sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

um rio.

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Um rio. Sim, um daqueles rios que não se vê o outro lado.
Um mar de rio. Discutem teorias, no entanto, estão apenas no corredor.
E pensam que pensam, mas pensam. Pensam muito. Em paz.
Trivialidades e coisas sem importância, coisas que afastam o espírito de grupo.
E pensar que se alguém pergunta alguma coisa, me vejo em um dilema...
Quase rio, mas não se vê o outro lado. Choro. Choro de alegria, pois o choro em mim não existe. O choro em alegria é sempre triste. O riso catastrófico enfia o dedo no olho são. São muitos os anseios, as almas se trepidam, se esbarram e não sabem, desconcertadas, dizer “oi”. E se dizem, é apenas isto. Início, meio e fim.
Não há hospitalidade, são brutos. Brutos os seios, brutas as pétalas, as brisas.
Rua! Avisam. Sem palavras, apenas instinto. O vôo que vem de dentro é errado, mas talvez visto de fora seja bonito. Eu tento, tento. Consigo. Posso não gostar, mas consigo.


.26/03/2007

domingo, 11 de janeiro de 2009

do chuveiro.

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Cai uma poça de álcool do copo
Deflagra a mesa errada
Joga-se uma cinza de um pincel branco:
Suicídio no cinzeiro

Levanto-me e vou ao banheiro

A fumaça discorre sobre o manto
A bolsa quieta no colo, no ventre
Encosta perto do sexo e cai uma dose
de pinga, esbarra, espia, vê, alivia, espera

Ainda estou lá

A televisão anuncia: oferta do mês.
Desvio o olhar, olhos escuros
Leio no rádio, escuto no muro,
Rio de besta que estou, gelatinado

Mais um pouco e você vai embora

Todo o pó estacionado
Um pós - bomba ou atentado
Chupa bala, bebe água
E sonhamos amanhã cedo

Pelo ralo do chuveiro


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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dona Soledad

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Hoje, madrugava, desci a rua voltando para casa e
reparei que na praia havia um visual maravilhoso.
O sol estava nascendo e a cor era uma mistura de
cinza com alaranjado rosa, vermelho claro,
e não sei mais o quê. Muito bonito. Awesome.

Estava andando em direção à paisagem
quando percebi, num clique de realidade,
que eu ia voltar para casa de metrô.
Meia-volta, tomei o caminho contrário.
Perdi a visão do nascente. Ganhei conforto.


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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

da ovação.

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É ótimo poder estar aqui cantando

nesta noite bonita de poesia

A casa cheia, ou a platéia vazia, não importa

Vamos adentrar o desconhecido



Eu serei um índio que pula

E você?

Eu vejo uma menina que vira leão

Vejo macaco e tartaruga



Quem vai cair no chão?

Hein? Escutem a música.

É uma música bacana.

Vamos, uma salva de palmas para a banda!



Vamos, palmas para a banda!

Desnecessário levantar-se da cadeira

mas aplaudam essa porra, já que nem pagam o show

eu nem quero ouvir os aplausos



Soarão como gravações aceleradas

cortadas, que produzem um som bizarro

uma linguagem de seres extraterrestres

trazendo um som avant-garde


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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009



São meus olhos míopes.

domingo, 4 de janeiro de 2009

pastel

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que o vento na tarde de sol manso empurrava gentil o resto de dia que ainda existia
que o sol em marte seja manso assim enquanto de resto não importa pois não conheço
que aqueles carrinhos espaciais sejam importantes pois os que conheço não são
quem eu conheço não vale muito uma entrega de vida total e impensadamente numa hora fria
quando eu entregava pizza nos fins de tarde eu escutava no rádio o drew garabo
onde eu trabalhava cinético ofício ar condicionado comida à vontade no meu carro
como todas as noites depois do trabalho já estava à vontade em casa banho tomado


