.
Ando amando
Tanto que cego
Pela clara luz que canto
Um elo de mero encanto
Total infinito enquanto
Loucos num castelo
(de areia?)
escritos verídicos e inverídicos, imagens da vida e um espaço livre. [ considere ler de trás pra frente ]
domingo, 31 de maio de 2009
Obrigado, alegria, por um pouco de tristeza.
.
Obrigado
Por me trazer de volta ao pó
Por me trazer de volta a consciência
Da insignificância que trago em meu corpo
E ele próprio, o corpo, traz em si sua insignificância
Irremediável.
Obrigado
Por me fazer sentir que sou nada
Ou praticamente nada, pois se quisesse
Falaria comigo, ou pelo menos faria algum tipo
De comunicação. Melhor, teria vontade de fazer uma
Comunicação, mas começando a perceber onde há contrastes.
Obrigado
Me joga no mais baixo nível da cadeia–pirâmide humana,
Onde me escondo no meio de outros nomes que você já reconhece
Há tanto tempo que não lembra mais de outras datas, em que você se mostrava
Linda, mas longe, parecia que não queria muito nada além do que alguma companhia
Obrigado
Por me olhar e me absorver com o olhar
Carregando eu inteiro pra dentro de você, mas sem
Que você permita, ou seja, um estupro em alguma dimensão.
Desde que a palavra seja livre, podemos concluir o abuso de tal ilusão.
Obrigado,
Alegria, por um pouco de tristeza.
.
Obrigado
Por me trazer de volta ao pó
Por me trazer de volta a consciência
Da insignificância que trago em meu corpo
E ele próprio, o corpo, traz em si sua insignificância
Irremediável.
Obrigado
Por me fazer sentir que sou nada
Ou praticamente nada, pois se quisesse
Falaria comigo, ou pelo menos faria algum tipo
De comunicação. Melhor, teria vontade de fazer uma
Comunicação, mas começando a perceber onde há contrastes.
Obrigado
Me joga no mais baixo nível da cadeia–pirâmide humana,
Onde me escondo no meio de outros nomes que você já reconhece
Há tanto tempo que não lembra mais de outras datas, em que você se mostrava
Linda, mas longe, parecia que não queria muito nada além do que alguma companhia
Obrigado
Por me olhar e me absorver com o olhar
Carregando eu inteiro pra dentro de você, mas sem
Que você permita, ou seja, um estupro em alguma dimensão.
Desde que a palavra seja livre, podemos concluir o abuso de tal ilusão.
Obrigado,
Alegria, por um pouco de tristeza.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
Decadência.
Decadência.
O melhor momento para se escrever é na decadência. Na decadência. Sabe um corpo caindo? imagina só. Sente-se o peso, o volume de cada parte do corpo. Pesam os pés com seus dedos, pernas com suas duas partes, joelho separando, também caindo. Esgotado. Muito trabalho. Pesa a cabeça, o tórax, a mente não está se dando bem nas investidas sobre o corpo. E o corpo cai. Cai. Cai um corpo que precisa cair para repousar. Há de se guardar algum lugar para o aquietamento do corpo, digo articulações músculos, e pálpebras. É o melhor momento para se escrever, o decadente. O decadente escreve melhor. O decadente é melhor. Gostamos do decadente, nos alimenta de ração, somos ingeridos pela multidão de desabamentos vivos que nos entrepassam. Fantasmas. Tenho convivido com eles. Não em mim. Tenho. Com eles. Não vejo, mas vejo. Em momento de lucidez, caminhamos lado a lado. Mas o momento de escrever é o momento sublime do dia. É a visita ao violento mundo vermelho sangue, gritos de horror e sadismo brutal, torturas infinitas. É bonito. O momento de escrever. De escrever. De ter de criar, para exercitar a descida. Para exercitar a possibilidade. De criar. Decair. Dissecar rupturas no tempo/espaço fingindo estar fazendo um bem grande a alguém, nem pra si mesmo. Imagina aos outros que não sabem de nada. Decadência é o que me faz continuar. Me faz. Sim, faz. Continuar. Me faz continuar com isso. Com isso. O que é isso? Isso é isso. Momento de isso. Decadente. Década. Dez anos. Dente. Ossos localizados dentro da boca, e não serei mais profundo que isso. Momento do corpo que cai. Um corpo que cai. Cai como sempre deve cair o que é acionado pela gravidade. É lei. Podemos abolir a lei da gravidade. Que tal? Sairíamos da decadência,
