quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Toda Manhã é Manhã




Faz me olhar desatento para onde cego.
Ao andar trôpego, observo tudo reto.
As latinhas, são muitas, todas elas já secaram
Nas goelas dos aniversários de manhã.

E como é bom poder dormir, às vezes.
Outras foder, ora quem ama, ora quem chama.
Nunca ausente, o amor, não se chateie!
Como é exigente, você que se fere e ressente!

Já vi de tudo e todo dia nasço.
Sou muito esperto, muito espertamente enganado.
Sim, é bonito o poeta despoetar-se
E a cama por fazer-se.



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Três pra breve





Sei que ninguém, seja você quem for,
Sabe que horas são nesta hora tão
Completamente fora de órbita,
Escuridão hipócrita vazada.
Canções demais, todo gosto.
Nenhuma idéia é unthought.
Only three books to write.
O que significa isso, papai?

Desde quando alma se veste?
Veste a veste da alma, deste mundo
Nada levarei, e números
Nada testam em mim e em ninguém.
Prezo teu escândalo.
Por dez segundos.
E grito e canto mal, canções horríveis.
Talvez para mim sejam incríveis.



sábado, 27 de outubro de 2012

é como se entender todos os dias no mesmo espaço físico,
e apesar disso entender que a cada dia que passa, não importa dia,
tempo cronológico, puf, já era, o que importa agora é o...
pausa para respirar. respira e pausa. não entende mais o que há por aqui.
não se reconhecer nisso é o melhor do processo. 
- aos poucos me sinto aderindo ao além-de-mim, estou longe, 
não estou vivendo esta mesma vida, cara! será preciso usar essas palavras?
são essas recaídas que me botam de volta no sapato dos pensamentos.

domingo, 21 de outubro de 2012

Assalto




Entrei no banco, me dirigi até a fila, 4 minutos e comecei a gritar:
Pega ladrão! Pega ladrão!
Gritei bem alto, várias vezes, e me atirei no chão, caí deitado.
Isso é um assalto! Isso é um assalto! – gritei,
Já de bruços, mãos acima da cabeça, sozinho.



domingo, 14 de outubro de 2012




Quando eu a chamei para um papo, ela me disse que tinha acabado de perder o irmão.
Estava muito triste, nao conseguia falar. Queria sair para a rua, andar sozinha de madrugada,
Em São João de Meriti, lugar perigoso do Rio de Janeiro. Eu não podia fazer nada, não podia
olhar naqueles olhos e impedi-la. Sua desolação me contaminou e fiquei ali parado, sem saber como agir e nem pensava nisso. Não pensava em nada. Fiquei imaginando o que seria perder um irmão, eu que tenho um irmão muito próximo, apesar da distância fria que tem nos rodeado ultimamente, ele é certamente uma das pessoas mais próximas a mim. Imaginei como poderia ser aquilo, porém depois de cerca de duas horas voltei para casa e acessei a internet, o Facebook. Vi que ela havia escrito sobre a morte do irmão, escreveu seu choro e lamento. Me senti fraco diante do mundo, e de fato era. E sou. Saí da frente do computador e fui fazer outra coisa, provavelmente estudar e compor arranjos para as músicas do CD que irei gravar com a minha banda, em breve. Depois disso tomei banho, comi meu jantar, enfim, as coisas do cotidiano. Quando voltei ao Facebook, cerca de quatro ou cinco horas depois, olhei novamente seu mural e vi vários outros posts do tipo piadinhas, do tipo cantadas mais engraçadas, do tipo “olha o que esse carinha falou pra mim”, do tipo odeio o Flamengo, e etecetera. O que passa na cabeça de um indivíduo nessa hora? 


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Chuá




Seja bem vinda na minha vida
Arranque os portões
Que  agora estou pronto

O teu sorriso, haha, eu sei, é clichê,
Mas vou dizer, é tão lindo,
Hipnotiza no bem das cores

Acima o azul que faz contraste
Com todo um querer quilate
Morde minha carne, meus lábios

Encosta no meu corpo
Com seu vento
E silêncio

Seus amores matemática
Engata a primeira e vem
Três meses começa e acaba


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

qualquer migalha é um banquete pra alma




Como pássaro que sou, sorrio e brinco.
Como pássaro que sou, abro o bico e canto
Ao céu, como quem tenta alcançar.

