escritos verídicos e inverídicos, imagens da vida e um espaço livre. [ considere ler de trás pra frente ]
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Quem serão os próximos Cristãos?
Acaba a dor, acaba o sofrimento, acaba o amor, acaba a saudade, acaba a raiva, acaba o afeto, acaba o chão, acaba a porta, o espaço, as paredes, as roupas, os sexos, acaba o quarto em que queimamos dentro.
Acaba o fim.
E tudo o que pensamos sobre o que sentimos sobre o que escrevemos se tornará páginas e mais páginas. Poderá tudo um dia ser lido. Mas por quem?
Peixes Voem
terça-feira, 19 de abril de 2011
sem revisar mesmo
E tááááá!!!!!! Vêm num tornado violento e me batem, me sacodem, me enfiam a porrada, até que eu preste atenção nisso tudo e sinta que oi! você é fraco! Sempre fui péssimo em onomatopéia, não sei qual é o som de quê e muito menos colocar isso em forma escrita. Esse "tá" foi um bom exemplo, pois não consigo sentir isso de verdade. Quando escrevemos tiramos a verdade das coisas. O que é vida, não é palavra. O que se torna palavra, de uma forma morre. Perde-se. A poesia das coisas vai pro lixo, assim sem peninha, sem lirismo, sem poesia. Dura e fria. Tenho sentido que escrever é somente uma questão de forma, o conteúdo fica fora. O conteúdo está nos olhos, no chão, na mão que toca o chão, no violão, no som que através do ar se faz ouvir, enfim, no que não se pode escrever, não se pode dizer, no indizível. Então caio eu no mesmo engano, de matar o que tenho escrito, o que me causou um ano sem escrever. Me distancio assim das palavras, pois elas ao invés de aumentarem meu homem sensísvel, aprisionam e tornam o eterno perecível. Ah, não quero escrever rimas! Neste exato momento meu coração bate acelerado e eu me sinto aprisionado dentro dele. Não, não é o coração do amor romântico, o coração valentino, o coração lírico e a metáfora-coração, não. É o meu músculo cardíaco que se espreme dentro de ossos atrofiados, dentro de um corpo magro, dentro de uma cidade magra, de um país formatado, de um mundo civilizado e uma escala de hierarquia absurda que é imposta e, bem ou mal, há de ser. Esse músculo é tão importante que me mantém escrevendo por enquanto. E qual, meu deus, me diga, qual a importância disso que estou a escrever? A maioria das pessoas não vai nem ler! Tá bom, não posso dizer que meu coração lírico não esteja a mil. Estou eufórico. Sensação de explosão inútil. Quem é você, Rafael??? Do que se trata isso tudo??? Cala a boca, finca seus pés no mundo, faz teu silêncio agradável e diga não! Aprenda! E tudo continua, tudo muda, mas aqui dentro nada parece aliviar. Cheguei da rua, tive uma reunião, estava com fome, estava cansado, comi, tomei um banho, sentei. O que é o amor? Porcaria de pergunta. O que é...o que é....aquilo mesmo que eu estava dizendo...sobre os ossos...como é mesmo? Aquela coisa que parece apertar o peito...não, infarto não...paixão...paixão? Não, não pode ser...não pode, não posso. É proibido. Por que tudo é proibido para quem quer viver? E se eu quisesse ao contrário? E como falar? Escrever é tão... sei lá, é uma forma de me limitar ao mundo das palavras e é um mundo do qual não faço parte, eu visito esporadicamente, vejo como me porto e assim, sem aviso, vou embora, saio, venho, vou, volto, toco de leve...faço carinho, arranho, levo outro tombo. Preciso ajustar a minha respiração, talvez isso funcione. Talvez inspirar e expirar. (Pausa)
Estou, estou, estou. Sou, não sou, não sou.
domingo, 17 de abril de 2011
Acho O Quê?
Prefiro dizer que não faço poesia.
Ela está feita.
Eu apenas agrego palavras e
Busco algumas letras e receitas.
Se isso me ocorresse algum dia,
De eu achar que posso fazer
Da vida alguma poesia,
Eu acho que.
.
sábado, 16 de abril de 2011
Miau
Um grito que se prende à garganta
Afago que a dor me faz
Esperanças me traz
Não me toca, canta
Um gato que sobe no vão
Ao lado do passo do músico
Senta para escutar o som
Produzido, que é único
Miau - diz o gatinho
Se fosse um passarinho?
Não há o barulho suficiente
Para chamar a atenção da gente
Presto atenção em tudo
E só o que encontro é mistério,
Como o maior grito do mundo
Ser também o maior silêncio
.
