segunda-feira, 16 de maio de 2011

escrever com palavras tudo o que eu quero escrever

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A caneta perfura o papel que voa

Nas paredes que secam o instante que apavora.

Nossa, que frase andante, quase alguma coisa nenhuma.

Se achar o sentido, me ache e me diga, me diga o achar e não

O sentido

O sentido

Norte levará você ao comandante da embarcação,

Que resiste à água e se instala nas pedras gelatinosas do deserto.

E a outra que leva ao outro lado de terra, outra cidade, governo, faz

Uma frase sem sustentação de significado para alguns iletrados com toda causa.

Escrever com palavras tudo o que eu quero escrever já é não escrever tudo o que eu queria escrever.


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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Vou Indo

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Me deixe passar livremente pelas calçadas
Homem sujo que anda em minha direção
Pela sujeira não te julgo, homem
Vejo imundo o seu corpo e de uma coisa eu sei:
Seu coração é limpo

O gato quer caminhar livremente
Ô casal que senta na escada
Sei que delícia é namorar assim
Sentir o calor, sei lá, friozinho
Deixa o gato comer, ó o caminho

Mulher, que tanto você fala?
Se vê gente, pensa: falar
E o faz de um modo estranho
Anda pra cá e pra lá, faz coisas do mundo
E fala até dormindo

Quem quer uma prova de amor?
Eu faço. Vendo, Troco, Negocio.
Neste momento, não é brincadeira não
Eu aceitaria uma torta gelada, de chocolate
Mas você nunca me viu sorrindo?


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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Do lado de lá da cidade

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Abro a janela da minha casinha,
Sou tocado pelo sol
Que fazia o movimento de
Translação

E as folhas sabiam
Que o vento toca
E sempre souberam
De tudo o que acontece

O sambinha instrumental
É o que chama a atenção
Das formiguinhas
Que escutam o som

Guitarra molhada
Com whisky
É o champagne dos aflitos
É carnaval no inverno

Eu que já morei na cidade
Ouso dizer que sou alguma
Coisa tipo poeira
No banho de estrelas

Perdão, onde vai?
Está perdoado.
Então?
Então o que?
Onde vai?
Não vou.
Com licença.
Peça “por favor”.

E a casa se arrumava sozinha
Naquele sábado outonado
De amor atrasado
Ela se fazia

E eu continuo
Com minha pena escrevo
De joelhos até que um
Milagre aconteça

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

O difícil é fácil

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Pode até parecer um pouco exagerado da minha parte
Chegar assim até você e te contar o que sinto.

Conheço as extravaganças deste mundo e te conto
Em questão de segundos todos os mitos.

Mas quero que saiba que venho aqui não somente
Pelo sentimento de caridade e cuidado, mas pelo amor

Que eu tentei manter dormente, sedado e escondido
Esse aí de vida própria que mora em mim e é senhor.

Conte-me bailarina, de quantas rimas preciso para que veja
Quantas músicas compus nas nossas pautas em branco

Que falam de um lugar incerto no futuro, em algum lugar
Talvez em horas, ou décadas de décimos, amanhã,

O sol aponta em todas as direções, mas com que dedos?
Se ele me toca, como faz? Se me lambe? Língua me esquenta.

Pode até parecer um pouco exagerado da minha parte,
Mas você seria um pouco sensível demais ao ponto da ignorância.

Não é exagero nenhum, é só que a vida me mostrou que acaba.
Tudo isso é nada, somente nossa memória, tentativas, aventuras.

E pra alguns tudo passa e o que aconteceu nunca mais acontecerá.
Concordo em partes, em tempos, em contrastes e quero sempre melhor.

Eu acho que é possível, acho sim, tenho certeza que dá,
É preciso estofo. É preciso material, Fé, amor, vontade real.

Quantas tolices já disse nisso que já disse que não diz disso?
Quantas perguntas farei até o próximo ser o próximo a ir embora?

Pode parecer um pouco estranho, um sujeito como eu, inusitado,
Parar bem na sua frente e achar que agora seu mundo pertence ao dele.

É como diria uma velha vizinha, aquela senhorinha sábia e tranquila:
Menina, você ganhou na loteria!

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Dois loucos no bairro

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um passa os dias
chutando postes para ver se acendem

o outro as noites
apagando palavras
contra um papel branco

todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
para eu ser tratado também


.(Paulo Leminski)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

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A exposição de um poema num blog é como os quinze minutos de fama, de Warhol.
A duração de um texto na página principal é diretamente relacionada com
o número de textos - e quando digo textos, me refiro a postagens - que são escritos.
E aí você vai me perguntar: - mas por que não fala logo "postagens" ao invés de "textos"?
E eu não vou responder. O mote deste comentário é a fugacidade do poema, no blog.
Quanto mais eu escrever neste sítio, mais rápido você vai ver sumir o que escrevo agora,
nesta postagem. A fila anda, a página desce. O poema se põe. Vai pro museu.