Subindo, subindo, subindo, subindo, subindo, elevando, elevando, elevando, elevador, elevação, elevação, elevar, levar ao bom. Alto. De fino trato. Padrão. Mais. Sair da decadência. Ser um modelo. Modelo. Ser. Não ser. Modelo. Não escrever. Reter. Pesa cada vez mais. Guardando tudo, o peso aumenta. Dê. Saia da decadência. Flutuar. Vagar equilibrado entre o cima e o baixo do ar. É o momento de escrever. E o de parar de ser. Decadência quando não terei mais tristezas? Conflitos? Terei. Teremos. Conflitos. Teremos. A fonte, presta atenção, a fonte. Não se esgota. Esgoto. Não vai pro esgoto.
A fonte é de coisa fina. Água limpa, e eu lá sou homem de. Sair da decadência. O momento de escrever deve ser o de elevar, subir, tatear as estrelas. Deve ser o momento de se arrastar com a maior parte do corpo pelo chão de terra e comer a terra. Elevar. Decair.
O melhor momento para se escrever é na decadência. Na decadência. Sabe um corpo caindo? imagina só. Sente-se o peso, o volume de cada parte do corpo. Pesam os pés com seus dedos, pernas com suas duas partes, joelho separando, também caindo. Esgotado. Muito trabalho. Pesa a cabeça, o tórax, a mente não está se dando bem nas investidas sobre o corpo. E o corpo cai. Cai. Cai um corpo que precisa cair para repousar. Há de se guardar algum lugar para o aquietamento do corpo, digo articulações músculos, e pálpebras. É o melhor momento para se escrever, o decadente. O decadente escreve melhor. O decadente é melhor. Gostamos do decadente, nos alimenta de ração, somos ingeridos pela multidão de desabamentos vivos que nos entrepassam. Fantasmas. Tenho convivido com eles. Não em mim. Tenho. Com eles. Não vejo, mas vejo. Em momento de lucidez, caminhamos lado a lado. Mas o momento de escrever é o momento sublime do dia. É a visita ao violento mundo vermelho sangue, gritos de horror e sadismo brutal, torturas infinitas. É bonito. O momento de escrever. De escrever. De ter de criar, para exercitar a descida. Para exercitar a possibilidade. De criar. Decair. Dissecar rupturas no tempo/espaço fingindo estar fazendo um bem grande a alguém, nem pra si mesmo. Imagina aos outros que não sabem de nada. Decadência é o que me faz continuar. Me faz. Sim, faz. Continuar. Me faz continuar com isso. Com isso. O que é isso? Isso é isso. Momento de isso. Decadente. Década. Dez anos. Dente. Ossos localizados dentro da boca, e não serei mais profundo que isso. Momento do corpo que cai. Um corpo que cai. Cai como sempre deve cair o que é acionado pela gravidade. É lei. Podemos abolir a lei da gravidade. Que tal? Sairíamos da decadência,
Subindo, subindo, subindo, subindo, subindo, elevando, elevando, elevando, elevador, elevação, elevação, elevar, levar ao bom. Alto. De fino trato. Padrão. Mais. Sair da decadência. Ser um modelo. Modelo. Ser. Não ser. Modelo. Não escrever. Reter. Pesa cada vez mais. Guardando tudo, o peso aumenta. Dê. Saia da decadência. Flutuar. Vagar equilibrado entre o cima e o baixo do ar. É o momento de escrever. E o de parar de ser. Decadência quando não terei mais tristezas? Conflitos? Terei. Teremos. Conflitos. Teremos. A fonte, presta atenção, a fonte. Não se esgota. Esgoto. Não vai pro esgoto.
