escritos verídicos e inverídicos, imagens da vida e um espaço livre. [ considere ler de trás pra frente ]
domingo, 28 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
espera
Ô moço...
Não tô conseguindo chegar até aí...
Faz um favor, faz. Manda uma ajuda.
Alguma coisa do céu, sei lá!
Preciso me ajustar de vez
Aqui tá uma bagunça danada,
É muita coisa espalhada
E o chão tá difícil de achar!
Tem ponte no meio do caminho,
e na ponta, onde daria pra pisar,
tem muito espinho, ai moço!
Há o que se fazer?
É...só o tempo de esperar.
O músico não toca.
O cantor não canta.
O poeta não escreve.
Há um abismo sem ponte, pra atravessar...
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Dou aulas particulares e públicas de inglês.
Cobro justo.
Para me contatar, mande um email pedindo meu telefone. E ligue. Eu irei falar para me escrever um e-mail detalhando o serviço que deseja. Responderei ao e-mail pedindo seu telefone. Quando receber sua resposta, ligo. Digo que vou mandar um e-mail com os valores e alguns esclarecimentos extras. Mando o email. Aguardo sua resposta concordando ou não com o fechamento do negócio. É possível uma negociação. Se responder positivamente, marcamos o início. Se negativamente, não. Se não responder, ligo. Pergunto se recebeu meu e-mail.
Enfim, é uma longa história sobre a comunicação nos dias de hoje.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Aleatoriamente.
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Hoje cai a minha vida.
Cai do céu branco ofuscado então cinza.
Despeço-me de todas as lembranças e feridas
Como se nunca tivesse tido-a como amiga, a vida.
Amanhã é palavra e tudo vem.
Deslizamento de tarefas e compromissos.
Como uma enorme ameaça de chuva, temporal
Azul e nuvens sufocantes. Nada disso.
Todos os dias começam como o primeiro.
Já acordei tarde e vejo o que já foi feito, já que
Não participei do início de tudo. Não sei onde me perdi.
Sonhos, não mais. Eu sabia de tudo que estava lá.
Se procuro o céu, o que vejo são quinas.
De prédios. De construções quadradas feitas por guindastes
E marretas em mãos lascadas. Não é brincadeira.
Até lá, preciso ultrapassar duas grades.
Tudo escuro, triste o bastante para pôr fim a tudo.
Nesta alegria fina, encontro meu repouso, o meu destino.
Desatino máximo.
É não saber que não sabe e não suspeitar disso.
Pressentir o que virá.
O vento que acaricia a minha barba
Também me sacode o tronco, em rompantes
Aleatórios, entre ventos e brisas.
Pode ser que neste augúrio, sinta.
O tal universo movendo as forças comigo
Trazendo o mundo comigo e todas as outras
Coisas que eu preciso. Não são tantas.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
repartido
Fomos amigos
Talvez nem tanto
Mas quem explicaria
Uma lógica dessas
Uma galera à noite
Em Copacabana
Num bando de doze
De dez, e de seis
Bebemos cerveja
Fizemos fumaça
E poesia coletiva
Na mesa molhada
Aniversário
De uma menina
Nove do nove do nove
De esquina em esquina
E sentimos o amor
Flutua na carne
De um salgado
É tão doce
Beijar fugitivo
De pouca viagem
Ficamos ali e aqui
Longe e separados
E no chegar da manhã
Nós
Os seis
Assistimos ao vômito
E compramos queijo
E coca cola
Para comer e beber
Queijo e coca cola
E ainda que o dia
Consigo voltar para mim
E mesmo que digam
Oi, sou o grande tal
Não posso acreditar
É modo de falar
Pois neste instante
Meu sono é
11/09/2009
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
aquela defesa da música
Dai diz:
uma poesia é arrebatadora
Rafael diz:
é a sua tara, né?
já disse, não vai encontrar aqui nenhum virtuoso.
uma poesia você tem que ler!
você tem que pegar num livro
ou olhar pra uma tela.
virar o pescoço!
se concentrar e prestar atenção.
a música te bate!
ela te estupra.
você não tem que fazer nada.
não há defesas.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
da série: "da série": dois mil e dez, o futuro é aqui
Ser por ser, estar aqui presente neste ano de dois mil e dez é incrível!
