estou longe,
não estou vivendo esta mesma vida, cara! será preciso usar essas palavras?
são essas recaídas que me botam de volta no sapato dos pensamentos.
escritos verídicos e inverídicos, imagens da vida e um espaço livre. [ considere ler de trás pra frente ]
sábado, 27 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Assalto
Entrei no banco, me dirigi até a fila, 4 minutos e
comecei a gritar:
Pega ladrão! Pega ladrão!
Gritei bem alto, várias vezes, e me atirei no
chão, caí deitado.
Isso é um assalto! Isso é um assalto! – gritei,
Já de bruços, mãos acima da cabeça, sozinho.
domingo, 14 de outubro de 2012
Quando eu a chamei para um papo, ela me disse que
tinha acabado de perder o irmão.
Estava muito triste, nao conseguia falar. Queria
sair para a rua, andar sozinha de madrugada,
Em São João de Meriti, lugar perigoso do Rio de
Janeiro. Eu não podia fazer nada, não podia
olhar naqueles olhos e impedi-la. Sua desolação me
contaminou e fiquei ali parado, sem saber como agir e nem pensava nisso. Não
pensava em nada. Fiquei imaginando o que seria perder um irmão, eu que tenho um
irmão muito próximo, apesar da distância fria que tem nos rodeado ultimamente,
ele é certamente uma das pessoas mais próximas a mim. Imaginei como poderia ser
aquilo, porém depois de cerca de duas horas voltei para casa e acessei a
internet, o Facebook. Vi que ela havia escrito sobre a morte do irmão, escreveu
seu choro e lamento. Me senti fraco diante do mundo, e de fato era. E sou. Saí
da frente do computador e fui fazer outra coisa, provavelmente estudar e compor
arranjos para as músicas do CD que irei gravar com a minha banda, em breve.
Depois disso tomei banho, comi meu jantar, enfim, as coisas do cotidiano.
Quando voltei ao Facebook, cerca de quatro ou cinco horas depois, olhei
novamente seu mural e vi vários outros posts do tipo piadinhas, do tipo
cantadas mais engraçadas, do tipo “olha o que esse carinha falou pra mim”, do
tipo odeio o Flamengo, e etecetera. O que passa na cabeça de um indivíduo nessa
hora?
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Chuá
Seja bem vinda na minha vida
Arranque os portões
Que agora
estou pronto
O teu sorriso, haha, eu sei, é clichê,
Mas vou dizer, é tão lindo,
Hipnotiza no bem das cores
Acima o azul que faz contraste
Com todo um querer quilate
Morde minha carne, meus lábios
Encosta no meu corpo
Com seu vento
E silêncio
Seus amores matemática
Engata a primeira e vem
Três meses começa e acaba
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Calçada em frente às grades de um parque e qualquer outro lugar onde pessoas se percebem
Oi.
Eu?
É.
Oi.
Oi.
Oi.
Eu?
É
Oi.
Oi
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
qualquer migalha é um banquete pra alma
Como pássaro que sou, sorrio e brinco.
Como pássaro que sou, abro o bico e canto
Ao céu, como quem tenta alcançar.
Como pássaro que sou, me atiro no abismo.
Voo mais alto que todos, mas quem vê?
Estão todos juntos, rente ao solo, olho ao chão.
Como pássaro que voa, nado no ar.
Criança, dou rasante, pra lá e pra cá,
Ao pôr-do-sol pinto uma tela sol de sombra.
Como pássaro que sou, te dou meu amor.
Meu canto, meu céu, não demore, pode vir.
Como pássaro que sou, amanhã ja não estarei mais
aqui.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Agora é andar e esquecer,
Deixar ao poder e agradecer o que foi,
O que é, o que será, e o que haveria de ser
Se o que foi não tivesse sido.
Achar que amor é dado em pedras,
Figura entreter os bobos despertos nas rodas
iluminadas
Por lâmpadas coloridas e amarelas.
Crer que os bobos também a entretêm ao inverso.
Sugiro que se conecte. Com o universo, ah sim.
Tempo nunca dorme para quem vive dentro de
Uma enorme carcaça de ilusão.
Mas é possível parar o tempo.
E não é nenhuma atração bizarra, esse tropeçar
Nas palavras ao falar, não dominar o discurso.
Estar apenas em conexão com sua verdade e o
Sentimento do mundo*.
Acostumar com a ausência. De quem se ama.
É sentimento de uma tristeza profunda.
Sentimento de amor, vida, morte, e tudo.
Mais triste, só não se acostumar.
* O sentimento do mundo - CDA
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Gil, me daria agora aquele abraço?