Como pássaro que sou, me atiro no abismo.
Voo mais alto que todos, mas quem vê?
Estão todos juntos, rente ao solo, olho ao chão.

Como pássaro que voa, nado no ar.
Criança, dou rasante, pra lá e pra cá,
Ao pôr-do-sol pinto uma tela sol de sombra.

Como pássaro que sou, te dou meu amor.
Meu canto, meu céu, não demore, pode vir.
Como pássaro que sou, amanhã ja não estarei mais aqui.


quinta-feira, 20 de setembro de 2012




Agora é andar e esquecer,
Deixar ao poder e agradecer o que foi,
O que é, o que será, e o que haveria de ser
Se o que foi não tivesse sido.
Achar que amor é dado em pedras,
Figura entreter os bobos despertos nas rodas iluminadas
Por lâmpadas coloridas e amarelas.
Crer que os bobos também a entretêm ao inverso.
Sugiro que se conecte. Com o universo, ah sim.
Tempo nunca dorme para quem vive dentro de
Uma enorme carcaça de ilusão.
Mas é possível parar o tempo.
E não é nenhuma atração bizarra, esse tropeçar
Nas palavras ao falar, não dominar o discurso.
Estar apenas em conexão com sua verdade e o
Sentimento do mundo*.
Acostumar com a ausência. De quem se ama.
É sentimento de uma tristeza profunda.
Sentimento de amor, vida, morte, e tudo.
Mais triste, só não se acostumar.


* O sentimento do mundo - CDA 
ter fé é não ter opção

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Gil, me daria agora aquele abraço?




Cão correndo caótico no
meio do chão
Da calçada, no meio da cidade, cuidado ao caminhar
Tudo tá um tanto tinto, tanto triste, tétano no telhado da vista,
Vá embora, volte vrum!
Um Peugeot está há dez segundos de qualquer amor


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Eu não tenho ídolos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um porre de ego





Que merda essa miséria de atenção,
Quando eu amo não fico medindo o carinho,
O tesão, nem quem vem e quem vai, ver a cara
Do xarada da hora, o novo na praça, o desafiante
Num jogo quiz da tv, de um canal de terceira
Se passou um dia, ou dois, passaram muitos desde
Quando senti vontade de te abraçar, suas coisas boas,
Suas coisas bobas, sua boba, mas tá, vou atrás de um adeus,
Quanto a isso, fique tranquila, eu vou partir
Quer você queira ou não, até eu sei disso, mas que fique então
Toda contradição do que disse, pois sou esse, espantalho em crise,
Prefere uma amiga do que uma buceta, prefere a vida do que mentira,
A alquimia do afago, do aprochego tarado, alpendre, cortiço, sangue
Nas paredes do dormitório, bases verdes
Que miséria, pareço mendigo quando quero afeto,
Quando me apego a alguém, e não deveria chamar a isso amor, mas vai,
É querer repetir o estar.
E repetir.
Com algumas pausas, mas a música não pára.
É um estar embriagado de si mesmo. E reconhecer-se viciado nisto.





sábado, 8 de setembro de 2012

Como cigarro carburando calmo cinzeiro





Se um cometa se acometesse a cometer um crime contra a calma
De um cidadão carioca, cegaria meus olhos cerrar cada corte certo como
Concreto de cimento cinza como o céu caduco.
Se páro em frente a ele, arrebata-me de ataques sutis,
De carinhos frágeis e mobilidades sonoras, planeta afora,
Metáforas de presente, um pente rente à cutis soa misteriosamente
Atabaques e ninhos de sementes de gente agora que adora toda hora que goza
Fora e diz vumbora que eu dou aula na próxima hora ou que diz
vou pegar o meu filho na escola (se demorar, o menino chora).
Chora menino, menina fora.
Faça um amor, organize comigo qualquer compromisso de um dia
Que um vislumbre de céu vibrante que anda suspeito
Meta-lhe as mãos nos peitos, aperte e ainda bem que foram as mãos!
Nada que eu me lembre bem, se bem que nem sei se bebi além de quem conheci
Ou achei no que vi alguém que eu quis mas não sei se me fiz de infeliz ou, simples assim,
Vigiei o que vi, e assim, o que sei é que não entendi o que quis ou porque foi, enfim,
Importante pra mim. (ter um fim)