Faz muito tempo, agora, que muitas coisas aconteceram... E é preciso usar
pequeno vocabulário simples, ou até chulo, para demonstrar de uma forma mista
e talvez fria, o meu contentamento e minhas lembranças que não necessariamente relatarei.
Rei do rock, Elvis? Kundera? Além de imaginação. A cara do feto...os olhos pretos do feto.
Montagem. Colagem. Pra que servem? Onde vão? Onde está a cara do mundo velho, que agoniza, segundo notícias de todas as partes. As terras vão caindo e, meu deus, pra onde mais elas poderiam ir? Para cima? Eu não vejo televisão, mas ela me vê. E quando me vejo nela, acho que sou preto. Vejo vultos, o reflexo no vidro. Sigo andando, sim e...quando chego mais na frente,
penso se sempre andamos para frente, por mais que andemos para trás ou para os lados. Estamos sempre seguindo em frente. Ô caminhoneiro, essa vai pra você que me escuta nesta noite noturna, fria, de dezembro... Nesta noite mágica.
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Bacalhau, vovó Sônia, papai Junior, Vovô Francisco, ah vôôô.....!
Uma árvore grande, luzes piscando, musiquinha - a tradicional.
Presentes grandes e caros, obrigado! Na infância havia abundância.
E a casa era cheia de convidados. E era bom só quando meus pais eram separados,
pois juntos era muito chato. Eu não lembro como era, mas era chato.
No natal, faz falta lentilha no arroz, azeite pra deleite.
Faz falta rabanada crocante e metricamente molhada.
Falta música alta!
Música antiga, rock and roll, reggae, música chata. Jazz.
Blues e funk são quaase iguais, quando se trata de Natal.
Falta um som bom, profissional, falta cadeira pra sentar,
e ar condicionado em todos os ambientes.
Corrida na casa da vovó, na rua Moura Brito, presentes,
muitos presentes, coisas gostosas, castanhas de todos os tipos.
Comida e muita fartura. Não lembro tão bem do bacalhau,
não havia obsessão. Hoje em dia eu só penso na hora de comer
aquele peixe seco, duro e salgado. E caro!
Objetivo sobre o tempo
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Lembre-me mais tarde
E o menestrel das noites, muitos surgirão.
Mas, mudando de assunto, o computador, hoje,
Está me atrapalhando muito no que diz respeito
Ao ato de escrever.
Como não é direto e fisicamente ligado ao corpo humano,
Como acontece nas já aposentadas máquinas de datilografar,
O computador funciona por seus próprios meios.
Meios estes que, ao serem acionados pela tecla ou clique,
Correrão por várias etapas até chegar ao meu objetivo.
Qual é o meu objetivo?
Ter o texto escrito no ato de falar.
No tempo de falar. No tempo da fala.
Morou?
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
ela, ela, ela... é festa na favela!
E os fogos são esparsos lá no céu. E brilha a noite envolvida de cores vindas do morro em frente à minha janela da sala. É festa na favela. Flamengo campeão, sim. A seca acabou. Caminhão tombou, carreta enguiçou, avião atrasou, kombi não passou, enfim: o carregamento chegou! Soltem fogos, comemorem! Feliz Natal, finalmente, podem dizer aqueles que dependem disso. Feliz Natal! E alguém me disse que desgosta desse alvoroço por Natal e, por isso, gostou de ver que no meu blog não havia nenhuma menção a ele. Pois aí está. Queimei-me a língua perante uma fã específica. Que hajam outras. Especificidades. Fãs. Não tão elegante dizer assim, mas alguém que olhe dentro dos olhos e sinta alguma admiração. Ultrapassa a aparência, vai além do talento. É o tempo que poucos dão a si próprios para olhar dentro do outro. E nesta noite de fogos, de festa e alegria na favela, a alegria contagia também meu simples apartamento, duas ruas abaixo. Pois moro na tijuca e aqui não há lado sem morro. E não há morro sem favela. Se houver, alguém me conte. Vou pra lá e juro que não espalho a notícia. Mas eu não juro. - disse. Nem espalho a notícia. - completou.
