quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

do amor.

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Sou eu vestido de preto, casaco cinza.
Aquele era eu, quando acordei e sussurrei ao oculto que eu estava dormindo?
Pela rua, um andarilho pisa em ladrilhos e escolhe cada pedra.
Ele parece ter uma equação para resolver, enquanto decide se pisa na da esquerda ou na da direita. Uma pessoa de tamanha força que não se pode dizer que seja isso ou aquilo.

Sou eu, aquele oficial militar que fica parado o dia inteiro como um soldado?
Era a minha sombra, aquela que ia embora, vendo que eu não desisti de mim mesmo, ainda. Chapéu eu ainda não uso, mas com uma certa relutância, começo a procurar.
E quanto tempo perdemos enjaulados num quadrado errado de coisas erráticas?
Jogando as palavras fora, jogando-as no ar pára-voar, não em poemas, em catarses de dramas cotidianos. Vinda. Sobe mais um degrau.

Aquele sujeito em trevas sentado num banco acerca da igreja era eu.
Tentado a fazer um atentado a outro ser, na morbidez e penumbra do olhar e sentimento quase nuvem negra por cima da cabeça. Corpo violento para fins de amor.
Quanto puder protejo, mesmo que seja com a entrega deste plano para outros planos.
Eu trocaria uma morte extra por uma vida alheia.
Aquele era eu, quando me perguntava, com raiva, se valeria a pena matar?


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

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A chave do universo. Quem planta todas essas árvores?
Sombras fazem, talvez, um único caminho para um saber preciso.
Exato não, mas, quando não se percebe isso nos dia-dias vividos, perde-se.
É desperdício de vida, quando o bloqueio é intransponível.
Faz um frio. Dia antes fez frio, hoje faz calor. Contraria os meus estímulos.
Brinca, é...brinca com a minha pequena sabedoria.
E os documentos, então? Ah...e se eu fosse outro a cada dia?
Abraços não podem ser dados. Acontecem.
Chega de pensar tanto nela. Preciso me cuidar.
A chave do universo, por favor. Abram tudo.


31/05/2007

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Eu não acredito em Tempo.

Este que fala bem alto e quase grita
Ao mudo fardo sonoro explicativo.

Emprega colunas roliças
Uniformemente, com algumas escalas

Nos entremeios e navegadores.
Posso dizer que é incolor ou de todas as cores.

Um bicho redondo que se apega ao punho
E vive a sua vida, da sua maneira

Por alguns bons anos e,
Depois troca-se a bateria e está tudo bem.

Renovação.
Mais um tempo equivalente a dois tempos

Vezes cinqüenta mil e uma unidades de valor.
Valor este que se desfaz assim, num pó de segundo.

Este mundo é de lembranças.
Apaguemos agora as memórias

Não existe mais medida
Só há o indizível.

conceito de tempo.

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O tempo surgiu no século I, posto que século se escreve com algarismos romanos e não há o número zero dentre eles. Fragmen Tahr, arqueólogo e pesquisador, constatou que em suas caminhadas diárias para o trabalho, sempre chegava antes de seu vizinho e colega, Ignore Tempo que sofria de pés atrofiados e caminhava com dificuldade imensa. Ingman declarou publicamente que sabia da existência do “tempo”, conceito estabelecido desde então, e o nomeou em homenagem a seu vizinho.
No entanto, o tempo era um conceito indizível, poderia apenas ser experimentado em forma de efeitos nos itens do mundo cotidiano. Um evento acontece e é sucedido por outro e assim progressiva e indefinidamente.
Tahr foi misteriosamente abduzido e, desde então, a origem do tempo é tida como um conceito vago, misterioso e pouco conhecido do ser humano comum.


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Chapéu e Bambu

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Ei, quero o chapéu desse cara. É um chapéu muito bonito, muito vistoso.
Não, menino, esse cara é meu e o chapéu vem junto com o pacote todo.
Toma uma rasteira, moço bobo, vê se tu não tá pro meu jogo.
Deixa esse moleque aí com esse chapéu de palha pálida e desengonçada.
E vê o chapéu, e sente que alguma coisa mudou. Será um chapéu?
Ele não sabe o que é, mas finalmente coloca o objeto na cabeça e sua vida muda,
Como em uma música, ele dança e se mexe como o chapéu faria se fosse um desenho animado. Até a hora em que ele toma conta de minha cabeça, ou quase isso, porque chega ela e com seu bambu, me ataca.
Ela pega o bambu e dança como com um homem, ou alguma coisa roliça, em forma redonda, brinca como fazem os guerreiros, a natureza que automaticamente alcança sua íntima certeza. O instinto. Ela precisa brincar com o instinto, a natureza, a selva, a floresta, os bichos, o besouro, e o chinês talvez. Chapéu de malandro, canos e canos, planos de roubar a mocidade da menina, que foi pra China. Talvez um pouco de Cuba, mas não é preciso que seja mais que alguns segundos.
Somos felizes por pouco tempo, talvez. Somos felizes, apesar de tudo.
E fica um vazio entre toda essa dança e o guarda-chuva.
Ele é preto e está por ali sem querer nada. Fora de contexto. Ele me traz ao contexto.
De repente, perco minha ação, vejo que ela também perdeu. A única coisa que me resta fazer é girar o guarda-chuva. De cabeça para baixo, girar o guarda-chuva.
O guarda-chuva de cabeça para baixo.