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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quem serão os próximos Cristãos?

Se transformarmos o que pensamos no que sentimos e o que sentimos no que escrevemos, poderemos assim transformar o que chamamos de dor em algo parecido, completamente contrário.
Acaba a dor, acaba o sofrimento, acaba o amor, acaba a saudade, acaba a raiva, acaba o afeto, acaba o chão, acaba a porta, o espaço, as paredes, as roupas, os sexos, acaba o quarto em que queimamos dentro.
Acaba o fim.
E tudo o que pensamos sobre o que sentimos sobre o que escrevemos se tornará páginas e mais páginas. Poderá tudo um dia ser lido. Mas por quem?

Peixes Voem

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Ninguém esta disposto
A sentir alguma dor.
E acho que com o passar
do tempo, nos afastamos das raízes.
É possível que, em algum dia de sol,
Peixes voem.
Na chuva mais fina,
nós seremos seres aquáticos.
Nadaremos para adaptar
o mundo ao grande ego humano.
Que já esqueceu do amor.
Sentir não é necessário.
Ninguém está disposto
a olhar o outro nos olhos.
E acho que com o passar da noite
seremos água-viva na areia.
No amanhecer do caos,
O bonito acaso.
Que não há.


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terça-feira, 19 de abril de 2011

sem revisar mesmo

Estou tenso. Como se eu precisasse que todos os meus músculos se contraíssem para poder segurar, hold together, todos os meus órgãos, todos os meus tecidos, ossos e pele. É a voracidade, talvez. Todas as coisas do mundo que se juntam e, em segredo, combinam: - ei, agora é a vez daquele ali (apontam para mim). vamos atacar!
E tááááá!!!!!! Vêm num tornado violento e me batem, me sacodem, me enfiam a porrada, até que eu preste atenção nisso tudo e sinta que oi! você é fraco! Sempre fui péssimo em onomatopéia, não sei qual é o som de quê e muito menos colocar isso em forma escrita. Esse "tá" foi um bom exemplo, pois não consigo sentir isso de verdade. Quando escrevemos tiramos a verdade das coisas. O que é vida, não é palavra. O que se torna palavra, de uma forma morre. Perde-se. A poesia das coisas vai pro lixo, assim sem peninha, sem lirismo, sem poesia. Dura e fria. Tenho sentido que escrever é somente uma questão de forma, o conteúdo fica fora. O conteúdo está nos olhos, no chão, na mão que toca o chão, no violão, no som que através do ar se faz ouvir, enfim, no que não se pode escrever, não se pode dizer, no indizível. Então caio eu no mesmo engano, de matar o que tenho escrito, o que me causou um ano sem escrever. Me distancio assim das palavras, pois elas ao invés de aumentarem meu homem sensísvel, aprisionam e tornam o eterno perecível. Ah, não quero escrever rimas! Neste exato momento meu coração bate acelerado e eu me sinto aprisionado dentro dele. Não, não é o coração do amor romântico, o coração valentino, o coração lírico e a metáfora-coração, não. É o meu músculo cardíaco que se espreme dentro de ossos atrofiados, dentro de um corpo magro, dentro de uma cidade magra, de um país formatado, de um mundo civilizado e uma escala de hierarquia absurda que é imposta e, bem ou mal, há de ser. Esse músculo é tão importante que me mantém escrevendo por enquanto. E qual, meu deus, me diga, qual a importância disso que estou a escrever? A maioria das pessoas não vai nem ler! Tá bom, não posso dizer que meu coração lírico não esteja a mil. Estou eufórico. Sensação de explosão inútil. Quem é você, Rafael??? Do que se trata isso tudo??? Cala a boca, finca seus pés no mundo, faz teu silêncio agradável e diga não! Aprenda! E tudo continua, tudo muda, mas aqui dentro nada parece aliviar. Cheguei da rua, tive uma reunião, estava com fome, estava cansado, comi, tomei um banho, sentei. O que é o amor? Porcaria de pergunta. O que é...o que é....aquilo mesmo que eu estava dizendo...sobre os ossos...como é mesmo? Aquela coisa que parece apertar o peito...não, infarto não...paixão...paixão? Não, não pode ser...não pode, não posso. É proibido. Por que tudo é proibido para quem quer viver? E se eu quisesse ao contrário? E como falar? Escrever é tão... sei lá, é uma forma de me limitar ao mundo das palavras e é um mundo do qual não faço parte, eu visito esporadicamente, vejo como me porto e assim, sem aviso, vou embora, saio, venho, vou, volto, toco de leve...faço carinho, arranho, levo outro tombo. Preciso ajustar a minha respiração, talvez isso funcione. Talvez inspirar e expirar. (Pausa)
Estou, estou, estou. Sou, não sou, não sou.

domingo, 17 de abril de 2011

Acho O Quê?