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Peço pelo que peço





Eu me sinto bem, agora. Gosto de despejar minhas palavras.
Dizem que as pessoas pedem por aquilo que mais lhes falta,
E não peço amor, pois já o sou.
Peço-lhe dinheiro, por favor.
Escrevo essas letras e sequencio formando blocos conhecidos,
De onde fala o sentido e significado do que vivo,
Sem haver significado nenhum
Que seja comum a todos os homens.
E não porque quero faturar faço isso, mas é forma maluca de interpretar
Aquilo que sinto, e se posso ganhar um trocado, por que não o fazer?
Peço-lhe por comida, afinal com essa minha preguiça, ainda tendo moedas,
Fico estendido numa cama ou cadeira, computador, violão, atriz, loira, leio…
Não preciso de paz. Não peço paz ao mundo, nem espero que me dêem.
A paz está dentro. Não existe paz, ela é palavra. Não há nada no blá blá blá.




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Turnos Diurnos



Corro nu pela manhã.
Ela corre comigo, vasta e limpa
me devasta o pensamento

Ouço pássaros sonando.
Quiça falando entre eles, cada um
na sua espécie, e nós não.

Pelo tato que me entende,
pelos olhos que me despem,
sangro lágrimas de sal.

Sobre a secura da terra seca
ergo minhas mãos e peço aos céus
por chuva.

Molha a minha cara.
varre minha poeira para baixo
dos tapetes da inexistência.

domingo, 12 de agosto de 2012

Desprogramado



E nem pra turista, uma cidade visitada, nem um tiro certo,
Tudo programado com mínimos detalhes, só pra chatear.
Eu que tirei quanto tirei, não faz sentido, pra mim, sentar e me embriagar
Com vocês, sem vocês, com por ques e porquês demais.
Saudoso era me sentimento.
E saindo da esfera das vozes criando outras carnes e nações inteiras
Semeando a postura normalmente anedoteira, do povo em geral,
Admito, somos muito. Sempre. E isso carrega uma vida própria em cada um
De nós com ambíguos espectros de plankton playmobil e phantom, para
A alegria da molecada. Espero não ter escrito nada errado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Recomeçar



Tenho em mim certa ignorância. Carrego uma despretensão de viver, ao mesmo tempo em que, rígido, sou combatente de perfeição, no que me atrevo a fazer e levo nome. Como um bêbado de fome, vou desmoronando dia após dia, prato após prato, todas as surpresas tão esperadas que a vida me apresenta. Como por exemplo, aquele imaginário de amor que tenho, quando penso estar apaixonado por alguém e que, possivelmente ela também esteja apaixonada por mim. Não. Sirvo-me do mais barato vinho do Mundial e derramo pelas bordas do copo de plástico aquela sangria que me esbofeta a cara dizendo para acordar, trabalhar, amanhã tem coisas para fazer, problemas para resolver. Dia sim, dia não, vejo um milhão de pessoas correndo como loucos (e no fundo, coitados, são e sabem) através das vidraças que nunca se estilhaçam com as trombadas impulsivas dos ímpetos humanos. Arruaça de gente que me atravessa os olhos e nem sei se existem. Penso sempre naquela menina novinha, aquela tão calma, e procuro um motivo, um significado praquilo. Sempre que me pego vivo, dou uma olhada ao redor e penso: será que isso está acontecendo comigo? Me arrisco. Caio no céu. Gostaria de olhar para as pequenas crianças e saber exatamente como é brincar daquela forma, como fazia antes. Muito se perde da lembrança e em meio a tantas mudanças, já não sou mais quem era antes. Quem eu era quando nasci, já morreu. Quem escreve estas letras certamente também já morreu. Eu, no entanto, viverei para sempre, estarei sempre por aí, faço parte do conjunto vida, o que está para se transformar. Meu caminho é para um lugar de não pensar, e é preciso pensar muito para chegar lá. Construir tudo o que deve haver para destruir. E então trabalhar, agir, concluir, contemplar. Recomeçar.




terça-feira, 10 de julho de 2012

Bonitinhas, as mulheres-consciência



Um monge de velhinhos falando
Sobre suas grandes visões
E tudo o que dizem é apenas
Para desdizer tudo o que acabaram de fazer
Cala a sua boca, monge

Meu padre sempre foi ausente,
Ao menos que eu fosse morar em sua casa
Como não me adaptei às regras,
Permaneci poucos anos e fui embora
Corra pelado, padre

Há muitos pastores na minha rua,
Religiosos durante o dia,
À noite saem para fazer suas cagadas
Inconscientes de coleira no pescoço,
Não esqueçam que pastor é cachorro

Todo iluminado é sempre um homem
Mulher-papa, jamais venerada,
Buda e sua palavra masculina,
Jesus, me salve de todo o mal,
Palavra à quem tem vagina

sábado, 30 de junho de 2012

Mistério Bobo


Já escrevi poemas, bolei respostas,
Compus canções,
Bebi demais, chorei e ri,
Vi manhãs.

