escritos verídicos e inverídicos, imagens da vida e um espaço livre. [ considere ler de trás pra frente ]
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
o próximo minuto não é.
Sabia pouco a respeito do próximo minuto.
Quase não vacilava sobre o presente, pois sabia.
Poderia ver entre todos os furos do mundo.
Poros nivelados pelos tipos infinitos de direção.
E o relógio era só um objeto decorativo.
As horas não existiam. Elas não existem, de fato.
Fato é que não há fatos. Apenas o talvez que escrevo.
Dançam em linhas retas, as palavras de gosto azedo.
Não queria ver nascer o dia, pois o claro incomodava.
Iria dormir, como sempre com o abrir do metrô.
Grades que fazem um barulho de manhã ou noite,
Dependendo do grau de sobriedade do sujeito.
Manhã de sono, sonhos com nozes.
Comidas leves, medidas sérias.
Tomadas chocadas, sadias, elétricas
E todas as frestas existentes nas portas entreabertas.
Como o meu coração entreaberto, por onde entra
Sangue de cor vemelha, e sai de cor azul.
Os suspiros que partem da visão, do olfato, enfim,
dos sentidos cinco e talvez um pouco mais além disso.
.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Complete
Era mais aquilo que já foi um dia,
Satisfazia mais os meus desejos.
Em sua frente nua e a negativa cortada.
Impulsos o que são?
Muito bom poder
Dizer não
Se quer algo.
Não,
Não.
Flagrava-se.
Meus?
É.
Quando.
.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
uma noite de inverno
.
É uma noite como qualquer outra,
Mas vejo as coisas que nunca penso
Quando geralmente venho aqui.
Penso na origem do que sinto.
E quando olho em volta,
Vejo mesas e penso que alguém fez trabalho pesado ali.
O mesmo vale para os ferros entortados que fazem base
Para a madeira da carteira de uma sala de aula.
É noite de inverno e faz mesmo um certo frio
Do qual me protejo deixando as janelas fechadas.
Se o frio não viesse acompanhado por mosquitos,
Certamente eu abriria a janela toda e sentiria o cheiro
Da rua fria, numa noite qualquer de inverno.
Faz tempo, meu velho, que não te vejo assim.
Está bem. Enxuto, mas ágil. Como o tempo age!
Fazemos limpezas periodicamente e por isso
Você agora está novo em folha.
E não me venha com outros problemas chatos
De carregar peso nos braços andando por todos os lados.
Da Tijuca ao Centro, e de lá para outro lugar e a gangorra
Balança como uma dança capitalista marcando preços
Com etiquetas de várias cores e modelos.
Lançamentos, novas tecnologias, velhas teorias
E os mesmos preços risíveis de sempre.
Eu estava imerso em algum outro lugar
Por trás disso tudo, mas veio alguém, invadiu meu mundo,
E eu de repente me distraí. Perdi o tema.
Caiu o mote. Caiu o homem vivo.
.
sábado, 8 de agosto de 2009
Sinfonias de Lebret
E não há também muitas em quem confiar. Dizem que sim, que sim, que sim, mas é não, não, não.
Sem problemas. Confusas, muitos problemas. Não estão ocupadas nunca. No entanto, sempre atarefadas.
E eu observo o desfile sem querer precisar ter o que vejo. Ficou distante. Um olho de vidro.
Ver os bichos no zoológico, macaco amarelo, gigante pato, adormecido javali do mato.
Free jazz sound a little far away from the ventanias que ocorrem ao entardecer de um dia num campo aberto.
Branca. O pelo negro me avança e eu perco a dança. E como sempre, tudo se mistura num vazio igual.
Cada lado tem o seu valor, sendo que os lados maiores têm, como de praxe, maior valor.
E sai. Assim, num repente, vento que traz melodias passadas e faz lembrar de coisas bonitas que foram ditas.
Não foram vividas, foram apenas sonhos, sonhos, sonhos, abrindo a noite para o sono.
E quase não se dormia mais lá, o que acontecia? Algum despertar sotur-noturno?
E se fosse, seria mágico. Seria magia, assim como nunca olhamos em nossa volta o que verdadeiramente há.
Queremos gostar, mas simplesmente perdemos a força. Nós quem? Eu estou como um vulcão, a ponto de explodir.
