quinta-feira, 3 de junho de 2010

Certa vez num bate-papo de internet...


- Olá.

- Oi.

- Tudo bem?

- Sim.

(silêncio)

- Err... quer teclar?

- De onde? Sem foto? Não falo com quem não tem foto!

- Mas eu tenho foto. E você tá me soando meio besta... muito metidinha!

- Não, não estou.

- Tá sim.

- Que seja. Então não fale comigo, simples!

- Por que não? Só por que é metida? Falo com metidas o tempo todo. Trabalho com metidas.

- Porém, eu que não sou! Não quero falar com você! FATO!

- Por que não?

(a metida fica offline)

Eu hein, parece que comeu cocô.


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segunda-feira, 31 de maio de 2010

É quando eu digo ‘vamos’, mas nem eu sei para onde.

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Toda vez que olho em volta, o que vejo é gente.

Tenho andando muito por aí, cidade grande, meio perdido.

Tanto que preciso de um lugar mais menos gente,

Todo lado aquele mato, árvores, bichos, um silêncio enchente.


Muitas vezes que lhe digo ‘vamos’, estou pedindo abrigo.

Mastigo azedo o sarapatel mensageiro de um negativo.

Movimento de tentar entender isso é somente perigo.

Meus trinta anos me dizem para dizer o mínimo.


Para somente ser calmo, firme e honesto para viver bem.

Pelo menos alguma esperança me resta, no meio da testa.

Porreteada com as mãos, batendo com a parte de baixo, claro.

Punho cerrado. Vigorosas batucadas na mesa de teca.



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terça-feira, 6 de abril de 2010

sobre a maturidade

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Vamos tentar!


Como se o céu acompanhasse o meu chorar,

Gotas e gotas, um banho de choro também jorra

Do céu noturno com delicado pincelado acinzentado.


E enquanto assisto ao cair da chuva, e enquanto penso,

Sua intensidade aumenta, numa possível tentativa

De me fazer perceber que o que penso é o que vivo.


E aumenta mais ainda, até que percebo o seu crescimento.

Juntos, concluiremos que, por experiências,

Podemos notar que um dia, o céu cessará o choro.


Então, viro-me de costas para a chuva e sorrio.

Entendo tudo o que ela já sabia e acho graça.

Penso nas sábias palavras de meu pai: aceitar o inevitável.


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sexta-feira, 26 de março de 2010

Sinfonia número dois, de Salvador Dalí.

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O que se vai, é o que deve ir.

Se não fica, deve.

Antes do final definitivo,

O final verdadeiro e fatal,

Sinto ser difícil, muito,

Abrir as mãos e deixar voarem

As lembranças para o chão.

Balançando suavemente, penas

Caindo levemente sobre a quentura

Do chão.

E matando o silêncio do agora.


E como se não houvesse hora,

Parto para cima de tudo

Moendo os caminhos do que me tenta

Brecar.

Cometo algum crime, um crime qualquer,

Um ato contraventor

Como uma corda amarrada ao ventilador

No teto de uma casa em Vila Isabel.

Pendurando um pardal bege.

Pálido sob o brilho da luz esbelta.


E as telas de Chopin me fazem arder

De pimenta em tudo, até sopa, na Bahia.

Café não, pois que não cede.

Nem tudo pede uma tragédia, pois há quem ceda

Ao violento estar de um feiticeiro no ápice da manhã.

Impaciente o beija, e ele quer o carinho.

E sentia o sol pressionando seu couro.

Seus pelos e tudo o que mais poderia querer

Naquele lúdico dia.

E era simplesmente tudo e nada, sem escolha.


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sexta-feira, 19 de março de 2010

O terrorista adotivo

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É de dentro da lama oblíqua que vemos

Vemos alguém emergir da espessa gosma

De uma teia tecida com cuidado e lógica,

Porém sem o sentimento que lhe falta o toque

Brincadeira de destino, ou coisa assim

Disse que acreditava que existia algo de ruim

Por trás de todo esse dá-tudo-errado que assombrava

Nossos dias de trás para frente, sem errar, sem errar a marcha

Foge! Corre! Some!

Basta um indício de sobriedade para que extraia

O pior de um terrorista

Este pior ainda quando dorme contigo

Seu pior inimigo, aquele que te conhece

No acalento, perigo, nas pequenas hesitações e vacilos

Não pode vacilar, é partir. Uma ação forte e verdadeira.

Uma força que vem nem sei de onde, mas existe. E age


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domingo, 28 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

espera

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Ô moço...
Não tô conseguindo chegar até aí...
Faz um favor, faz. Manda uma ajuda.
Alguma coisa do céu, sei lá!