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sábado, 12 de dezembro de 2009
...acho que sendo impecável..
mas uma vez fui a um pai de santo muito respeitado por aqui..
pra ele jogar pra mim.
ele jogava, olhava pra mim, jogava, olhava pra mim...
Rafael diz (04:14):
fechava o olho, franzia a testa...
e ele disse que não podia..
que meu corpo era fechado
Rafael diz (04:15):
que não conseguia ver nada.
Rafael diz (04:16):
ele disse que não ia cobrar nada, como se não pudesse cobrar mesmo, já que não conseguiu fazer o jogo.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Final de Campeonato
Eu gostaria tanto de ter um, pelo menos um ingresso para ir sozinho ao Maracanã no dia 06, quando o Flamengo tem a chance de ser Hexacampeão Brasileiro de Futebol. Isso no campeonato mais equilibrado de todos da era de pontos corridos. Quando eu falei sobre ir sozinho é claro que estarei acompanhado de mais de oitenta mil pessoas torcendo por uma vitória simples do Flamengo. Isso mesmo, eu sou Flamenguista. Um ingresso de cadeira estava sendo vendido nas bilheterias, por trinta reais a inteira e, obviamente, quinze reais a meia-entrada. Arquibancadas quarenta, e vinte, respectivamente. Os ingressos se esgotaram no primeiro dia de venda. Vários dias antes da abertura das bilheterias já havia um bocado de gente acampando na fila, para esperar os tão sonhados ingressos. É a final do campeonato, não há dúvida. Eu quero tanto ir neste jogo, sou flamenguista desde criança e nunca hesitei por outro time. Tenho camisa, bandeira, canto o hino e vou a pelo menos 10 jogos por ano. Mereço estar lá. Quem poderia ficar dias numa fila de ingresso? Certamente alguém que não trabalha, não estuda, e tem como profissão fazer fila no Estádio. Nós, trabalhadores, pessoas que têm o que fazer; nós que fazemos parte realmente da nação rubro-negra e não podemos comprar nossos ingressos, o que fazer? Ingresso Fácil, pessoas, não usem este serviço. É péssimo. Ouvi falar. Alguém aí tem um ingresso sobrando? Eu pago. Pago inteira, apesar de ser estudante. Quanto custa ficar na fila? Cinquenta reais por dia está de bom tamanho? Para quem ganha pouco - a maioria na fila - é um bom cachê diário. Dois dias? Cem reais. Cento e trinta pela cadeira e cento e quarenta pela arquibancada. Ingresso legítimo? Ainda corremos o risco de comprar ingresso falso. Ingresso Fácil. Ainda corremos este risco. Eu sou capaz de chorar se não conseguir entrar no Maracanã, no Domingo. Bando de cambista filho da puta! É de vocês que vou ter que comprar! Inglórios mercenários. São todos vascaínos, tricolores ou botafoguenses - que fique claro que não estou xingando os torcedores de times rivais, mas sim os cambistas, não por eles serem de fato o que xinguei, mas por terem me tirado a oportunidade de exercer minha Flamenguice e ver a final do campeonato e participar deste momento histórico. Eles estão pedindo quinhentos Reais! Seiscentos, e já vi setecentos! Setecentos Reais! Aposto que esses não são flamenguistas. Eu sim, sou. Choro se não conseguir ir ao jogo. Será que alguém pode me ajudar? Idiotas, nós seremos campeões de qualquer maneira. Só de raiva. Eu vou entrar, nem que seja pelo cano.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
que se virem
chuva forte, ele saiu correndo para não se molhar tanto. me pergunto o porquê disso, posto que é água, apenas. corria mais que a própria chuva, e assim não se molhava tanto, de fato. rapidamente chegou a uma barraquinha dessas que vendem coisas doces, principalmente, além de uma coisa ou outra, você sabe, aquelas besteirinhas pra comer, como amendoim, bananada, balas, chocolate... ele pediu bananada e queria um desconto de vinte por cento no pequeno produto de cinquenta centavos. pensou no trabalho que teria pela frente. e eu, você me pergunta, como é que eu, escritor, sei o que o cara pensou, e eu te digo de bate pronto que sei porque eu que invento as coisas aqui, camarada. aqui eu crio tudo ao meu modo, neste simples espaço branco preenchido por palavras, aqui eu faço o meu mundo, aqui sou o Deus. e outra coisa, esse dê maiúsculo não significa em absoluto algum tipo de veneração e/ou (isso é péssimo) muito menos um sentimento materno de culpa, ou medo, esse aí o pior, medo. Mesmo assim rumou para onde realizaria seu trabalho, seu ofício temporário. Pagou com solas e em alguns minutos subia tudo o que era andar atrás de um calor, um trocado, um copo de guaraná. Feito o tento, pegou suas coisas e puf! foi embora. de elevador, que, quando desce, deveria ter outro nome, não faz sentido? A coisa toda durou menos do que isso tudo aqui, e durou muito tempo, aqui foi rápido, mas isso é relativo, diria algum idiota da faculdade. Ou diria algo do tipo... algo que contraria o que foi dito antes, ou uma contradição de uma idéia afirmativa. Por exemplo, uma não-aula, um não-professor, uma não-festa, um não-sim. é duro. não é, é mole, vai criando uma gosma que, imensamente prazerosa, se envolve em tudo o que há em volta, parando somente para dormir, como ele faz agora.