Não vou e nem quero, muito menos preciso explicar o que escrevo aqui, ou em qualquer lugar. E eu faço.
Quando digo que faço – é como um desafio – eu vou lá e faço. Se não fizer é porque estava certo.
Neste mundo, como seres humanos, não pode haver a mínima dúvida em nossos atos. É apontar e atirar. E o fenômeno chamado tempo não permite que se atire para todos os lados. Estamos idealmente cercados.
.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
de madrugada criança
é claro que estar aqui é incômodo.
meu trabalho é não pensar nisso.
enquanto as luzes vão se esvaindo,
meu corpo recebe um esforço tranquilo.
silêncio necessário pelo costume da casa,
é feito como o último pedido do herói.
para manter-me aqui, ativo na voz,
estive contraindo e flexionando muitos músculos.
é cansativo tanta dedicação
para sentir-me vivo em algum coração.
.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Jogo 1: Adivinhe o Movimento das Pessoas no Poema
Um homem. Um desejo.
Três mulheres. Três desejos.
Um homem. Dois olhos.
Três mulheres. Três bundas.
Um homem. Um pênis.
Três bundas. Seis nádegas.
Três mulheres. Um amor.
Um homem. Um destino.
Três mulheres. Três destinos.
Um homem. Uma bunda.
Uma bunda. Duas nádegas.
Duas nádegas. Seis nádegas.
(tenho reparado meu tom pornográfico de ultimamente)
.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Desconstrói, constrói.
Digo o que você não quer ouvir
Um enorme eclipse pros seus ouvidos
Que desde o seu nó de umbigo
Alguma coisa acontece ao digerir
Palavras que te dobram metade
Arrancam de você a verdade
Sem que queira saber de nada
Olha para dentro de sua atividade
As eternas corridas pela montanha
Nunca aconteceram, moça má
Que deve haver algo muito estranho
No final de tudo isso a encontrar
Herói do amor inabalável?
Provavelmente um covarde calado
Muito menos que outro tipo, afinal
Aquele que conquista e depois larga na pista
E o sexo de um céu católico breu
Não custa a dizer: não sou novidade
Mantém, como menina má que é, sua castidade
Para ninguém falar que comeu
Este é o pior tipo de vagabunda:
Aquela que não joga fora o desejo
Retém toda a vontade, dá beijo
Mas não dá buceta nem bunda
Este é o pior tipo de rima:
Vagabunda com bunda
Desejo com beijo
Pena eu não ter uma boa prima
Com a boca carnuda
Com as pernas gostosas
Para eu exercitar meus bíceps
Com pica grossa
Não estou sendo grosseiro
Você parece querer interpretar
Tudo de uma maneira leviana
Como se estivesse sempre numa cama
Nada aqui é o que parece ser
Inventamos mentiras para sobreviver
No caos dos olhos humanos distantes
E seus beijos cegos itinerantes
Sou na tua vida um incômodo
Que gostaria (que horror) de ser cômodo
Da casa do seu ser, enfim, seu corpo
Atrapalhado poeta - apaixonado louco
.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Organização
Eu me organizo dentro da minha bagunça.
Por que arrumaram a minha bagunça?
É nela que encontro tudo o que preciso,
Na minha bagunça que eu conheço.
É melhor estar tudo uma bagunça enorme
E eu encontrar, saber onde cada coisa está,
Do que ter tudo muito organizado
E não encontrar nada por estar tudo espalhado.
É na bagunça que eu vou catando cada peça
E tento me construir de forma equilibrada.
Não, não organize as minhas coisas ao seu modo
Você já reparou no tempo que eu demoro?
(É difícil encontrar o que preciso.)
.
domingo, 19 de julho de 2009
selvageria.
Vou saindo pelas beiradas, enquanto você ta distraída com suas preocupações maiores, lazeres, ou seja lá o que for, suas prioridades, enfim. Já bebi um pouco demais e se algumas vezes, na sua frente, peguei o violão e toquei alguma coisa, acredite: foi só para ter algo familiar por perto. Pura defesa. Agradeço pelas noites mágicas, sorrisos inesquecíveis, suspense enigmático, amor sem coragem. Falha em algum lugar da comunicação. Não repare se eu não falar contigo em algum momento de pressa. É que o tempo empurra a todos, como esteira rolante. Bem que no fundo eu tenho um fio de bondade, de divindade, quem sabe. Sei olhar para uma pessoa lá no fundo. Onde poucos sabem chegar. É uma espécie de dom, eu diria. Não existe voluntário para isto, é como se eu fosse escolhido. Se me faz bem, fica a dúvida.