Preciso me ajustar de vez
Aqui tá uma bagunça danada,
É muita coisa espalhada
E o chão tá difícil de achar!

Tem ponte no meio do caminho,
e na ponta, onde daria pra pisar,
tem muito espinho, ai moço!
Há o que se fazer?

É...só o tempo de esperar.
O músico não toca.
O cantor não canta.
O poeta não escreve.

Há um abismo sem ponte, pra atravessar...

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

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Dou aulas particulares e públicas de inglês.

Cobro justo.

Para me contatar, mande um email pedindo meu telefone. E ligue. Eu irei falar para me escrever um e-mail detalhando o serviço que deseja. Responderei ao e-mail pedindo seu telefone. Quando receber sua resposta, ligo. Digo que vou mandar um e-mail com os valores e alguns esclarecimentos extras. Mando o email. Aguardo sua resposta concordando ou não com o fechamento do negócio. É possível uma negociação. Se responder positivamente, marcamos o início. Se negativamente, não. Se não responder, ligo. Pergunto se recebeu meu e-mail.

Enfim, é uma longa história sobre a comunicação nos dias de hoje.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Aleatoriamente.

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Hoje cai a minha vida.

Cai do céu branco ofuscado então cinza.

Despeço-me de todas as lembranças e feridas

Como se nunca tivesse tido-a como amiga, a vida.


Amanhã é palavra e tudo vem.

Deslizamento de tarefas e compromissos.

Como uma enorme ameaça de chuva, temporal

Azul e nuvens sufocantes. Nada disso.


Todos os dias começam como o primeiro.

Já acordei tarde e vejo o que já foi feito, já que

Não participei do início de tudo. Não sei onde me perdi.

Sonhos, não mais. Eu sabia de tudo que estava lá.


Se procuro o céu, o que vejo são quinas.

De prédios. De construções quadradas feitas por guindastes

E marretas em mãos lascadas. Não é brincadeira.

Até lá, preciso ultrapassar duas grades.


Tudo escuro, triste o bastante para pôr fim a tudo.

Nesta alegria fina, encontro meu repouso, o meu destino.

Desatino máximo.

É não saber que não sabe e não suspeitar disso.


Pressentir o que virá.

O vento que acaricia a minha barba

Também me sacode o tronco, em rompantes

Aleatórios, entre ventos e brisas.


Pode ser que neste augúrio, sinta.

O tal universo movendo as forças comigo

Trazendo o mundo comigo e todas as outras

Coisas que eu preciso. Não são tantas.


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

repartido

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Fomos amigos
Talvez nem tanto
Mas quem explicaria
Uma lógica dessas

Uma galera à noite
Em Copacabana
Num bando de doze
De dez, e de seis

Bebemos cerveja
Fizemos fumaça
E poesia coletiva
Na mesa molhada

Aniversário
De uma menina
Nove do nove do nove
De esquina em esquina

E sentimos o amor
Flutua na carne
De um salgado
É tão doce

Beijar fugitivo
De pouca viagem
Ficamos ali e aqui
Longe e separados

E no chegar da manhã
Nós
Os seis
Assistimos ao vômito

E compramos queijo
E coca cola
Para comer e beber
Queijo e coca cola

E ainda que o dia
Consigo voltar para mim
E mesmo que digam
Oi, sou o grande tal

Não posso acreditar
É modo de falar
Pois neste instante
Meu sono é

11/09/2009

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

aquela defesa da música

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Dai diz:
uma poesia é arrebatadora

Rafael diz:
é a sua tara, né?
já disse, não vai encontrar aqui nenhum virtuoso.
uma poesia você tem que ler!
você tem que pegar num livro
ou olhar pra uma tela.
virar o pescoço!
se concentrar e prestar atenção.
a música te bate!
ela te estupra.
você não tem que fazer nada.
não há defesas.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

da série: "da série": dois mil e dez, o futuro é aqui

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Ser por ser, estar aqui presente neste ano de dois mil e dez é incrível!
Faz muito tempo, agora, que muitas coisas aconteceram... E é preciso usar
pequeno vocabulário simples, ou até chulo, para demonstrar de uma forma mista
e talvez fria, o meu contentamento e minhas lembranças que não necessariamente relatarei.
Rei do rock, Elvis? Kundera? Além de imaginação. A cara do feto...os olhos pretos do feto.
Montagem. Colagem. Pra que servem? Onde vão? Onde está a cara do mundo velho, que agoniza, segundo notícias de todas as partes. As terras vão caindo e, meu deus, pra onde mais elas poderiam ir? Para cima? Eu não vejo televisão, mas ela me vê. E quando me vejo nela, acho que sou preto. Vejo vultos, o reflexo no vidro. Sigo andando, sim e...quando chego mais na frente,
penso se sempre andamos para frente, por mais que andemos para trás ou para os lados. Estamos sempre seguindo em frente. Ô caminhoneiro, essa vai pra você que me escuta nesta noite noturna, fria, de dezembro... Nesta noite mágica.


