domingo, 21 de junho de 2009

Santo Pouco

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01.

se bebo pouca esmola
meu santo chora

se sarro e coca-cola
senta no ponto e espera

se fode com a esfera ótica
cala-te e depois explode

guarda teu grito para a última hora

02.

se teu santo é ingênuo
segue na frente

se jumento é gente
simbora ô gado indolente!

Bora correr que a porteira cola

03.

Enorme o mosquito que me rodeia
escuto o som do seu vôo

É de causar arrepios o frio
que causa sentir o mosquito

e é bom imaginar o mosquito no ouvido

04.

Três é um bom número
nunca fez mal a dois

Dois não é um bom número
ao passo que pode ser o melhor

É preciso lutar - que preguiça - passar o chapéu.


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quinta-feira, 18 de junho de 2009

O som de estar imerso em água.




E nadamos à beira da arte
Andamos num embalo profundo
Mas não é simples querer de verdade
É preciso coragem
Pra amar
E não ver a desgraça
Que é pensar ser feliz
Num mundinho engraçado
De lápis de cor

Estamos esmagando vantagens
Comendo chumbo amassado
Bebendo suco gástrico
De fruta do conde
Só queremos um dengo
Um amasso bem safado
Veneno do dia
Da vida ridícula
Da escola e trabalho
Um tesouro enterrado
Em outro planeta

E chorando chupamos buceta
E saímos de lado
Quebramos vidraças
Com pequenas garrafas de pinga
E somos sempre tão SÓBRIOS!
Nos arrastamos e olhamos nos olhos
Sabemos a verdade
Sabemos que a verdade
Está no que silenciamos


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terça-feira, 16 de junho de 2009

Pensamento Cala

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Estou calado
Feito um pássaro de longe
Quando não se ouve o fundo de seu choro
Grito
Levem a solidão, levem de mim
Ai não venha me dizer que é assado ou assim
Susto quem me dá é Deus
E eu brinco de fingir
Finjo que não sei que é só uma brincadeira
Eu sei fingir também
E sofro
E sinto que não há nada a fazer
E rio da nossa brincadeira sobre isso
Me vejo vítima
E isso é péssimo
É assim, uma ironia do destino, como dizem.
Esperando amor
Ah é
Não pretendo esperar
Se me arruma o espírito
Vou caçar
Arranjar um sangue, uma briga boa
Cantante que voa, ou tenta voar
Quero ver nas minhas amarras

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

do feriado

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eu também não gostei quando aquela menina debochou da poesia.
a poesia não se entrega a quem a define, disse o Quintana.
nesse ponto eu concordo.

Então que seja assim.
Estou puto com o roubo da minha bicicleta.
Estou triste com a notícia que me derrubou.
Aqui começa o fim de semana da virada.

O feriadão do dia de corpus christi.
O feriadão do dia dos namorados.

Ah, vamo virar, Rafa!
Vamo virar, Rafa!
Vamo virar, Rafa - a!


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O Roubo da minha Caloi 100 modelo Beach.

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Roubaram a minha bicicleta!
Sim, aquela bicicleta velha, surrada, sem tinta, sem graça.
Aquela pela qual ninguém arriscaria ser preso.
Roubaram a minha bicicleta!

A minha companheira de guerra.
Participou da minha história,
Fica gravada na memória, a minha amada bicicleta.
Me levou tantas vezes, aquele quadro Caloi 100.

Roubaram o meu camelo!
Algum desses bandidinhos de merda
Magrelo, fedido e covarde.
O meu camelo, lembra? Roubaram!

Como vou descer a rua sem vento?
Roubaram a minha bike, nada a fazer.
Sobraram apenas um fantasma no bicicletário,
E a chave, meu deus, a chave do cadeado!

Vá, magrela, vá sem nome...
Arruma alguém que te dê um trato,
Te pinte de vermelho e faça uma reforma,
Daí quem sabe, será roubada de novo.

Vai rodar por aí, toda luxúria
Esbanjando beleza, sorrisos, felicidade
Mas no fundo saberá a verdade
Quem te mostrou o mundo, aventuras?