Até logo, nos vemos algumas vezes ainda. Não sei como. Veremos. Espero que aprenda muito bem e siga no caminho da verdade. Sabe de qual estou falando? Teremos crises de identidade. Não? Pois que seja qualquer tipo de confusão sobre o que nos vale. Eu não posso mais acumular dúvidas, e hoje tenho poucas. Tive uma queda recente, mas como um tigre, meus músculos incharam na força de um levantar pró- cardíaco. Os batimentos aumentaram, adrenalina, sentimento de competitividade, testosterona, um tigre. Fique aí na mente este sentimento de ser muito bom e especial, para que eu seja mimado e siga o caminho do que acho certo para mim e para o que chamo de coração.
.
sábado, 18 de julho de 2009
'Cause this is Thriller!

.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Toca.
Ahhh... Eu sei que você me ama...
Vem aqui, deixa eu te apertar e te lamber.
Vem que eu sei, você não me engana.
Tá na cara que você me ama.
Quer se fazer de gostosa, né?
Porra, eu já te dou valor demais,
não faz essa sacanagem, mulher...
Só falta eu te agarrar e te comer.
Pra que?
Pra acabar com a putaria.
Com a merda que você fez aqui comigo,
No órgão mais sangrento.
Sim, sim, claro! Claro!
Vai dizer que eu tô começando a ficar erudito!
Que eu fico nervoso nas idéias e incauto na escrita.
Ou que eu tô muito louco, e... Não!
Não vai dizer nada disso
Porque não há o lugar e tempo
Sobrando para uma olhada na alma.
Pra quem acredita, eu te daria um prato cheio!
Vem pra cá, vem...
Deixa de ser burra!
Você estuda, estuda, estuda
Mas a tua cabeça te derruba.
Sei que você me ama, sei que não.
A gente bebe um vinho leve,
Faz a cama, faz de corpo atrito bom
E depois se ama. Por um segundo esquece a razão.
Foi embora. Não sei se volta.
Estou arrumando minhas coisas.
Lembranças teremos. Diferentes.
Mas o espírito cede à troca. Vem e troca.
(É a chance. Volta.
Ou solta a corda.
Relógio te acorda.
Se toca. Me toca.)
.
domingo, 12 de julho de 2009
brechó das almas perdidas
Cerveja servida aos poucos
No entorno de um filme louco
Pois não houve, ouve blá
Vontade há de ir pro quarto
Tirar as roupas
Ficar à vontade
Deixa que a vontade te leva
Sinto fome a cada hora
Algo que entra literalmente
No meu corpo físico
E eu acho que só tenho este
Necessidade, minha amiga,
Nessa cidade, querida,
Você não precisa passar
Se é que você ainda tem alma
mural
Confesso que deixo de entrar em alguns blogs e sites porque tocam música imediatamente, automaticamente, e geralmente peças terríveis de arte. Seria bom ter a opção de clicar para ouvir, ao invés de clicar para não ouvir. Até lá, já fomos arrebatados pelas notas pontiagudas.
.