exercício de ficar ali sentado janela ao lado esquerdo soprando o vento sinistro
e vem,idéia, e vem, idéia, e nada e ao mesmo tempo assobiava uma estranha melodia
que dizia chuva sacode a cidade chuva cobre o deserto chuva a arca não está pronta
mas era apenas um deserto amarelo posto que poderia servir de banho para os turistas
só o assobio e de repente um ronco de motor de máquina um carro desembestado
eu não sabia muito de mecânica mas estava ali um desafio eu poderia simplesmente ignorar
logo logo ele parou fiquei mais tranquilo e naquele parque do dragão alguém encontrou vida

e o amarelo não sai da minha cabeça nem sai do final da praia quieta e os pescadores
os barcos desbotados de água e tempo e os peixes muitos mortos esparramados no chão
folgados daqui a pouco toca o sino e aparecem alguns doces para acalmar o instinto aguerrido
a vontade de violência o desejo intrínseco e não mais úmido que os sinos de cidades litorâneas
que os fungos não propaguem seus reinos para baixo e as garças não busquem comida no prato
dos desabrigados que observam o mundo seria muito se eles soubessem escrever poetas que são
da rua e dos acontecimentos retratariam com sabedoria a vida e discordo não teria interesse nisso

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ô coisa!


Predon! Predon!
Derruba uma lata aqui na manga?
Joga o martelo que quica matando
As pequenas formigas e um dedo.
Inchado.
Leva ao tombo o serrote,
Sem frescura, joga a carta que tem aí!
Surge!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

"Onde você vai passar o ano novo?"
Em mim, obviamente.
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Senhoras e senhores,
vamos nos sacrificar em nome da fé
e cair na esbórnia do mundo

E vamos tirar nossas roupas e gritar
e se acobertar por medo de nada
e fazer o não-fazer sempre breve e tão

Senhoras e senhores,
vocês que comem o pão que lhes jogam
e se alimentam das gororobas orgânicas

e brindam ao forró celeste
que se alimenta de vocês, que vestem
calças e botas de couro de boi

que fazem uso do tão maravilhoso plástico!
Senhores que comem donzelas
senhoras que transam churrasco

Meus caros, venham até aqui!
cheguem perto e escutem o emaranhado
Sintam-se embriagados pela ordem!

A ordem maior, a grande mãe
de todos os elementos do conjunto universo

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

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"As condições de um pássaro solitário são cinco:

Primeiro, que ele voe ao ponto mais alto;

Segundo, que ele não anseie por companhia, nem mesmo de sua própria espécie;

Terceiro, que dirija seu bico para os céus;

Quarto, que não tenha uma cor definida e

Quinto, que tenha um canto muito suave."



San Juan de La Cruz, Dichos de Luz y Amor.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

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Estou levando esse início-de-semana-de-final-de-ano nas coxas.
Aldrabice: já tô em janeiro.

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Tic.

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São tantas horas de um tempo qualquer
contador que tenta medir a ação que faço
no quarto mais, mas fora do quarto, também

o silêncio é tão ensurdecedor por aqui
e esquenta o ambiente, esquenta mais que deve
algumas luzes, não entendo, me olham
e dizem que em breve estarão aqui dentro

e por gentileza ao fenômeno foto
desenho um relâmpago diferente
e vou sozinho, preciso. Preparo-me
antes que eu possa vê-las

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de um encontro.

Custa esperar?
Dez reais, arriscou.
Pago vinte.
Pode descer.

No chão.
Vinte flexões de braço.
Pelo sorriso
Eu pago cinco.

Um abraço.
(Olhou com olhos de decepção)
Não, obrigado.
E nunca mais se viram.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Imprecisões

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Nada como nada e começar o dia com o sereno e o sol nascendo em um lugar que eu não vejo e nem mesmo sinto o cheiro do mar aqui dentro. Nada serve e o mundo basta, e quando tenho sono, vou dormir, por pior que isso me pareça ser. E há ocasionalmente alguns sons de pássaros, aqueles matinais que fazem sentir como na Holanda. E as primaveras, sejam lá onde forem, são sempre bonitas e interessantes. Melhor quando são em outubro, porque outubro é o melhor mês do ano. E me despeço de hoje com pegadas em mim e rolagens por tábuas com minha parceira, a bailarina de sorriso fácil. Esperando nada, conseguiu alguma coisa melhor do que esperava. Bom dia, imprecisões.