Roubaram a minha bicicleta.
Roubaram o meu vento.
Roubaram o meu camelo.
Roubaram o meu tempo.


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quarta-feira, 10 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

às vezes

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às vezes eu fumo
parece que eu cheiro

às vezes eu durmo
parece que eu vivo

às vezes isso
às vezes aquilo
à puta que o pariu!


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domingo, 7 de junho de 2009

Nós

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Sei
Que eu me sinto assim feliz
Quando você não tá aqui
Mas tá no meu bater bumbá

Vem
Pra gente matar nossa dor
Essa dor que mistura em paz
Saudades de gostar demais

Depois deita seu corpo nas minhas pernas
E descansa pra depois continuar

Cem
Milhões de vezes num amor
Tamanho de um mundo só
Um mundo de perfeitos nós

Nós
Em um navio a navegar
Por entre o ar, o céu e o mar
Abstração pra te querer

Depois não quero nem saber de olhar
Em volta, te procurar, aqui é o seu lugar


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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Movimento Um

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Enchente de carros
Transporte danado
Que daqui a alguns anos
Será abolido
No Rio de Janeiro, caos urbano
Leblon, subida Niemeyer
Vendedores de biscoito globo
E água, mate ou limonada
Eles me falam nada
Do que eu gostaria de saber
Mas sabem mais do que eu possa crer
Eu e você
Eu e você
Cinqüenta mil pessoas
Ao redor me sabem, constatam
Me olham, me matam, me amam,
Vanguarda velho nome de não
A rua é quente
Poesia da lua
O céu é imenso
E há poesia na rua
O céu é lindo
E uma lembrança
Me joga sementes
De vez em quando
Eu e você
Tem muito disso por aí, ô!
Então não diz, só vem fazer
Um cafuné, uma coisa assim
De um bom sinal
De amor e paz
De sangue e vísceras
Buzinas e metais
Cortando as minhas avenidas
Principais


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quarta-feira, 3 de junho de 2009

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Hoje estou tão feliz que faltou o assunto.

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Olá

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Sobre o que vale a pena falar?
Que me motiva a estar aqui, agora, neste banco,
Em frente ao computador, tentando dizer?

Será que às vezes não sinto forte o “VAI!”
Do mundo e vou como um guerreiro,
Mendigo juntando dinheiro?

E se um dia, como hoje, eu estiver lendo isto
De dentro do meu barraco, ou da minha cela?
E se estiver lendo num barco, or abroad?

O que me motiva, na vida?
Pergunta a ser respondida.
Não por mim, é claro. Por você.

E não é brincadeira, tudo é verdade.
É jogo, são átomos elétricos, arrepio, calor.
Vamos brincar de sensações?


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domingo, 31 de maio de 2009

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Ando amando
Tanto que cego
Pela clara luz que canto

Um elo de mero encanto
Total infinito enquanto
Loucos num castelo


(de areia?)

Obrigado, alegria, por um pouco de tristeza.

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Obrigado
Por me trazer de volta ao pó
Por me trazer de volta a consciência
Da insignificância que trago em meu corpo
E ele próprio, o corpo, traz em si sua insignificância
Irremediável.
Obrigado
Por me fazer sentir que sou nada
Ou praticamente nada, pois se quisesse
Falaria comigo, ou pelo menos faria algum tipo
De comunicação. Melhor, teria vontade de fazer uma
Comunicação, mas começando a perceber onde há contrastes.
Obrigado
Me joga no mais baixo nível da cadeia–pirâmide humana,
Onde me escondo no meio de outros nomes que você já reconhece
Há tanto tempo que não lembra mais de outras datas, em que você se mostrava
Linda, mas longe, parecia que não queria muito nada além do que alguma companhia
Obrigado
Por me olhar e me absorver com o olhar
Carregando eu inteiro pra dentro de você, mas sem
Que você permita, ou seja, um estupro em alguma dimensão.
Desde que a palavra seja livre, podemos concluir o abuso de tal ilusão.
Obrigado,
Alegria, por um pouco de tristeza.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

ilusão/realidade/ilusão

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A luz vai ficando forte, cada vez mais.
Na minha direção. Ela vem.
Ainda não sei...
Se é amor ou trem.