A fonte é de coisa fina. Água limpa, e eu lá sou homem de. Sair da decadência. O momento de escrever deve ser o de elevar, subir, tatear as estrelas. Deve ser o momento de se arrastar com a maior parte do corpo pelo chão de terra e comer a terra. Elevar. Decair.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Todos os tempos são sombrios.
Todos são difíceis, para os amantes.
A vida não é fácil para o artista.
Também não é fácil para o carteiro.
Não é fácil para o síndico, carpinteiro
Padre, peão, operador de telemarketing.
Em todo canto há violência.
Violência, agressões, aqui, eu,
Sabe-se lá quantos de nós já apanhamos.
A violência do dia a dia, do alô no metrô.
Principalmente quando o sinal é de
Repente cortado.
Há pedintes, os que chegam ao desespero
Ou ator ao extremo, que em sua história
Se funde, e Stanislavski aplaudiria.
Mas alguém deve quebrar o encanto,
Mostrar que o nosso lugar nos influencia,
O nosso tempo nos influencia.
E são tempos sombrios, estes em que vivemos.
E será sempre assim.
Todos são difíceis, para os amantes.
A vida não é fácil para o artista.
Também não é fácil para o carteiro.
Não é fácil para o síndico, carpinteiro
Padre, peão, operador de telemarketing.
Em todo canto há violência.
Violência, agressões, aqui, eu,
Sabe-se lá quantos de nós já apanhamos.
A violência do dia a dia, do alô no metrô.
Principalmente quando o sinal é de
Repente cortado.
Há pedintes, os que chegam ao desespero
Ou ator ao extremo, que em sua história
Se funde, e Stanislavski aplaudiria.
Mas alguém deve quebrar o encanto,
Mostrar que o nosso lugar nos influencia,
O nosso tempo nos influencia.
E são tempos sombrios, estes em que vivemos.
E será sempre assim.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Beira da Estrada
.
Falo em liberdade.
Estou preso.
Eu posso voar.
Falo em liberdade, não sei falar.
Sei sair. Quero com você.
Vamos beber a madrugada.
Vamos embora. Nunca mais voltar.
Virar um quadro.
Dois bêbados, de mãos dadas na beira da estrada
De madrugada na Barra.
As luzes estarão sempre brilhando enquanto houver noite.
Como naquelas fotos em que as luzes fazem trilhos.
Não aparecemos nas fotos.
Sombras incertas, sem história.
Sem família, sem dinheiro, sem cama, sem roupa.
Falo em liberdade.
Bebo à liberdade.
Estou preso.
Mas tenho as chaves.
Diz se quer sair ou quer ficar.
Eu posso voar. E você?
Seu ônibus vem. Não, não vá.
Foi.
Caminho como sempre sozinho.
Livre.
Mas sozinho.
(07/11/2006)
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Falo em liberdade.
Estou preso.
Eu posso voar.
Falo em liberdade, não sei falar.
Sei sair. Quero com você.
Vamos beber a madrugada.
Vamos embora. Nunca mais voltar.
Virar um quadro.
Dois bêbados, de mãos dadas na beira da estrada
De madrugada na Barra.
As luzes estarão sempre brilhando enquanto houver noite.
Como naquelas fotos em que as luzes fazem trilhos.
Não aparecemos nas fotos.
Sombras incertas, sem história.
Sem família, sem dinheiro, sem cama, sem roupa.
Falo em liberdade.
Bebo à liberdade.
Estou preso.
Mas tenho as chaves.
Diz se quer sair ou quer ficar.
Eu posso voar. E você?
Seu ônibus vem. Não, não vá.
Foi.
Caminho como sempre sozinho.
Livre.
Mas sozinho.
(07/11/2006)
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sexta e sábado
.