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Prefiro dizer que não faço poesia.
Ela está feita.
Eu apenas agrego palavras e
Busco algumas letras e receitas.


Se isso me ocorresse algum dia,
De eu achar que posso fazer
Da vida alguma poesia,
Eu acho que.

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sábado, 16 de abril de 2011

          Sempre
                                Não
                        Entendo
                                         Nada
             Do que
                                     Sempre
                Entendo

Miau

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Um grito que se prende à garganta
Afago que a dor me faz
Esperanças me traz
Não me toca, canta


Um gato que sobe no vão
Ao lado do passo do músico
Senta para escutar o som
Produzido, que é único


Miau - diz o gatinho
Se fosse um passarinho?
Não há o barulho suficiente
Para chamar a atenção da gente


Presto atenção em tudo
E só o que encontro é mistério,
Como o maior grito do mundo
Ser também o maior silêncio


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Dó Mi Fá (desde a escadaria, o primeiro lá)

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E que noite essa estrela ameaça

A quem debaixo de asas faz canção

Molhando o ar com o som

Dançando com olhos em flauta!



A sensação de espalhar-se no caos

E encontrar seu sorriso, te ver nos teus olhos,

Qualquer lembrança que não

Seja apenas coincidência, sopros…



O som é. Não se define. Não é

Ele agrega a noite que me domina

A lua que me domine, que me faça cantar

E ver o amor dançar no alto da Lapa!


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quinta-feira, 7 de abril de 2011

À integridade!

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Me indefini.
O que hoje sou não pertence a mim,
ao mundo, como uma esfera de importância mil.

Jogo para trás, seja num buraco pra enterrar mendigo,
todos os meus restos, tudo o que sai de mim, passado.
Pode ir em paz, ao rest.

Apenas escuto coisas, melodias, hamonias bandidas.
Que doa dizer isto, pois que me invadem e eu gozo.
Só a música pode fazer isto com dignidade.

Sou como o gole de cerveja
que cumpre seu papel.
Ele desce, é gostoso, refresca, e só.

Não tem vida definida,
algo que implique no seu
desenvolvimento como alguma coisa dita.

Sou como não sou nada!
Estou assim, ou de outra forma, cada hora é uma hora
e tudo é diferente e vivo, eu só sei o que sei.

Tudo isso é tudo.
É nada. Isso tudo não passa de nada.
Como as coisas que dão no papel como se dessem na alma.

Como se houvesse alguma alma,
a não ser na palavra.
No sentido bom da palavra.


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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Os Sentidos da Vida

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Todos fazem seus esforços
Para subir na vida.
Alguns sobem de escada,
Outros, de elevador.

A maioria, no entanto,
Nem sobe.
Assiste aos pássaros
Mais corajosos, ou dorme.

Há quem precise falar Inglês.
Outros, não aprenderam português.
Mas o fundamental na subida
É saber amar a vida.

Se ela é bonita, se não,
Cabe a nós especular.
A beleza é um conceito
Para o qual não há oposto.

E nem é preciso pensar,
Falar, saber, achar, concluir,
Quando se pode cheirar,
Tocar, ver, saborear e ouvir.


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quarta-feira, 30 de março de 2011

Há coisa melhor na vida do que se atirar no sofá da sala com um pote de requeijão e outro de biscoito cream craker para assistir à final do Big Brother Brasil 11. Eu, por exemplo, estava jogando sudoku. Sei que esse era o grande acontecimento, as pessoas não paravam de falar sobre quem deveria ou não, ganhar o prêmio de 1 milhão e meio de Reais. O dia inteiro. Ofuscou a morte do falecido e ilustre Rubro - Negro, José Alencar, vice-presidente do Brasil, no governo de Lula.



Não existem destaques no tempo.
E o ser humano não pensa: se perde.
Quando seu ritmo lhe dá exatamente a
Noção dos sentidos.

A loucura: morte de si.
Enquanto ruas não tiverem nomes,
Os seres não tiverem nomes, os gestos,
eu não pertencerei a nome algum.