sábado, 28 de novembro de 2009
Considero Estender
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Tecer um avião é de se admirar.
Enrolar um cubo é estender um assunto.
Fritar as páginas do livro que lê é,
Em qualquer instância, um insulto,
Sem dúvida. Sem dúvida tudo morre.
Imagina só aquela toda-grande-verdade.
Antes sofrer de amor, de dor, viver e existir,
Do que saber exatamente as respostas no lápis.
Considero a pergunta. Considero muito.
A resposta é um impulso com os pés na água
Quando alguém é puxado para o mar fundo
E une suas forças em uma, em busca de ar.
Não vamos misturar as coisas. Falar sobre pessoas.
É tudo o que há? Humanistas, por favor, né?
Vamos pensar em tudo feito de átomos em essência.
Não sei porque, mas essa palavra “essência”... Não gosto.
É falsa. Desculpa se decepcionei com minha feiúra.
Eu evito tentar evitar tocar nisso, mas prefiro continuar
A comer o que sinto vontade e a essa altura
Só resta esperar a gravidade e o tempo que me ama.
Amor é um tema batido.
Batido e remexido.
Amor não deveria ser tema de nada.
Amor não deveria findar um poema.
Alô, aqui é o seu marido.
Vestido e prestativo.
Falou tanto em mania que tem me agitado.
Danou o pão que comia, de ovo sem gema.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Pescaria
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Deixa ir
Corre atrás
Elogia
Diz que quer
Usa tudo
Olha fundo
Pra comer
Uma mulher
Liga lá
Manda e-mail
Dá importância
Se quiser
Não arrisca,
Entretanto,
Todo mel
Basta a fé
Pra deixar
É mais fácil
Se um qué
E dois num qué
Vai dar linha
Se afoga
Um pouquinho
Pensa que morre
Deixa ela
Amarrada
Na base firme
De algum poste
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Dias ao contrário – said the old man
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E os livros, discos,
Os poemas esquecidos...
Os rabiscos, tentativas de
Desenho no vidro...
Onde foram todos?
Onde mora a arte em mim?
Se pego um violão
Ou instrumento qualquer,
Ao toque de um botão,
Casa sim, casa não, menor em ré.
Juventude na escrita
Não difere da vida, ao pensar que
Cada golfada de ar que inspiro,
Expiro o suspiro de células, alívio
Quantas vidas você tem?
Quantas peles já trocou?
E as células, são de nascença?
Seus olhos são de neném?
Onde está sua idade?
Você tem quantos anos?
Minha idade cai à medida que
O mundo vai - caminhando.
Você tem os olhos do seu pai!
As pausas da sua avó!
Pra quem vive muito só
Eu em mim é gente demais!
Essa boca é do titio...
O maxilar é do vovô...
Assim, me repartindo, rio
E, afinal, quem eu sou?
Será mesmo esta vida,
Este mundo, esta aventura,
Algo a se classificar?
Quantas vezes, meu deus,
Sem ser religioso – ateu -
Posso seu nome chamar?
Números, mágicos silêncios
Que arranjaram para falar
Com anjos inteiros, em inglês,
Espanhol, grego ou alemão
- Said the general
But generals don’t say please
Que dirá thank you!