1- Não se esqueça de que hoje é sexta, e hoje é sábado.
2- Como?
1- Claro. Vive.
2- Ah sim, isso eu faço, de fato.
1- Como?
2- Vivendo.
1- Eu vi.
2- Como?
1- Vendo.
2- O que é?
1- Um canivete.
2- Muito útil, um canivete.
1- É suíço. Tem nove funções.
2- Ta bom, quanto custa?
1- Ainda não pensei sobre isso. Me dê algum tempo.
(pausa)
2- Pronto, quanto custa?
1- Quarenta e cinco reais.
2- Me parece bem caro.
1- É o justo. Cheguei a esta conclusão pensando que cada função vale 5 reais, o que é até barato se formos analisar mais profundamente o assunto.
2- Hum...não entendo.
1- Se você fosse comprar separadamente cada utensílio que esse canivete carrega, gastaria, para cada um deles, mais do que cinco reais, sem dúvida.
2- Ah sim. É possível.
1- Hoje já é sábado, não se esqueça de seu compromisso.
2- Não gosto de ser pressionado.
1- Estou tentando te ajudar.
2- Obrigado. Agora me deixa em paz.
1- Sim. (fica parado)
2- Quero dizer sozinho.
1- Então não se esqueça do dia de hoje.
2- Ah, mas que merda! Agora ela chegou e vai começar a falar daquelas coisas chatíssimas que não me deixam concentrar no meu trabalho!
1- Eu faço companhia a ela.
2- Ah faz, sim. Você acha que eu sou idiota?
1- Acho.
2- Eu me casei.
1- E teve filhos.
2- E daí?
1- Você deu continuidade à espécie humana.
2- (espantado) Nossa...não tinha pensado nisso dessa forma.
1- São crianças.
2- São crianças.
1- E nós, somos adultos?
2- Adultos?
1- Podemos brincar.
2- Sempre podemos brincar.
1- Está aí uma coisa que se deve saber fazer, mesmo no mar de lama.
2- No “fundo dos mares”.
1- Como o pato selvagem.
2- Bem assado no forno, com bom tempero.
1- Ainda vai demorar. É um tipo que não se entrega fácil.
2- Então podemos jogar.
1- À morte?
2- Morte?
1- Dinheiro eu não tenho.
2- E morte?
1- Nunca.
2. Então não podemos jogar.
1- É, boa idéia.
2- Vamos jogar à vida?
1- Temos?
2- Temos?
1- Podemos brincar.
2- Sempre podemos brincar.
1- Se jogamos a vida, ficamos sem ela?
2- Mas é claro. Essa é a idéia!
1- Então será o jogo da vida será como o jogo da morte.
2- Mas temos vida?
1- E morte?
2- Tomara que chegue logo um novo tempo.
1- Eles demoram.
2- Tomara.
1- E quando chegam.
2- Que chegue logo.
1- Já estamos mortos.
2- Um novo tempo.
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1- Não se esqueça de que hoje é sexta, e hoje é sábado.
2- Como?
1- Claro. Vive.
2- Ah sim, isso eu faço, de fato.
1- Como?
2- Vivendo.
1- Eu vi.
2- Como?
1- Vendo.
2- O que é?
1- Um canivete.
2- Muito útil, um canivete.
1- É suíço. Tem nove funções.
2- Ta bom, quanto custa?
1- Ainda não pensei sobre isso. Me dê algum tempo.
(pausa)
2- Pronto, quanto custa?
1- Quarenta e cinco reais.
2- Me parece bem caro.
1- É o justo. Cheguei a esta conclusão pensando que cada função vale 5 reais, o que é até barato se formos analisar mais profundamente o assunto.
2- Hum...não entendo.
1- Se você fosse comprar separadamente cada utensílio que esse canivete carrega, gastaria, para cada um deles, mais do que cinco reais, sem dúvida.
2- Ah sim. É possível.
1- Hoje já é sábado, não se esqueça de seu compromisso.