O que o homem fez com o planeta?
Não olhe!
O que o PLANETA fez com o homem?
Emoções constroem sonhos que não produzem.

Acreditar no invisível?
Torcer e rezar para que algo aconteça:
O inevitável.
Tocar o agradável.

terça-feira, 29 de março de 2011

movendo pessoas.

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Tragam todos os poetas, os fingidores de si!
Chamem os tolos e os bobos, que se entendam sozinhos!
Os atores em menor número que as atrizes, se é a lei natural.
Chamem os mendigos para o show da minha vida.
Estão intimados os carrascos, caixas de supermercado, ex namoradas.
Quero que saibam como eu os amo a todos e por isso convoco!
Venham assistir ao show da minha vida. Luzes e sombras.
Monte de desmonte.
Chuva que cai e se esvai ao nem tocar o chão.
O milagre da transformaçao me batendo na cara.
Venham, amigos! Venham principalmente os inimigos,
pois nesses olhos quero olhar. Cadê tua verdade?
Os detentores do poder. Os pais, professores, em combate.
What's your religion? Music it is. The most unanimous one.
Ask anyone if they like music.
Quem não gosta de música, que me atire o primeiro sax.
O resto combinamos pessoalmente.
A la carte.

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quinta-feira, 24 de março de 2011

A Troca Fundamental

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Um trocador que não
Troca. O que fazer?
Chamar o gerente.

Se o gerente é com quem fala.
E com a preguiça? O que tenho eu, de
Trabalho e desperdício?

Muitas perguntas,
Poucas respostas certeiras
Heranças de uma velhinha

A pobre economista
Esbanjava e sorria
Não abriu o bolso

Foi embora, e veio?
Algum dia, mês, planeta
Buscar alvo em estrelas

terça-feira, 22 de março de 2011

. O otario pega ônibus todo dia. Não atravessa a rua na faixa de pedestres, pois perde muito tempo andando até lá, quando já é seguro atravessar num pedaço qualquer de asfalto que não esteja vindo carro. Automóveis que descansam suas culpas sobre ombros humanos. Com seus óleos, gases, metano, polivalência química, alguém que me corrija. Otário é quem pega a fila gigante do metrô todo dia e, sem reclamar, espera mais dez minutos a chegada de um trem. Um bando de otário suava na plataforma enquanto um santo compartilhava aquele momento, cercado por aquela gente. Este santo escutava IPod com seus phones brancos, e nem percebia que o despiam da cabeça aos pés, com comentários sórdidos a respeito de seu estado. Estava suado. Molhado. A camisa ensopada de suor. Poderiam ser lágrimas. As mulheres estavam em silêncio, apenas olhando com ar de reprovação. O santo entrou no carro das mulheres. O único homem no carro das mulheres, e imagina as caras delas. Os otários seguiram nos outros vagões, apertados, espremidos, e ninguen tem nada com isso. O santo come carne. O otário, vegetariano. Áries vegetando. O santo vai ao inferno pagar visita, tem um bom relacionamento com todos e pendura a conta na saída. O otário paga. Esse é o início da história de um otário aleatório que criei a partir de um ponto de vista imperialista. Do tipo que vai ao mercado pelo menos duas vezes ao dia. Compra nescau e biscoito. O santo bebe vinho todos os dias. Às vezes bebe com seu amigo, o Vampiro. E a madrugada se estende sorrindo e embriaga até quem não sabe e fica vaga a idéia de quem apenas recebe a história, sem saber de nada. Se pergunta: "que ele quis dizer?" ou, "não entendi nada". Se identifica com isso? .

segunda-feira, 21 de março de 2011

dois compassos de dança e um gole de dignidade

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Dia sim, dia sim
Tento decifrar o seu jeito
De repente mais pra cá, mais pra lá
Qualquer coisa que vire defeito

Uma obra genial
De um artista inacabado
Sem espelhos,
Ele tenta remover seus monstros

Quem é que não sentiu piedade
De si mesmo?
Desse mês, morrer é certo
Resistir apenas ao sono e à idade

Qualquer instrumento
Criação de criança é vento
que sacode meus terremotos
Oba, brinquedos novos

Olhar para os lados
Lados são tantos, poucos olhos
Quantas possibilidades
Batem com o que concordo

Depende da hora
Sempre perfeita a obra
Quase nunca pronta, demora
Custa o tempo de uma vida fora

Vejo muito bem
Perfeita, você
Cheia de detalhes
Para entreter

Viajar é uma opção
Dar vida ao fruto
Beber para sempre do seu suco
Fazendo conchinha com as mãos

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