Agosto de 2007


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sábado, 27 de dezembro de 2008

Osso

São frágeis,...
Mas penso mesmo em esqueleto, músculos, sistema circulatório, nervoso, o sistema digestivo os pedaços de corpo que formam o meu ser real.
Braços, pernas, tórax
e eu poderia continuar citando.
Osso é fraco,
muitas pessoas todos os dias
quebram os ossos
com
muita facilidade. Por exemplo,
se um caminhão passar por cima de algum osso
seu, é bem provável que o osso se quebre.

Pra quem ainda não viu de perto...


Maratona Rock Beneficente!!

Dia: 28 de Dezembro de 2008
Local: Saloon 79 (Rua Pinheiro Guimarães 79 - Botafogo - Rio de Janeiro)
http://www.saloon79.com.br/
Ingresso: 5 Reais ou 1 kg de alimento não-perecível
Segue o cronograma:
17:00- ABERTURA
18:15- CODA
19:00- ÀLISTER
20:30- TCHOPU
21:15- 5ªBANDA
22:00- BANDA DE ENCERRAMENTO
Os alimentos arrecadados serão destinados às vítimas das chuvas no norte do Rio e Sul de Minas.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O velhinho sempre vem...

Dia de Natal, dia de cozinha atípica.
Privilegiados comem carne, pão, frutas e rabanadas.
Privilegiados trocam presentes, achando algum sentido nisso.
Somente depois de meia-noite, ou seja, somente no dia vinte e cinco.

Dia de Natal, mais um dia de família faminta.
Da janela de um ônibus, eu que também não sou rico (sou privilegiado),
Observo que não existe calendário para um mar de gente.
Gente que mora na avenida.

Natal, bacalhau, Natal, Papai Noel.
O bom velhinho pergunta:
“Você foi um bom menino este ano?”
“Fui. Passei de ano e obedeci a meus pais.”

Natal, carnaval, desfile de compras.
O mau velhinho pergunta:
“Você foi um bom menino este ano?”
“Fui. Não matei ninguém. Aquela moça só levou um corte na barriga, mas já está bem.”

Ho, ho, ho!
“Parabéns! Vai ganhar uma bicicleta, um tênis Nike, e um vídeo-game!”

Pow, pow, pow!
“Parabéns! Vai ganhar uma viagem para conhecer o velhinho do xilindró da FUNABEM!”

C,mon!

Oito um oito três, três meia dois cinco.

Atrevimento, eu diria, poder compasso estar
Noutro lugar que não fosse eu.
Poder acenar um convite seja esse canto qualquer.
O Cristo, ocupado, bagunçou as estações. Corra!
O Paulo está fraco, garantindo a passagem.
Vem passear em mim.
E me desfazer todo em festa.
Vem, depressa!
O resto não interessa.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Dançarina

Se vou a um lugar e me servem café, penso:
Ah, que bom! Será que está quente?
Bebo um gole e percebo:
Ah, que bom! Será que está doce?
Bebo outro gole e constato:
Ah, está doce o suficiente!

E então eu levanto ligeiramente o meu chapéu.
Com apenas um dos olhos, faço um movimento:
Estou vendo por dentro das coisas!
Estou vendo a moral!

E então eu reparo que não há formigas na mesa.
Não há insetos no ar.
Há uma ave que anda para cá e para lá.
Para cá e para lá...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Yes!

Eu como um churros na orla.
E eu me acabo com o melado de chocolate.
Eu, incomodado com o melado na cara,
Peço vários guardanapos.

O guardanapo não limpa o creme,
Apenas tira o “grosso” e espalha o resto.
Enfim, fico com aquela sensação de grude.
Remédio: água!

Tiro uma garrafa de dentro da mochila,
Desenrosco a tampinha e a guardo no bolso.
Guardo porque inclino a garrafa o suficiente
Para molhar um pouco meus dedos e fazer
Uma concha com a mão, retendo um pouco de água, e
Com a tampinha na mão seria bem pior fazer isso.

Jogo água no rosto e esfrego a parte grudada,
Limpando o chocolate por sua vez esfregado.
A sensação é muito melhor, não tem comparação.
Sigo andando com o rosto molhado e eu gosto de churros.