Dó Mi Fá (desde a escadaria, o primeiro lá)
E que noite essa estrela ameaça
A quem debaixo de asas faz canção
Molhando o ar com o som
Dançando com olhos em flauta!
A sensação de espalhar-se no caos
E encontrar seu sorriso, te ver nos teus olhos,
Qualquer lembrança que não
Seja apenas coincidência, sopros…
O som é. Não se define. Não é
Ele agrega a noite que me domina
A lua que me domine, que me faça cantar
E ver o amor dançar no alto da Lapa!
.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
À integridade!
Me indefini.
O que hoje sou não pertence a mim,
ao mundo, como uma esfera de importância mil.
Jogo para trás, seja num buraco pra enterrar mendigo,
todos os meus restos, tudo o que sai de mim, passado.
Pode ir em paz, ao rest.
Apenas escuto coisas, melodias, hamonias bandidas.
Que doa dizer isto, pois que me invadem e eu gozo.
Só a música pode fazer isto com dignidade.
Sou como o gole de cerveja
que cumpre seu papel.
Ele desce, é gostoso, refresca, e só.
Não tem vida definida,
algo que implique no seu
desenvolvimento como alguma coisa dita.
Sou como não sou nada!
Estou assim, ou de outra forma, cada hora é uma hora
e tudo é diferente e vivo, eu só sei o que sei.
Tudo isso é tudo.
É nada. Isso tudo não passa de nada.
Como as coisas que dão no papel como se dessem na alma.
Como se houvesse alguma alma,
a não ser na palavra.
No sentido bom da palavra.
.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Os Sentidos da Vida
Todos fazem seus esforços
Para subir na vida.
Alguns sobem de escada,
Outros, de elevador.
A maioria, no entanto,
Nem sobe.
Assiste aos pássaros
Mais corajosos, ou dorme.
Há quem precise falar Inglês.
Outros, não aprenderam português.
Mas o fundamental na subida
É saber amar a vida.
Se ela é bonita, se não,
Cabe a nós especular.
A beleza é um conceito
Para o qual não há oposto.
E nem é preciso pensar,
Falar, saber, achar, concluir,
Quando se pode cheirar,
Tocar, ver, saborear e ouvir.
.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Não existem destaques no tempo.
E o ser humano não pensa: se perde.
Quando seu ritmo lhe dá exatamente a
Noção dos sentidos.
A loucura: morte de si.
Enquanto ruas não tiverem nomes,
Os seres não tiverem nomes, os gestos,
eu não pertencerei a nome algum.
O que o homem fez com o planeta?
Não olhe!
O que o PLANETA fez com o homem?
Emoções constroem sonhos que não produzem.
Acreditar no invisível?
Torcer e rezar para que algo aconteça:
O inevitável.
Tocar o agradável.
terça-feira, 29 de março de 2011
movendo pessoas.
Tragam todos os poetas, os fingidores de si!
Chamem os tolos e os bobos, que se entendam sozinhos!
Os atores em menor número que as atrizes, se é a lei natural.
Chamem os mendigos para o show da minha vida.
Estão intimados os carrascos, caixas de supermercado, ex namoradas.
Quero que saibam como eu os amo a todos e por isso convoco!
Venham assistir ao show da minha vida. Luzes e sombras.
Monte de desmonte.
Chuva que cai e se esvai ao nem tocar o chão.
O milagre da transformaçao me batendo na cara.
Venham, amigos! Venham principalmente os inimigos,
pois nesses olhos quero olhar. Cadê tua verdade?
Os detentores do poder. Os pais, professores, em combate.
What's your religion? Music it is. The most unanimous one.
Ask anyone if they like music.
Quem não gosta de música, que me atire o primeiro sax.
O resto combinamos pessoalmente.
A la carte.
.
quinta-feira, 24 de março de 2011
A Troca Fundamental
Um trocador que não
Troca. O que fazer?
Chamar o gerente.
Se o gerente é com quem fala.
E com a preguiça? O que tenho eu, de
Trabalho e desperdício?
Muitas perguntas,
Poucas respostas certeiras
Heranças de uma velhinha
A pobre economista
Esbanjava e sorria
Não abriu o bolso
Foi embora, e veio?
Algum dia, mês, planeta
Buscar alvo em estrelas
terça-feira, 22 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
dois compassos de dança e um gole de dignidade
Dia sim, dia sim
Tento decifrar o seu jeito
De repente mais pra cá, mais pra lá
Qualquer coisa que vire defeito
Uma obra genial
De um artista inacabado
Sem espelhos,
Ele tenta remover seus monstros
Quem é que não sentiu piedade
De si mesmo?