Tudo isso me serve para lembrar
Que por trás dessa vontade,
Dessa ponderação,
Dessa loucura, dessa sanidade,
Dessa gangorra alucinada,
Existe medo.

Ele que age, tira a liberdade,
Difama o compromisso,
A responsabilidade.

Chama-se medo,
Quem mantém um segredo.

Mantém aceso um mistério bobo,
Uma espécie de jogo
De apostas sutis.

Saia de trás do muro,
Pois daí não poderá me mostrar
A profundidade do seu mundo.

domingo, 20 de maio de 2012

Flor Amarela




Fique livre para ir embora
Livre para ser livre de mim,
Menina bonita,
Flor amarela no campo vasto

Voar parece muito
Mas liberdade não é tão opressivo
Quanto voar
Voar nessa atmosfera tão cheia de leis

Prenda-se aos mundos
E não ao mundo
Pois daqui pra frente tudo o que
Temos é tudo o que temos


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Chester




Ao praticar canibalismo, imagino que o sujeito experimenta
Muitos tipos de sabores.
O ser humano, ao cometer antropofagia, deleita-se com
Diferentes timbres gastronômicos
Ao experimentar o sabor de sua própria espécie.
A carne bovina, por exemplo, comemos e percebemos
Um padrão de sabor, claro que variando um pouco, de acordo com
Os fatores que determinam suas características degustativas.
Há diferentes tipos de bunda, diferentes tipos de peitos, de coxas…
E o tipo de vida que aquele indivíduo humano leva, seus hábitos de saúde,
Higiene, alimentares, e todos os dados da estatística do cotidiano humano no mundo.
Uma bunda enorme, e uma bunda bem magrinha e pequena. Um peitão mole
E um peitinho durinho. Coxas muito gordas, ou musculosas, e uns sem-coxa.
E existe o meio. O equilíbrio entre os extremos, trazendo ao centro.
Isso deve afetar o sabor da carne humana, deve haver a picanha deliciosa e
A picanha ruim, com sabor acre.
É um chester humano.
Ou então uns galetos.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Primeiro



Todo esse calor e pensamos que somos quem?
Somos apenas uns humanos que humanizam a Terra.
Fizesse calor realmente, nada me espantaria.
Com alegria, eu observaria à minha volta, e riria.

Olho para o céu. E preciso esticar o pescoço.
Será por isso os velhos não terem flexibilidade e
Toda aquela problemática nos ossos?
Olho para o chão e acho dinheiro.

Internamente me pergunto: estamos mesmo
Todos juntos? Somos algo em comum?
Para ver o céu, saia um pouco do pensamento.
Para achar dinheiro, seja apenas o primeiro.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O pássaro que plana alto não come pipoca do chão




Ninguém, nunca, nada esclarecerá
O mistério que reside atrás dos
Teus olhos tristes, apoiados nos lados.

E mesmo que todas as preces, os santinhos,
Nenhum canibal que se atreva, ai deles!
Comer carne de gente. Gente não se paga.

Se come. Gente se come o tempo todo.
Embora não hajam tolos, todos os loucos,
Embora sejam poucos, atravessam o portal.

O teu ar é denso, o teu voar é planar
Sem planejar e chegar aos poucos,
Está quase lá no infinito, ei você!
Acorda, olha pra cá e vem, bonita.

Meu silêncio grita.
Meu som pausa.
Ritmo, harmonia, melodia, pouca letra.
As melhores.
Parece quesito, ‘vai Salgueiro,
Mexe também com minha emoção’.