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Ainda não sei...
Mas pensando bem,
Me pergunto se sou eu quem vai,
E não ela que vem.

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sábado, 23 de maio de 2009

Decadência.

Decadência.


O melhor momento para se escrever é na decadência. Na decadência. Sabe um corpo caindo? imagina só. Sente-se o peso, o volume de cada parte do corpo. Pesam os pés com seus dedos, pernas com suas duas partes, joelho separando, também caindo. Esgotado. Muito trabalho. Pesa a cabeça, o tórax, a mente não está se dando bem nas investidas sobre o corpo. E o corpo cai. Cai. Cai um corpo que precisa cair para repousar. Há de se guardar algum lugar para o aquietamento do corpo, digo articulações músculos, e pálpebras. É o melhor momento para se escrever, o decadente. O decadente escreve melhor. O decadente é melhor. Gostamos do decadente, nos alimenta de ração, somos ingeridos pela multidão de desabamentos vivos que nos entrepassam. Fantasmas. Tenho convivido com eles. Não em mim. Tenho. Com eles. Não vejo, mas vejo. Em momento de lucidez, caminhamos lado a lado. Mas o momento de escrever é o momento sublime do dia. É a visita ao violento mundo vermelho sangue, gritos de horror e sadismo brutal, torturas infinitas. É bonito. O momento de escrever. De escrever. De ter de criar, para exercitar a descida. Para exercitar a possibilidade. De criar. Decair. Dissecar rupturas no tempo/espaço fingindo estar fazendo um bem grande a alguém, nem pra si mesmo. Imagina aos outros que não sabem de nada. Decadência é o que me faz continuar. Me faz. Sim, faz. Continuar. Me faz continuar com isso. Com isso. O que é isso? Isso é isso. Momento de isso. Decadente. Década. Dez anos. Dente. Ossos localizados dentro da boca, e não serei mais profundo que isso. Momento do corpo que cai. Um corpo que cai. Cai como sempre deve cair o que é acionado pela gravidade. É lei. Podemos abolir a lei da gravidade. Que tal? Sairíamos da decadência,
Subindo, subindo, subindo, subindo, subindo, elevando, elevando, elevando, elevador, elevação, elevação, elevar, levar ao bom. Alto. De fino trato. Padrão. Mais. Sair da decadência. Ser um modelo. Modelo. Ser. Não ser. Modelo. Não escrever. Reter. Pesa cada vez mais. Guardando tudo, o peso aumenta. Dê. Saia da decadência. Flutuar. Vagar equilibrado entre o cima e o baixo do ar. É o momento de escrever. E o de parar de ser. Decadência quando não terei mais tristezas? Conflitos? Terei. Teremos. Conflitos. Teremos. A fonte, presta atenção, a fonte. Não se esgota. Esgoto. Não vai pro esgoto.
A fonte é de coisa fina. Água limpa, e eu lá sou homem de. Sair da decadência. O momento de escrever deve ser o de elevar, subir, tatear as estrelas. Deve ser o momento de se arrastar com a maior parte do corpo pelo chão de terra e comer a terra. Elevar. Decair.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Todos os tempos são sombrios.
Todos são difíceis, para os amantes.
A vida não é fácil para o artista.
Também não é fácil para o carteiro.
Não é fácil para o síndico, carpinteiro
Padre, peão, operador de telemarketing.

Em todo canto há violência.
Violência, agressões, aqui, eu,
Sabe-se lá quantos de nós já apanhamos.
A violência do dia a dia, do alô no metrô.
Principalmente quando o sinal é de
Repente cortado.

Há pedintes, os que chegam ao desespero
Ou ator ao extremo, que em sua história
Se funde, e Stanislavski aplaudiria.
Mas alguém deve quebrar o encanto,
Mostrar que o nosso lugar nos influencia,
O nosso tempo nos influencia.
E são tempos sombrios, estes em que vivemos.