Desse mês, morrer é certo
Resistir apenas ao sono e à idade
Qualquer instrumento
Criação de criança é vento
que sacode meus terremotos
Oba, brinquedos novos
Olhar para os lados
Lados são tantos, poucos olhos
Quantas possibilidades
Batem com o que concordo
Depende da hora
Sempre perfeita a obra
Quase nunca pronta, demora
Custa o tempo de uma vida fora
Vejo muito bem
Perfeita, você
Cheia de detalhes
Para entreter
Viajar é uma opção
Dar vida ao fruto
Beber para sempre do seu suco
Fazendo conchinha com as mãos
.
Bem,
Depois que se começa, não dá mais pra parar, é uma coisa
de louco, isso! Procuro me acalmar de vez em quando, pois
é preciso variar as emoções, sentir cada uma.
Sentir a alegria e a tristeza em proporções similares.
Usufruir presença, usufruir saudade. Tocar a saudade.
Com a ponta de um dedo, depois outro e depois mais outro.
Assim como se toca um violão, uma navalha, a chama do fogão
e o corpo da mulher amada. Tocar a pele. Tocar o espírito.
Existe coincidência? Então que nome tem? É so falar e pá!
Duvido que haja, duvido que haja! Desafio qualquer um aí!
Por que você ainda me aparece de vez em quando? Pode ir, agora.
Estou pronto. Voa, gaivota! Voa, voa...vou andando.
Aprecio a sinuosa camada de ar que me toca os poros e desliza.
A rua imunda onde piso não posso beijar, que seja o ar.
E muitas dessas vezes, páro, no meio do caminho, assim...
parado mesmo e começo a pensar. Penso um pouco. E quando realmente
me concentro, o pensar já não está lá e eu só percebo quando volto
ao que escrevo. Apesar de tudo, isso aqui é um puta soco de realidade.
Pensando bem.
domingo, 20 de março de 2011
- luxo de pobre, o que é?
Onde sou?
Quem estou?
O fascínio que mofou
Dentro de mim pelo amigo,
Jura por toda palavra que anda
Assim assim com o bicho-grilo lá
da praça dos brinquedos
E me disseram que não podia brincar
Que eu era muito velho para brincar
Me tomaram os sonhos, me tiraram na marra
Todos os meus apegos e amarras
Até mesmo eu, com o luxo do protesto,
Perturbei outra vida. Uma aranha tímida
Negona era safada, vez que eu soprava, e soprava
E soprava a bichinha e ela não caía
Vez que soprava muito forte, ela escorregava
Soltava sua teia e voltava
Era como se pudesse voar
E não soubesse como
Disseram que a vida era difícil
Que o homem precisa lutar, sofrer, se sacrificar
Precisamos de quê?
Diga algum folgado, menino ou menina, seja daqui ou de fora
Me fale dos meus desejos
Conte-me, vamos, dos seus novos beijos
Tenho muita vontade de seguir
Cada um tem seu luxo.
Até que me permito muitos
Como se esse "até" significasse pensar
...
quarta-feira, 9 de março de 2011
E dedico a você
Eu tiro fotos
Ando nas ruas
Vou olhando como o vento me passeia
Um passarinho
Cheio de cores
Me acena, me entende
E se vai.
Sentimental eu me vejo
Com um doce arrepiar
De subir no amor
E sorte grande eu tirei
Quando começa o som desse mister
Eu me repouso no abraço de mim com o tudo
E entendo, John, quando você diz com o seu instrumento
Que não era hora de tocar nada
Outras,
Todas as horas.
Doze horas de espírito
Tocando as nuvens de som.
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Alegria!
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Que seja decretado o fim dos problemas.
Que a vida seja de alegrias, pequenas.
Grandes alegrias que fazem da vida uma grande celebração.
Que o riso seja a ordem maior.
Óleo que lubrifica as ferragens que giram o mundo.
Que as religiões busquem a felicidade.
Esqueçam as culpas, os pecados, os sacrifícios, o suicídio.
Àqueles que vão às igrejas, não esqueçam a oração do dia.
Tragam consigo, para fora do templo, aquela magia.
Vamos rir! Trazer por semelhança, toda a riqueza de vida.
Que o fim dos problemas seja a nova ordem.
Que o meu espírito se acalme em busca de um novo eu.
E que todas as cores pratiquem a paz, e eu vou buscá-la.
Que eu seja orientado pelas forças do mundo
No melhor caminho, nas escolhas de rumo.
Que o amor seja viável.
Que a dor exista, para que nos lembremos,
Mas que seja branda e sem castigos extremos.
Que o amor seja a nova ordem.
Que seja decretada a licença para se amar em paz.
A licença irrevogável para quem ama de verdade.
Que o decreto seja válido, não na teoria,
Pois assim não se fará valer, mas na prática.
A prática do querer. Da liberdade. Do amor.
Alegria!
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