Cão correndo caótico no
meio do chão
Da calçada, no meio da cidade, cuidado ao caminhar
Tudo tá um tanto tinto, tanto triste, tétano no
telhado da vista,
Vá embora, volte vrum!
Um Peugeot está há dez segundos de qualquer amor
terça-feira, 11 de setembro de 2012
sábado, 8 de setembro de 2012
Como cigarro carburando calmo cinzeiro
Se um cometa se acometesse a cometer um crime contra a calma
De um cidadão carioca, cegaria meus olhos cerrar cada corte
certo como
Concreto de cimento cinza como o céu caduco.
Se páro em frente a ele, arrebata-me de ataques sutis,
De carinhos frágeis e mobilidades sonoras, planeta afora,
Metáforas de presente, um pente rente à cutis soa
misteriosamente
Atabaques e ninhos de sementes de gente agora que adora toda
hora que goza
Fora e diz vumbora que eu dou aula na próxima hora ou que
diz
vou pegar o meu filho
na escola (se demorar, o menino chora).
Chora menino, menina fora.
Faça um amor, organize comigo qualquer compromisso de um dia
Que um vislumbre de céu vibrante que anda suspeito
Meta-lhe as mãos nos peitos, aperte e ainda bem que foram as mãos!
Nada que eu me lembre bem, se bem que nem sei se bebi além
de quem conheci
Ou achei no que vi alguém que eu quis mas não sei se me fiz
de infeliz ou, simples assim,
Vigiei o que vi, e assim, o que sei é que não entendi o que
quis ou porque foi, enfim,
Importante pra mim. (ter um fim)
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Peço pelo que peço
Eu me sinto bem, agora. Gosto de despejar minhas
palavras.
Dizem que as pessoas pedem por aquilo que mais
lhes falta,
E não peço amor, pois já o sou.
Peço-lhe dinheiro, por favor.
Escrevo essas letras e sequencio formando blocos conhecidos,
De onde fala o sentido e significado do que vivo,
Sem haver significado nenhum
Que seja comum a todos os homens.
E não porque quero faturar faço isso, mas é forma
maluca de interpretar
Aquilo que sinto, e se posso ganhar um trocado,
por que não o fazer?
Peço-lhe por comida, afinal com essa minha
preguiça, ainda tendo moedas,
Fico estendido numa cama ou cadeira, computador,
violão, atriz, loira, leio…
Não preciso de paz. Não peço paz ao mundo, nem
espero que me dêem.
A paz está dentro. Não existe paz, ela é palavra.
Não há nada no blá blá blá.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Turnos Diurnos
Corro nu pela manhã.
Ela corre comigo, vasta e limpa
me devasta o pensamento
Ouço pássaros sonando.
Quiça falando entre eles, cada um
na sua espécie, e nós não.
Pelo tato que me entende,
pelos olhos que me despem,
sangro lágrimas de sal.
Sobre a secura da terra seca
ergo minhas mãos e peço aos céus
por chuva.
Molha a minha cara.
varre minha poeira para baixo
dos tapetes da inexistência.
domingo, 12 de agosto de 2012
Desprogramado
E nem pra turista, uma cidade visitada, nem um tiro
certo,
Tudo programado com mínimos detalhes, só pra chatear.
Eu que tirei quanto tirei, não faz sentido, pra mim, sentar e me embriagar
Com vocês, sem vocês, com por ques e porquês
demais.
Saudoso era me sentimento.
E saindo da esfera das vozes criando outras carnes
e nações inteiras
Semeando a postura normalmente anedoteira, do povo
em geral,
Admito, somos muito. Sempre. E isso carrega uma
vida própria em cada um
De nós com ambíguos espectros de plankton
playmobil e phantom, para
A alegria da molecada. Espero não ter escrito nada
errado.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Recomeçar
Tenho em mim certa ignorância. Carrego uma
despretensão de viver, ao mesmo tempo em que, rígido, sou combatente de
perfeição, no que me atrevo a fazer e levo nome. Como um bêbado de fome, vou
desmoronando dia após dia, prato após prato, todas as surpresas tão esperadas
que a vida me apresenta. Como por exemplo, aquele imaginário de amor que tenho,
quando penso estar apaixonado por alguém e que, possivelmente ela também esteja
apaixonada por mim. Não. Sirvo-me do mais barato vinho do Mundial e derramo
pelas bordas do copo de plástico aquela sangria que me esbofeta a cara dizendo
para acordar, trabalhar, amanhã tem coisas para fazer, problemas para resolver.