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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

faz falta, no Natal:

Bacalhau, vovó Sônia, papai Junior, Vovô Francisco, ah vôôô.....!
Uma árvore grande, luzes piscando, musiquinha - a tradicional.
Presentes grandes e caros, obrigado! Na infância havia abundância.
E a casa era cheia de convidados. E era bom só quando meus pais eram separados,
pois juntos era muito chato. Eu não lembro como era, mas era chato.
No natal, faz falta lentilha no arroz, azeite pra deleite.
Faz falta rabanada crocante e metricamente molhada.
Falta música alta!
Música antiga, rock and roll, reggae, música chata. Jazz.
Blues e funk são quaase iguais, quando se trata de Natal.
Falta um som bom, profissional, falta cadeira pra sentar,
e ar condicionado em todos os ambientes.
Corrida na casa da vovó, na rua Moura Brito, presentes,
muitos presentes, coisas gostosas, castanhas de todos os tipos.
Comida e muita fartura. Não lembro tão bem do bacalhau,
não havia obsessão. Hoje em dia eu só penso na hora de comer
aquele peixe seco, duro e salgado. E caro!

Objetivo sobre o tempo

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Lembre-me mais tarde

E o menestrel das noites, muitos surgirão.

Mas, mudando de assunto, o computador, hoje,

Está me atrapalhando muito no que diz respeito

Ao ato de escrever.



Como não é direto e fisicamente ligado ao corpo humano,

Como acontece nas já aposentadas máquinas de datilografar,

O computador funciona por seus próprios meios.

Meios estes que, ao serem acionados pela tecla ou clique,

Correrão por várias etapas até chegar ao meu objetivo.



Qual é o meu objetivo?



Ter o texto escrito no ato de falar.

No tempo de falar. No tempo da fala.

Morou?


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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ela, ela, ela... é festa na favela!

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E os fogos são esparsos lá no céu. E brilha a noite envolvida de cores vindas do morro em frente à minha janela da sala. É festa na favela. Flamengo campeão, sim. A seca acabou. Caminhão tombou, carreta enguiçou, avião atrasou, kombi não passou, enfim: o carregamento chegou! Soltem fogos, comemorem! Feliz Natal, finalmente, podem dizer aqueles que dependem disso. Feliz Natal! E alguém me disse que desgosta desse alvoroço por Natal e, por isso, gostou de ver que no meu blog não havia nenhuma menção a ele. Pois aí está. Queimei-me a língua perante uma fã específica. Que hajam outras. Especificidades. Fãs. Não tão elegante dizer assim, mas alguém que olhe dentro dos olhos e sinta alguma admiração. Ultrapassa a aparência, vai além do talento. É o tempo que poucos dão a si próprios para olhar dentro do outro. E nesta noite de fogos, de festa e alegria na favela, a alegria contagia também meu simples apartamento, duas ruas abaixo. Pois moro na tijuca e aqui não há lado sem morro. E não há morro sem favela. Se houver, alguém me conte. Vou pra lá e juro que não espalho a notícia. Mas eu não juro. - disse. Nem espalho a notícia. - completou.

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the self-rolling joint, ou o baseado auto-apertador

sábado, 12 de dezembro de 2009

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Ah, tudo bem, bem melhor do que antes.

Agora estou com um teclado novo, o que me beneficia

como escritora.

Interessadas, favor intervir.


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...acho que sendo impecável..

mas uma vez fui a um pai de santo muito respeitado por aqui..

pra ele jogar pra mim.

ele jogava, olhava pra mim, jogava, olhava pra mim...

Rafael diz (04:14):

fechava o olho, franzia a testa...

e ele disse que não podia..

que meu corpo era fechado

Rafael diz (04:15):

que não conseguia ver nada.