2- Não gosto de ser pressionado.
1- Estou tentando te ajudar.
2- Obrigado. Agora me deixa em paz.
1- Sim. (fica parado)
2- Quero dizer sozinho.
1- Então não se esqueça do dia de hoje.
2- Ah, mas que merda! Agora ela chegou e vai começar a falar daquelas coisas chatíssimas que não me deixam concentrar no meu trabalho!
1- Eu faço companhia a ela.
2- Ah faz, sim. Você acha que eu sou idiota?
1- Acho.
2- Eu me casei.
1- E teve filhos.
2- E daí?
1- Você deu continuidade à espécie humana.
2- (espantado) Nossa...não tinha pensado nisso dessa forma.
1- São crianças.
2- São crianças.
1- E nós, somos adultos?
2- Adultos?
1- Podemos brincar.
2- Sempre podemos brincar.
1- Está aí uma coisa que se deve saber fazer, mesmo no mar de lama.
2- No “fundo dos mares”.
1- Como o pato selvagem.
2- Bem assado no forno, com bom tempero.
1- Ainda vai demorar. É um tipo que não se entrega fácil.
2- Então podemos jogar.
1- À morte?
2- Morte?
1- Dinheiro eu não tenho.
2- E morte?
1- Nunca.
2. Então não podemos jogar.
1- É, boa idéia.
2- Vamos jogar à vida?
1- Temos?
2- Temos?
1- Podemos brincar.
2- Sempre podemos brincar.
1- Se jogamos a vida, ficamos sem ela?
2- Mas é claro. Essa é a idéia!
1- Então será o jogo da vida será como o jogo da morte.
2- Mas temos vida?
1- E morte?
2- Tomara que chegue logo um novo tempo.
1- Eles demoram.
2- Tomara.
1- E quando chegam.
2- Que chegue logo.
1- Já estamos mortos.
2- Um novo tempo.
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Há
.
Há, realmente, muitos problemas.
Falta-se água.
Estima-se que em pouco tempo viveremos no caos.
Venho ouvindo isso desde que sou criança.
Quando eu não mais estiver aqui,
Você que por um pseudo-acaso disto tomar nota,
Pense bem: pense muito bem e vai saber porque não
Estamos dando muito certo.
Sou jovem, hoje.
Amanhã silencio.
Vamos lutando e
Há, realmente muitos problemas
De ordens diversas, eu que listarei?
Contribuo.
Às vezes não estou em nada.
Não me apresento.
A humanidade é frágil.
É difícil prever se duraremos mais que isto.
Todos, ou cada um,
Parte desta corrida de um lugar para outro mesmo lugar.
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Há, realmente, muitos problemas.
Falta-se água.
Estima-se que em pouco tempo viveremos no caos.
Venho ouvindo isso desde que sou criança.
Quando eu não mais estiver aqui,
Você que por um pseudo-acaso disto tomar nota,
Pense bem: pense muito bem e vai saber porque não
Estamos dando muito certo.
Sou jovem, hoje.
Amanhã silencio.
Vamos lutando e
Há, realmente muitos problemas
De ordens diversas, eu que listarei?
Contribuo.
Às vezes não estou em nada.
Não me apresento.
A humanidade é frágil.
É difícil prever se duraremos mais que isto.
Todos, ou cada um,
Parte desta corrida de um lugar para outro mesmo lugar.
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da convivência.
Todos os dias pego um ônibus dirigido pelo mesmo motorista. O horário é calmo, quase não há outros passageiros. Já faz alguns meses, mas até hoje não nos cumprimentamos, eu e o motorista.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
O meu vizinho
O meu vizinho tem um despertador que soa todos os dias às 5:12 da manhã.
Quando o despertador toca,
Imediatamente penso:
- Merda! Vou dormir.
Quando o despertador toca,
Imediatamente penso:
- Merda! Vou dormir.
domingo, 17 de maio de 2009
Da doação.
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Artista não tem moral.
Poeta não tem pudor.