Como aquela que me fez ser guerreiro
Verdadeiro desafio, um mistério indecifrável
Sincera verdade, confiança é o objetivo,
Amor, ideal. 



sábado, 31 de março de 2012

Alpendre

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Fora de guarda, será que vamos notar?
Aqui umidifica o ar sozinho, sem precisar chamar
Uma chuva, beber vinho, fumar plantas, comer fungos.
Sem precisar xamã, guru, pastor, padre, papa, mestre ou professor
Licenciado para que se faça a transformação.
Estou em casa e sinto como se não.
Fez muito calor, no anterior, mas após algum tempo passado,
Caiu toda a água do céu sobre nossas cabeças frágeis,
Protegidas apenas por cabelo, pele, sangue e crânio,
Algumas veias que transitam e artérias, mas nada concreto,
Que dê proteção.
Diferente do que acontece com o coração,
Cercado de veias enormes, músculos fibrosos, sem contar
A armadura de ossos que são nossas costelas, alicerce que,
Dentro do nosso poderio, faz um bom papel de segurança.
Qualquer ângulo me faz uma escada que sobe ou desce, depende do papel,
Mas pode também ir para outros lados, para todos eles, pois sob a luz,
Sob a fé, tudo se produz, até o céu que falei antes continua cinza por mais
Um fim de semana infantil de risos, de alegrias sinceras.
Início de um bom ano é assim, devido às mudanças, vamos adaptando o mundo
Ao nosso redor e nos tornamos menos exigentes, mais libertários.
Ah sim, talvez no meio do que escrevo alguém tenha pensado em cérebro como
Parte integrante da cabeça, como algo que talvez pudesse nos proteger de algo.
É possível, não descarto esta hipótese.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Jovens

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Somos jovens e balbuciamos palavras que saem desastradas das nossas bocas urgentes. Quando não sugamos salivas, energias, oxigênio, odores e inalamos sexo por hora barata. Somos jovens que, cegos, aliviam-se uns aos outros dizendo: “Ei! Estou com você”, ou “Tamo junto!”. E há não somente este mundo dos noturnos, dos que vivem pensando ser inteligentes, dos que fazem natação, dos que passam em concursos e dos que não passam. Não há somente o mundo do presidente dos Estados Unidos ou China. E com gosto venho com comportadas palavras escrever o que chamam de literatura, palavra muito bonita esta também. Por que nos importamos tanto? Quanto ao sexo, por que? Qual a diferença entre “me abraça?” e “vamos transar?” Por que nos importamos tanto? Ah, mas se você tem um amigo, minha amiga, um amigo que quer te ver, que gosta de você, e é claro que ele quer te comer, o que é super saudável, mas se você tem esse amigo e ele é sutil, te trata com delicadeza, gentileza, tem uma agradável agressividade, não é feio, é músico, tem boas mãos, é poeta, tem tantas qualidades, presta atenção, hein, tantas qualidades, não é mole não, mas por que, minha amiga, você diz que quer sair com ele, por que diz que vai sair com ele, por que diz que vai ligar, que vai retornar a ligação, pois está na aula e não pode falar, por que não dispensa o rapaz? Somos jovens, não temos tempo. Avisa a esse rapaz, minha amiga, avisa. Encorajamos os poetas mais chatos e gabosos a escrever para receber bom dinheiro, apesar de que hoje em dia, só mesmo Paulo Coelho, e não tenho problema em citar este cara, me parece gente boa. Os poetas a escrever para receber bom dinheiro, nós encorajamos com nossa própria poesia. A minha vida é material e matéria. A minha vida serve-me com delícias. Não tenho medo de nada, não somos fracos. Somos apenas o que somos, sem medida de nada, pois ser forte é o que? Não tenho medo de nada e, se tiver algum dia, acharei normal, o tratarei bem e servirei banquete. Sou amigo do medo e meus olhos até dizem, segundo uma menina que olhou para eles. De dentro de um sítio escuro, observo o céu azul-negro por trás da cerca e ouço o som dos animais e vento nos objetos, principalmente o som dos grilos. E aquela árvore me olha com seus olhos de coruja, observando com precisão cirúrgica, ao tempo em que a coruja não observa absolutamente nada, apenas faz aquela cara.


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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Janeiro 2012

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Juntaram-se os amigos,
Cada vez mais
Próximos e tão próximos que
Cada vez mais
Próximos era longe demais.

Juntaram-se os amigos,
E cada vez mais juntos,
É muito amigo junto,
E muito junto, cada amigo é
Cada vez mais muito.

Juntaram-se os amigos,
Num único Janeiro, que
Janeiro mágico, num
Homem dono de um baralho
De amizades e amores

Do início ao fim, amigos,
Meu filho, amores, deus,
Afasto o mau definitivamente
E daqui para frente, não me
Permitirei más dores.

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