Rafael diz (04:16):

ele disse que não ia cobrar nada, como se não pudesse cobrar mesmo, já que não conseguiu fazer o jogo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Final de Campeonato

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Eu gostaria tanto de ter um, pelo menos um ingresso para ir sozinho ao Maracanã no dia 06, quando o Flamengo tem a chance de ser Hexacampeão Brasileiro de Futebol. Isso no campeonato mais equilibrado de todos da era de pontos corridos. Quando eu falei sobre ir sozinho é claro que estarei acompanhado de mais de oitenta mil pessoas torcendo por uma vitória simples do Flamengo. Isso mesmo, eu sou Flamenguista. Um ingresso de cadeira estava sendo vendido nas bilheterias, por trinta reais a inteira e, obviamente, quinze reais a meia-entrada. Arquibancadas quarenta, e vinte, respectivamente. Os ingressos se esgotaram no primeiro dia de venda. Vários dias antes da abertura das bilheterias já havia um bocado de gente acampando na fila, para esperar os tão sonhados ingressos. É a final do campeonato, não há dúvida. Eu quero tanto ir neste jogo, sou flamenguista desde criança e nunca hesitei por outro time. Tenho camisa, bandeira, canto o hino e vou a pelo menos 10 jogos por ano. Mereço estar lá. Quem poderia ficar dias numa fila de ingresso? Certamente alguém que não trabalha, não estuda, e tem como profissão fazer fila no Estádio. Nós, trabalhadores, pessoas que têm o que fazer; nós que fazemos parte realmente da nação rubro-negra e não podemos comprar nossos ingressos, o que fazer? Ingresso Fácil, pessoas, não usem este serviço. É péssimo. Ouvi falar. Alguém aí tem um ingresso sobrando? Eu pago. Pago inteira, apesar de ser estudante. Quanto custa ficar na fila? Cinquenta reais por dia está de bom tamanho? Para quem ganha pouco - a maioria na fila - é um bom cachê diário. Dois dias? Cem reais. Cento e trinta pela cadeira e cento e quarenta pela arquibancada. Ingresso legítimo? Ainda corremos o risco de comprar ingresso falso. Ingresso Fácil. Ainda corremos este risco. Eu sou capaz de chorar se não conseguir entrar no Maracanã, no Domingo. Bando de cambista filho da puta! É de vocês que vou ter que comprar! Inglórios mercenários. São todos vascaínos, tricolores ou botafoguenses - que fique claro que não estou xingando os torcedores de times rivais, mas sim os cambistas, não por eles serem de fato o que xinguei, mas por terem me tirado a oportunidade de exercer minha Flamenguice e ver a final do campeonato e participar deste momento histórico. Eles estão pedindo quinhentos Reais! Seiscentos, e já vi setecentos! Setecentos Reais! Aposto que esses não são flamenguistas. Eu sim, sou. Choro se não conseguir ir ao jogo. Será que alguém pode me ajudar? Idiotas, nós seremos campeões de qualquer maneira. Só de raiva. Eu vou entrar, nem que seja pelo cano.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

que se virem

chuva forte, ele saiu correndo para não se molhar tanto. me pergunto o porquê disso, posto que é água, apenas. corria mais que a própria chuva, e assim não se molhava tanto, de fato. rapidamente chegou a uma barraquinha dessas que vendem coisas doces, principalmente, além de uma coisa ou outra, você sabe, aquelas besteirinhas pra comer, como amendoim, bananada, balas, chocolate... ele pediu bananada e queria um desconto de vinte por cento no pequeno produto de cinquenta centavos. pensou no trabalho que teria pela frente. e eu, você me pergunta, como é que eu, escritor, sei o que o cara pensou, e eu te digo de bate pronto que sei porque eu que invento as coisas aqui, camarada. aqui eu crio tudo ao meu modo, neste simples espaço branco preenchido por palavras, aqui eu faço o meu mundo, aqui sou o Deus. e outra coisa, esse dê maiúsculo não significa em absoluto algum tipo de veneração e/ou (isso é péssimo) muito menos um sentimento materno de culpa, ou medo, esse aí o pior, medo. Mesmo assim rumou para onde realizaria seu trabalho, seu ofício temporário. Pagou com solas e em alguns minutos subia tudo o que era andar atrás de um calor, um trocado, um copo de guaraná. Feito o tento, pegou suas coisas e puf! foi embora. de elevador, que, quando desce, deveria ter outro nome, não faz sentido? A coisa toda durou menos do que isso tudo aqui, e durou muito tempo, aqui foi rápido, mas isso é relativo, diria algum idiota da faculdade. Ou diria algo do tipo... algo que contraria o que foi dito antes, ou uma contradição de uma idéia afirmativa. Por exemplo, uma não-aula, um não-professor, uma não-festa, um não-sim. é duro. não é, é mole, vai criando uma gosma que, imensamente prazerosa, se envolve em tudo o que há em volta, parando somente para dormir, como ele faz agora.