Eu, como artista, em geral
Tenho é muito suor
Que escorre pela testa
E faz lagoas e torna-se frio.
Eu moro em minha festa.
Meu néctar eu bebo no Rio.
Ele escorrega com a gravidade
Que, tamanha a força, não se sente.
Olha que disparidade!
O artista não mente.
O artista mente em verdade.
Ele mente nela, e não por bordas.
Ele se priva de intimidade
Para dar-se ao mundo, à prova.
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Artista não tem moral.
Poeta não tem pudor.
Eu, como artista, em geral
Tenho é muito suor
Que escorre pela testa
E faz lagoas e torna-se frio.
Eu moro em minha festa.
Meu néctar eu bebo no Rio.
Ele escorrega com a gravidade
Que, tamanha a força, não se sente.
Olha que disparidade!
O artista não mente.
O artista mente em verdade.
Ele mente nela, e não por bordas.
Ele se priva de intimidade
Para dar-se ao mundo, à prova.
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
ilha deserta...
Como se não bastasse ir pra uma ilha deserta. Como se não bastasse esta ilha ser no Pacífico. Como se não bastasse que sejam 10 anos. Ainda tenho o privilégio de levar cinco coisas. É demais pra mim! Já estou lá e esqueci as minhas coisas!
Mandem por sedex uma boa faca, isqueiros, violão, sementes de cannabis e um dessalinizador de água pelamordedeus!
Tem gente que tá levando mãe, pai, irmão, nora, namorado, cachorro... Mas que ilha deserta é essa?!
papo light...
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Que belo paradoxo:
Amanhã, enquanto cortam a energia elétrica da minha casa, por falta de pagamento, minha família se esbalda de comida. É porque sem energia a geladeira não funciona. A comida estraga. Temos que comer muito, e sem demora. Festa dark lá em casa!
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Que belo paradoxo:
Amanhã, enquanto cortam a energia elétrica da minha casa, por falta de pagamento, minha família se esbalda de comida. É porque sem energia a geladeira não funciona. A comida estraga. Temos que comer muito, e sem demora. Festa dark lá em casa!
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
um homem na fotografia
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Tem gente que vai pra Europa.
Muito bacana.
Fotografias, sorrisos inflados,
Passeios lindos, em carruagens.
Passeiam por várias cidades, países...
A proximidade entre eles ajuda o transporte.
Pegam um trem, estão no outro país com praticidade.
E as ruas são tão belas.
Tudo parece um quadro de um mundo perfeito.
Até o momento em que percebo, no canto da fotografia,
Um homem.
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Tem gente que vai pra Europa.
Muito bacana.
Fotografias, sorrisos inflados,
Passeios lindos, em carruagens.
Passeiam por várias cidades, países...
A proximidade entre eles ajuda o transporte.
Pegam um trem, estão no outro país com praticidade.
E as ruas são tão belas.
Tudo parece um quadro de um mundo perfeito.
Até o momento em que percebo, no canto da fotografia,
Um homem.
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Uma pausa
Uma pausa
Hoje poderia não acontecer nada
Silêncio da tarde
Reflexo do sol sem roupas
Queimando calmo e cego
Os quadrados por onde atravessa
O cão que late uma, duas, quatro vezes
E pára. O não-chegar das pessoas, vem e vai
Sentinela do prazer do fluxo
E mais: sem relógios
Sem o tempo que nos cerca
O sol parado, a Terra parada, o dia em finitude
Hoje poderia não acontecer nada
Nem o cantar do pássaro que treina
Suave o hino forte de mais tarde
Nem o digníssimo trabalho
De fazer o que não se quer na hora
em que não se quer
Dia suspenso!