17/05/2007

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

É.

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Não quero escrever.
Trabalho. Mecânico.
Não quero fazer.

Não quero pegar.
Trabalho. Preguiça.
Não vou levantar.

Não quero dividir.
Egoísmo. Trauma.
Não vou discutir.

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Sétima

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Não senti, não era gente.
Não saboreei, não havia sabor algum.
Não toquei, não era item.
Não beijei, não era capricho.

Não ouvi, não era surdo.
Não corri, não era tábua.
Não sofri, não era mágoa.
Nem era sorte, toda semana.

Cada que passa, nada.
Tudo que passa, reticências.
Sempre que passa, talvez.
Velha que passa a vez.

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

A rixa do carrossel com a roda gigante

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Vontade de ir embora
de um lugar nenhum qualquer

Falar nada e assombrar o mínimo
sem barulho nenhum

Foguete para as estrelas
Estalos de um ovo claro

Sorriso de boca cheia
Cheia por todos os lados

Frutiferando plantas todo grau
em viveiros de centauros

Ops, desculpa o devaneio
- São palavras não construídas

Ator embolsa dinheiro
pedras falando com flor

Um mosquito me picou a perna
porque sou mamífero

Meramente interrogativas,
frases sentençam.



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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

quase sem assunto e etcetera

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Quase sem assunto, ao pensar sobre uma pauta, um tema para o que escrevo. Simplesmente então preparo um leite com achocolatado e bebo. Vou passando o que penso para cá. Posso concordar ou não, é só uma constatação. Explicações de como é o meu processo de escrever.
E olha que talvez eu nem seja o personagem das minhas histórias. Tudo no meu mundo leva
um pouco de mim. Tenho achado muita coisa errada, mas admito que discordo até de
alguns hábitos que pratico.



Fiquei um dia inteiro no salão. Tratar o cabelo. Eles são bons. Ótimos. A mulher me segurou no secador, mas eu estava muito atrasada, e de repente o cheiro dos produtos no salão me deixou com alergia, comecei a sentir muita fome. Sempre que posso vou passear no mundo do consumo com minha mãezinha. Amanhã é o dia da minha formatura. Preciso de um vestido mais bonito
do que o das outras. Fato.


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O bom senso do "mundo" e as suas estranhezas me deixam espevitado.

A rigidez da mesquinhez da sensatez me convence de que convivemos entre a raiva e o medo.

Até acharmos o segredo que não é segredo.

O mundo entra em colapso, nesta hora.

O mundo entra em colapso quando não o pensamos.

Eu preparei um belo presente.

Ninguém viu.

Eu preparei um presente especial,

Pessoa, lugar, hora, real, todos os lados, bonito, bonito.

Muitos não vêem o presente que têm.

E saibam: não há nada de mal nisso.

às vezes é triste pensar nisso.

Então me retraio e me ocupo com outra coisa.

Com mais força, volto e resolvo.


. vejam o meu ponto!!

da relação.

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A gente se dava tão bem, sua puta.
Foi fácil encontrar um canal legal de comunicação.
Conversamos sobre tantas coisas,
Tantos sonhos grandes, escrota.
Eu me mostrei a você, foi bom, você gostou,
Eu de você, mas não mostramos tudo.
Babaca.
O seu jeito é tão lindo, o teu sorriso, tudo, merda.
Você é tão burrinha, tão chata e frágil.
Gosto muito de estar contigo, de te bobear.
Sua idiota, cabecinha fraca, boba.
Vamos passear no parque, ver o céu e o infinito?
Quero voar junto, te dar soco, te abraçar, te afogar.
Eu sou um pombinho, olhando pela janela o amor que vê.
Aquela maluca, escrota,
Que faz sorriso trouxa de idiota é pouco.
Bacana.
Vamos começar de novo?
A gente se dava tão bem, sua puta...
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

fim do plural

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O homem sente-se só.
Ele acorda do sono e cai.
Desce pelo elevador e não há óleo.

Espremido pelas paredes,
Teto e chão, as cadeiras podem cortar,
O sofá pode congelar.

A solidão avassala o corpo
E a atenção então se torna evidente
Para si.

Um dia, uma noite de homem extremamente solitário.
O único ser no planeta...
Negado.

O pastor se torna aviário.
Extraterrestre no pântano.
Cadeiras populares nas calçadas.

A bíblia e uma pinga.
Trapos de figurino real.
De vida.

Só e chamando, chamando...
Andando pelo corredor,
Preenche dias.

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