eu vi a cara de shakespeare
ele andava por aqueles corredores, passos lentos e tranquilos. sua cabeça estava quente, pensava em mil coisas, pensava numa só coisa, o tormento. e aquele pensamento não saia da cabeça dele. andava pela estrada de pedras, atravessava a estátua, via as possibilidades de cimento, as cordas nas árvores. não via nada, e essa era a única consciência. sabia do que acontecia, mas andava por aqueles corredores como se tivesse algo perdido por ali, por aqueles muros, imagens na parede da cabeça. coisas esquecidas, problemas não resolvidos. feridos. E era triste aquele vai e vem, subindo e descendo escadas de fantasmas. e depois os passos incertos, em direçao ao tumulto inevitável do amanhã sem mais. o Frank me dizia sempre que era medroso quando se tratava de falar com muheres a respeito de seus sentimentos. eu não dizia nada. pedia para que continuasse sem levar isto em consideração, uma hipótese. ele voltava, ficava até o último minuto ficou, para que pudesse saber: não. ela não vai ter tempo. o calendário e o relógio são os medidores do quê? pedir tempo é quase como um crime, uma ofensa. e se amanhã me irradia o abismo pra que eu pule e me vá num estalo? não temos isso que chamamos tempo. abstração. e via os anúncios. e pensava muito enquanto era para estar fodendo. achava que o mundo era uma bela porção de eternidade, beleza. como será um dia rejeitada, mais velha, a mulher que quando jovem rejeitou muitos homens. e assim nos damos conta de que tudo que se escreve, compõe, vê, cria, tudo o que se faz, é igual. constantemente nos imitando. A imitação da imitação da imitação e assim sucessivamente até o início de tudo. mas aí já é outro assunto.
.
sábado, 11 de julho de 2009
eu que já não consigo mais prestar atenção em nada
o sono vem me assaltando por dentro e leva meu corpo
para outro plano, talvez uma espécie de esfera
o absurdo está no que não podemos crêr
é difícil a vida o amor a magia o dinheiro a saúde
mas podemos viver com algumas dessas coisas apenas
cartas não são dignas de pensamentos eternizados
como se o papel fosse eterno como nada realmente é
senão uma coisa.
Amasso
Vou bater a massa e jogar farinha nos ovos
E amassar bem no meio do suvaco com cascas de cebola.
E qualquer coisa que valha uma frase, pode ser palavra solta.
Sem sentido, desconexo, confuso, incoerente, obtuso, decente.
Em certo sentido, sentido errado. Machucou? Levanta.
Fritar ovos numa frigideira preta, até nisso você me aparece!
Vê se me esquece e me deixa esquecer você.
Brincaríamos muitos e riríamos de tudo, mas você não quis isso.
Você achou que era melhor fazer atividades extras.
Extra-corporais. Extra você. Extra. Fora de.
E se deixasse falar o silêncio, encontraria a si mesmo.
Mas fala, fala, fala, e esse é o medo da verdade.
Enquanto isso, me passa o açúcar, por favor.
Peço favor pelo açúcar, mas ainda sou mesmo muito polido.
Um gentleman, como diria uma amiga.
É preciso que olhe para mim. Sente-se. Levante-se. Caminhe.
Vamos subir aos altos pontos do infinito.
Se não fosse tão gentleman, te agarraria pela cintura, pegaria nos teus cabelos
Por trás da nuca, te assaltaria um beijo nervoso, e arrancaria suas roupas uma a uma.
Te comeria na frente da mata, de todos os seres vivos, de todo o planeta e afora.
Comeria-te na cozinha, por cima do bolo, com massa e rolo sujando os cabelos
E vamos que eu faço isso em qualquer coisa, e é só isso o que eu faço.
.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
In Hell
Talvez seja apenas o horário. Público de teatro não assiste a espetáculos numa quinta-feira às nove da noite. Haja paciência! Foi grátis. Foi ótimo.
--------------------------
E é possível que algum dia eu insira uma gravaçao no início de uma peça minha que diz:
"Senhoras e senhores, pedimos que liguem seus aparelhos eletrônicos, câmeras, celulares, e que por favor, tirem fotografias do espetáculo. É permitida a entrada após o início do espetáculo, assim como a saída. É permitido conversas paralelas. Pedimos, também a gentileza de comerem e beberam dentro do teatro, desde que não precisem carregar seus lixos até as lixeiras mais próximas. É permitida a entrada de animais de todas as espécies, e com qualquer tipo de manifestação patológica que possa ser contaminosa para terceiros. Caso o seu telefone toque durante o espetáculo, pedimos a gentileza de que atenda à ligação. Todos os demais irão esperar pacientemente até que termine. Pedimos também que não fale com voz baixa, pois todos os assentos do teatro precisam receber o áudio da peça. Com apoio de ninguém e patrocínio inexistente, é com grande prazer que apresento o não-espetáculo. Favor fazer barulho no início e pedimos encarecidamente que não aplaudam no final do espetáculo. Sua colaboração e presença não têm a menor importância, de modo que é permitido agir livremente dada a sua insignificância. Obrigado.