Dia sim, dia não, vejo um milhão de pessoas correndo como loucos (e no fundo,
coitados, são e sabem) através das vidraças que nunca se estilhaçam com as
trombadas impulsivas dos ímpetos humanos. Arruaça de gente que me atravessa os
olhos e nem sei se existem. Penso sempre naquela menina novinha, aquela tão
calma, e procuro um motivo, um significado praquilo. Sempre que me pego vivo,
dou uma olhada ao redor e penso: será que isso está acontecendo comigo? Me
arrisco. Caio no céu. Gostaria de olhar para as pequenas crianças e saber
exatamente como é brincar daquela forma, como fazia antes. Muito se perde da
lembrança e em meio a tantas mudanças, já não sou mais quem era antes. Quem eu
era quando nasci, já morreu. Quem escreve estas letras certamente também já
morreu. Eu, no entanto, viverei para sempre, estarei sempre por aí, faço parte
do conjunto vida, o que está para se transformar. Meu caminho é para um lugar
de não pensar, e é preciso pensar muito para chegar lá. Construir tudo o que
deve haver para destruir. E então trabalhar, agir, concluir, contemplar.
Recomeçar.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Bonitinhas, as mulheres-consciência
Um monge de velhinhos falando
Sobre suas grandes visões
E tudo o que dizem é apenas
Para desdizer tudo o que acabaram de fazer
Cala a sua boca, monge
Meu padre sempre foi ausente,
Ao menos que eu fosse morar em sua casa
Como não me adaptei às regras,
Permaneci poucos anos e fui embora
Corra pelado, padre
Há muitos pastores na minha rua,
Religiosos durante o dia,
À noite saem para fazer suas cagadas
Inconscientes de coleira no pescoço,
Não esqueçam que pastor é cachorro
Todo iluminado é sempre um homem
Mulher-papa, jamais venerada,
Buda e sua palavra masculina,
Jesus, me salve de todo o mal,
Palavra à quem tem vagina
sábado, 30 de junho de 2012
Mistério Bobo
Já escrevi poemas, bolei respostas,
Compus canções,
Bebi demais, chorei e ri,
Vi manhãs.
Tudo isso me serve para lembrar
Que por trás dessa vontade,
Dessa ponderação,
Dessa loucura, dessa sanidade,
Dessa gangorra alucinada,
Existe medo.
Ele que age, tira a liberdade,
Difama o compromisso,
A responsabilidade.
Chama-se medo,
Quem mantém um segredo.
Mantém aceso um mistério bobo,
Uma espécie de jogo
De apostas sutis.
Saia de trás do muro,
Pois daí não poderá me mostrar
A profundidade do seu mundo.
domingo, 20 de maio de 2012
Flor Amarela
Fique livre para ir embora
Livre para ser livre de mim,
Menina bonita,
Flor amarela no campo vasto
Voar parece muito
Mas liberdade não é tão opressivo
Quanto voar
Voar nessa atmosfera tão cheia de leis
Prenda-se aos mundos
E não ao mundo
Pois daqui pra frente tudo o que
Temos é tudo o que temos
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Chester
Ao praticar canibalismo, imagino que o sujeito
experimenta
Muitos tipos de sabores.
O ser humano, ao cometer antropofagia, deleita-se
com
Diferentes timbres gastronômicos
Ao experimentar o sabor de sua própria espécie.
A carne bovina, por exemplo, comemos e percebemos
Um padrão de sabor, claro que variando um pouco,
de acordo com
Os fatores que determinam suas características
degustativas.
Há diferentes tipos de bunda, diferentes tipos de
peitos, de coxas…
E o tipo de vida que aquele indivíduo humano leva,
seus hábitos de saúde,
Higiene, alimentares, e todos os dados da
estatística do cotidiano humano no mundo.
Uma bunda enorme, e uma bunda bem magrinha e
pequena. Um peitão mole
E um peitinho durinho. Coxas muito gordas, ou
musculosas, e uns sem-coxa.
E existe o meio. O equilíbrio entre os extremos,
trazendo ao centro.
Isso deve afetar o sabor da carne humana, deve
haver a picanha deliciosa e
A picanha ruim, com sabor acre.
É um chester humano.
Ou então uns galetos.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Primeiro
Todo esse calor e pensamos que somos quem?
Somos apenas uns humanos que humanizam a Terra.
Fizesse calor realmente, nada me espantaria.
Com alegria, eu observaria à minha volta, e riria.
Olho para o céu. E preciso esticar o pescoço.
Será por isso os velhos não terem flexibilidade e
Toda aquela problemática nos ossos?
Olho para o chão e acho dinheiro.
Internamente me pergunto: estamos mesmo
Todos juntos? Somos algo em comum?
Para ver o céu, saia um pouco do pensamento.
Para achar dinheiro, seja apenas o primeiro.
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