Pra onde vão todos os ladrões de ônibus,
com toda sorte de bugigangas
Quando saltam dos busões?
Montam uma barraca “fast money”
Ou fogem de Robin Hoods que
vagueiam desnorteados, dessulizados,
Deslesteados e por quão desoesteados?
E se vagueiam em tal situação,
Não custa perguntar: Tudo bem?
Alguns dirão que não. Que importa?
Alguns dirão que não querem porta.
Eu não venho aqui para contar nada,
Se assim quisesse, não fugiria contente
Das ciências matemáticas.
Venho aqui para fazer qualquer coisa
Que não seja escrever, e por isso
escrevo e talvez assim venha a morrer.
Métrica, verso, rima, prosa...
Que valor vital tem tudo isso
Quando a menina que o tem goza
E lhe escarra um belo sorriso?
Ah! Suspiros no corredor?
Colham tudo! De beterrabas a
Aspiradores de pó! Me deixem!
Deixem-me aqui completamente só.
Desembaraçando os nós do teu cabelo
Fazendo massagem nos teus pés
Lábios no teu pescoço e o cheiro
Que me causa tamanho revés.
Onde você sumiu?
No mato da hibernação climática?
Não ouço mais o velho telefone
Que tantas vezes já te ouviu...
Onde mora a arte em mim?
Já me perguntaram hoje.
Respondi que almocei, sim.
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domingo, 22 de novembro de 2009
matamoleza capaduridócil
é como mato no meio da chaleira,
quando a grama é mágica, não carece
muita água e sendo assim, a hidroponia
se refere somente a um nome, nada mais.
filtragem apurada com carvão.
mais serve assombração do que punhos
de lavagem. Na varanda, persiste o cheiro
da lavanda que vem da casa da Amanda.
vizinho são. pra quê? oi, bom dia.
boa tarde, boa noite. tom de orientação.
não basta olhar para o céu, é preciso
conviver. conver. convir. contactar.
antes que eu arranque o C da palavra-trava
venha alguém e me trave a língua, num desses
carrosséis doces de quem come nuvem feita de
açúcar ventilado e moído no coração.
não me refiro ao órgão aqui, mas ao valentino.
aquele vermelho verdade verde visto variedade.
ao passo que andar é somente sucessividade
entre mundos aqui, mundos ali...
e quando o corpo diz não, a cabeça já está
em outros patamares, pois gosto de animais terrestres,
ao contrário de quem crueliza os bichinhos.
e segue rastejando até - tentei evitar - onde tenha sol.
silêncio de casa onde se mora bem,
dormiu comigo e sonhou com outros cem
se o que for meu é de carne, prefiro pão
com chocolate, pois que o prazer não finda tarde.
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sábado, 21 de novembro de 2009
...entre...
Entre os fios encapados,
vejo o dia saltar alto e no embalo
cego de te ver, continuo com essa imagem.
Fosse o cheiro tirar margem,
Vampiresco no pescoço eu sou
aquele bicho que morde e arrepia.
e aos santos, subo um degrau mobile
de corda vermelha e preta, escusa
e sanguinolenta em zigzag
sem contar com o álcool que derrete
fácil e se confunde com gelo e pasta
de não sei que lugares são esses (pessoas)
ajudam, ajudam.
Ele estava descalço. Ouviu o som
do próprio ronco. Era calmo e preocupado.
Previamente ocupado, numa ocupação
forçada, sem mandato nem escape aos
prantos ou simplesmente deitada no chão etílico.
Suspiro, enfim, tinha que ter esse enfim
surpreso como um sorriso de "quando será"?
O próximo bonde sai em breve, amigo.
ele esperava. lia pela décima primeira vez
o anúncio da estação. Olhava o relógio.
Hora incontável. Se perguntar, ainda se lembra.
Tudo pode dar certo.
É preciso um pequeno esforço, ou gesto,
maneira, discurso, ataque, choque, toque.
um pequeno amor para esta menina, por favor.
eu quero um médio, dizia o poeta.
a jornalista encarava, escrevia, encarava, escrevia.
Um livro, ou biografia.
Biologia de um espécime.
A narrativa da devida tentativa de vida.
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