E será sempre assim.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Beira da Estrada

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Falo em liberdade.
Estou preso.
Eu posso voar.
Falo em liberdade, não sei falar.
Sei sair. Quero com você.
Vamos beber a madrugada.
Vamos embora. Nunca mais voltar.
Virar um quadro.
Dois bêbados, de mãos dadas na beira da estrada
De madrugada na Barra.
As luzes estarão sempre brilhando enquanto houver noite.
Como naquelas fotos em que as luzes fazem trilhos.
Não aparecemos nas fotos.
Sombras incertas, sem história.
Sem família, sem dinheiro, sem cama, sem roupa.
Falo em liberdade.
Bebo à liberdade.
Estou preso.
Mas tenho as chaves.
Diz se quer sair ou quer ficar.
Eu posso voar. E você?
Seu ônibus vem. Não, não vá.
Foi.
Caminho como sempre sozinho.
Livre.
Mas sozinho.



(07/11/2006)
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sexta e sábado

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1- Não se esqueça de que hoje é sexta, e hoje é sábado.

2- Como?

1- Claro. Vive.

2- Ah sim, isso eu faço, de fato.

1- Como?

2- Vivendo.

1- Eu vi.

2- Como?

1- Vendo.

2- O que é?

1- Um canivete.

2- Muito útil, um canivete.

1- É suíço. Tem nove funções.

2- Ta bom, quanto custa?

1- Ainda não pensei sobre isso. Me dê algum tempo.

(pausa)

2- Pronto, quanto custa?

1- Quarenta e cinco reais.

2- Me parece bem caro.

1- É o justo. Cheguei a esta conclusão pensando que cada função vale 5 reais, o que é até barato se formos analisar mais profundamente o assunto.

2- Hum...não entendo.

1- Se você fosse comprar separadamente cada utensílio que esse canivete carrega, gastaria, para cada um deles, mais do que cinco reais, sem dúvida.

2- Ah sim. É possível.

1- Hoje já é sábado, não se esqueça de seu compromisso.

2- Não gosto de ser pressionado.

1- Estou tentando te ajudar.

2- Obrigado. Agora me deixa em paz.

1- Sim. (fica parado)

2- Quero dizer sozinho.

1- Então não se esqueça do dia de hoje.

2- Ah, mas que merda! Agora ela chegou e vai começar a falar daquelas coisas chatíssimas que não me deixam concentrar no meu trabalho!

1- Eu faço companhia a ela.

2- Ah faz, sim. Você acha que eu sou idiota?

1- Acho.

2- Eu me casei.

1- E teve filhos.

2- E daí?

1- Você deu continuidade à espécie humana.

2- (espantado) Nossa...não tinha pensado nisso dessa forma.

1- São crianças.

2- São crianças.

1- E nós, somos adultos?

2- Adultos?

1- Podemos brincar.

2- Sempre podemos brincar.

1- Está aí uma coisa que se deve saber fazer, mesmo no mar de lama.

2- No “fundo dos mares”.

1- Como o pato selvagem.

2- Bem assado no forno, com bom tempero.

1- Ainda vai demorar. É um tipo que não se entrega fácil.

2- Então podemos jogar.

1- À morte?

2- Morte?

1- Dinheiro eu não tenho.

2- E morte?

1- Nunca.

2. Então não podemos jogar.

1- É, boa idéia.

2- Vamos jogar à vida?

1- Temos?

2- Temos?

1- Podemos brincar.

2- Sempre podemos brincar.


1- Se jogamos a vida, ficamos sem ela?

2- Mas é claro. Essa é a idéia!

1- Então será o jogo da vida será como o jogo da morte.

2- Mas temos vida?

1- E morte?

2- Tomara que chegue logo um novo tempo.

1- Eles demoram.

2- Tomara.

1- E quando chegam.

2- Que chegue logo.

1- Já estamos mortos.

2- Um novo tempo.

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