Hoje poderia não acontecer nada
Silêncio da tarde
Reflexo do sol sem roupas
Queimando calmo e cego
Os quadrados por onde atravessa
O cão que late uma, duas, quatro vezes
E pára. O não-chegar das pessoas, vem e vai
Sentinela do prazer do fluxo
E mais: sem relógios
Sem o tempo que nos cerca
O sol parado, a Terra parada, o dia em finitude
Hoje poderia não acontecer nada
Nem o cantar do pássaro que treina
Suave o hino forte de mais tarde
Nem o digníssimo trabalho
De fazer o que não se quer na hora
em que não se quer
Dia suspenso!
Goes with it
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E vai brilhando
A listra azul, it’s blue.
And the rain comes falling
Between the days that get old.
E as ruas vazias,
Folhas de outono,
Pintam o chão yellow gold
E a paisagem goes with it.
E assim, vou dizendo
O que não devo dizer
E assim ficando fraco,
Fico fraco, fico assim e cresço
Entre tu e outras sedes.
E me perco no meu próprio desejo
De não saber poder sentir isso por você
E talvez não querer que vá embora nunca.
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E vai brilhando
A listra azul, it’s blue.
And the rain comes falling
Between the days that get old.
E as ruas vazias,
Folhas de outono,
Pintam o chão yellow gold
E a paisagem goes with it.
E assim, vou dizendo
O que não devo dizer
E assim ficando fraco,
Fico fraco, fico assim e cresço
Entre tu e outras sedes.
E me perco no meu próprio desejo
De não saber poder sentir isso por você
E talvez não querer que vá embora nunca.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
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Como se escreve ouvindo música eu não sei, mas devo ser de algum modo influenciado pela música, que nos arrebata. A música entra, invade nosso corpo e toma conta sem pedir licença. É das artes a mais brutal. Escrever eu não digo muito sobre, pois não tenho gabarito para teorizar uma coisa que me vomita no branco e me faz gozar junto do que não está preparado para ser algo de suma importância, pois a única não veio. É, não reparo e largo a mão, ou estocando dedos no teclado quebrado, barulhento. Ouvindo a música que rasga as minhas fronteiras de mim mesmo, meu próprio corpo, me atravessa, atravessa e me faz tomar posição, escolher o que decidir, escolher. Poderia virar o rosto, não ver, impossível, não toco, não sinto por tato, sem cheiro definido, não escolho, uma tortura ou prazer. E sobrevivemos, nos envolvemos, talvez não, também é interessante. Escrevo de jeito que não liga e escuta o som que tá muito bom!
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Como se escreve ouvindo música eu não sei, mas devo ser de algum modo influenciado pela música, que nos arrebata. A música entra, invade nosso corpo e toma conta sem pedir licença. É das artes a mais brutal. Escrever eu não digo muito sobre, pois não tenho gabarito para teorizar uma coisa que me vomita no branco e me faz gozar junto do que não está preparado para ser algo de suma importância, pois a única não veio. É, não reparo e largo a mão, ou estocando dedos no teclado quebrado, barulhento. Ouvindo a música que rasga as minhas fronteiras de mim mesmo, meu próprio corpo, me atravessa, atravessa e me faz tomar posição, escolher o que decidir, escolher. Poderia virar o rosto, não ver, impossível, não toco, não sinto por tato, sem cheiro definido, não escolho, uma tortura ou prazer. E sobrevivemos, nos envolvemos, talvez não, também é interessante. Escrevo de jeito que não liga e escuta o som que tá muito bom!
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assombro.
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O assombro do ator.
Está mais lúcido agora?
Calma, viajante, não vá antes que eu me despeça.
Já se foi, e vaga pelas ondas calmas. Viajante.
No fluxo do mar,
No centro do oceano,
Existe música.
Um lamento de vozes, tambores, cordas, piano.
E ainda arrumamos tempo para não fazer nada.
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O assombro do ator.
Está mais lúcido agora?
Calma, viajante, não vá antes que eu me despeça.
Já se foi, e vaga pelas ondas calmas. Viajante.
No fluxo do mar,
No centro do oceano,
Existe música.
Um lamento de vozes, tambores, cordas, piano.
E ainda arrumamos tempo para não fazer nada.
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